Como forma de homenagem ao filho que faleceu em 2017, Hellen Bittencourt, 30 anos, junto de outras mães, está realizando a arrecadação de itens de higiene, alimentação e vestuários que serão destinados as Casas Caminho Redentor, de Cuiabá. A ong acolhe pessoas portadoras de lesões cerebrais e/ou físicas e pedem também por doações de bloquetes, para pavimentar caminho de terra que tem no local.
Hellen deu a luz ao seu filho em 07 de agosto de 2017, com 15 dias de nascido o Guilherme, apelidado de Super Gui, foi diagnosticado com hidrocefalia e paralisia cerebral. “Ele nunca foi um caso grave, só precisava fazer uma cirurgia, colocar a válvula e ir para casa”, conta a mãe.
Em setembro do mesmo ano, Guilherme faleceu após uma infecção pós-cirúrgica. Desde então, Hellen deseja realizar ações voltadas para crianças com necessidades especiais. Há cerca de dois meses ela vem sonhando com seu filho pedindo que ela faça doação e ajude quem precise.
Em uma conversa com uma amiga que também perdeu o filho especial, Hellen ficou sabendo a respeito da Casas Caminho Redentor e decidiu que ali seria o foco de uma campanha que ela resolveu iniciar. Ato que ela pretende fazer todos os anos, por volta do início de agosto, por ser a data que seria comemorado o aniversário de Guilherme.
“A campanha surgiu na vontade de ajudar crianças que tem a mesma necessidade que o meu filho, não necessariamente a mesma patologia, mas que precisam de amor e carinho. Eu quero transmitir todo o amor que o meu filho me deu em vida”.
Hellen deseja que o amor e a caridade perpetuem no coração das pessoas. “Não é só doar um alimento ou uma fralda, mas é doar o seu tempo, o seu sentimento e o seu coração. É vir conhecer o abrigo”.
Com um grupo de pessoas que estão recolhendo as doações por Cuiabá e Várzea Grande, eles estão recebendo até os dias 23 de agosto fraldas descartáveis, fraldas geriátricas, alimentos não perecíveis, produtos de higiene, roupas e brinquedos. Eles não estão aceitando doações em dinheiro, nem leite especial ou medicamentos.
Para entrar em contato com o grupo é com os seguintes números de telefone: Hellen (65) 9 8448-4821; Adriana (65) 9 8148-8424; Estefane (65) 9 8107-9999 e Luana (65) 9 9205-9820.
Casas Caminho Redentor
Criada em 1986, já são 33 anos de histórias. Maria Soledade, presidente da instituição, conta que acompanha o trabalho do local desde o início. Criada por um grupo espírita, o trabalho deles se iniciou após notarem um grande número de crianças abandonadas.
Eles, que inicialmente tinham sua sede no bairro Tijucal, acolhiam crianças com limitações físicas e/ou cerebrais, mas também as crianças saudáveis. Todavia, com o passar do tempo, o grupo começou a perceber que as saudáveis começavam a adquirir os trejeitos das crianças com limitações.
“Com isso nós acabamos focando nas crianças com limitações, que tinham mais dificuldades em serem adotadas”, diz Soledade.
Com o passar dos anos, começaram a chegar adultos com as mesmas dificuldades e o local também passou a acolher idosos que foram abandonados. “Temos um bebê de três meses até um adulto de 79 anos. A gente trabalha com um público que tem uma situação de risco diante da família. Nós visitamos para conhecer ou o Ministério Público encaminha para a Casas Caminho Redentor”, conta a presidente.
O local que acolhe essas pessoas fica localizado no bairro Nova Esperança, próximo ao Pedra 90, em Cuiabá. Atualmente são 32 acolhidos, e uma delas, inclusive, mora há 30 anos no lar. Desde a infância.
“Aqui é o lar deles! Eles moram aqui e é aqui que está a família deles”.
O nome “Casas Caminho Redentor”, no plural, é porque a chácara que abriga a instituição tem várias casas que separam as crianças, os dormitórios femininos, masculinos e os adultos.
Além disso, a instituição abriga a Casa Cuiabana IV, que são as crianças que moravam no Lar da Criança e dependem de home care para sobreviver. Essa parte da ong é custeada pela Secretaria Estadual de Saúde.
Com uma equipe de 26 funcionários, os acolhidos tem fisioterapia, cuidados de enfermeiros, cuidadores, alimentação em horários adequados e recreações como musicoterapia.
“O nosso objetivo é que eles tenham uma vida digna e uma qualidade de vida no último período de existência deles aqui na Terra. A gente procura fazer ao máximo para atender tanto as necessidades de apelo emocional, para que eles se sintam acolhidos, envolvidos fraternalmente, quanto as necessidades físicas e fisiológicas deles. Queremos passar alegria para eles”.
Soledade compartilha que são as mãos amigas que mantêm a instituição funcionando. São pessoas que estão sempre doando os itens necessários e vão lá conversar e trocar experiências com os acolhidos.
Mesmo com a campanha de arrecadação que Hellen começou a organizar, Maria Soledade pede para que as pessoas se unam e ajudem a pavimentar com bloquetes um caminho com cerca de 600 metros de terra que tem na Chácara.
“Queremos pavimentar com bloquetes, não queremos asfalto, o bloquete filtra a água da chuva. Queremos esse piso ecológico e se cada grupo ir doando alguns metros, já ajuda”.
Maria Soledade deseja que cada vez mais as pessoas passem a conhecer a instituição e vá visitar, não apenas para doar itens necessários. “Que doem os ouvidos para ouvir as histórias deles, a voz para cantar com eles, as mãos para dar carinho e afetividade. É disso que a gente precisa”.
“O cuidado e a responsabilidade com esses, nossos irmãos, não é apenas de um grupo, mas da sociedade como um todo”.



