Jurídico

Presa na operação ‘Red Money’ pede retirada de tornozeleira para exame; Justiça nega

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por meio da Vara Especializada Contra o Crime Organizado, negou pedido para que Thais Emília Siqueira Silva retirasse a tornozeleira eletrônica para exame de ressonância magnética. Thais Siqueira é esposa de Janderson dos Santos Lopes, conhecido como “Cowboy”, apontado como um dos líderes do Comando Vermelho (CV) no Estado.

A decisão foi publicada no Diário de Justiça (DO) desta segunda-feira (01). O processo corre em segredo de justiça.

Cowboy e Thais foram alvos da maior operação já realizada pela Polícia Civil de Mato Grosso, intitulada “Red Money”. A ação foi deflagrada no dia 8 de agosto em Cuiabá e em outras cidades de Mato Grosso com o objetivo de desarticular o esquema financeiro de uma organização criminosa especializada em tráfico de drogas. Durante a operação foram apreendidos cerca R$ 50 milhões em dinheiro, além de bens.

De acordo com a publicação do DO, a defesa de Thais Siqueira requereu a retirada da tornozeleira eletrônica para a realização de exame de ressonância magnética. “Entendo que não restou comprovada a fragilidade da saúde da requerente que, por sua vez, justificaria a retirada do aparelho de monitoramento eletrônico sem prévia manifestação ministerial”, escreveu o magistrado cujo nome não foi divulgado.

O juiz observou que não havia tempo hábil para concessão de vista ao Ministério Público para a manifestação quanto ao pedido, e também considerou que o horário para a realização do exame não permitiria a reinstalação do aparelho na mesma data e nem disponibilidade de pessoal para realização de escolta da acusada.

“Indefiro a retirada da tornozeleira eletrônica. Contudo, dê-se vista, com urgência, ao Ministério Público para manifestação quanto ao pedido de retirada do aparelho de monitoramento eletrônico para submissão a exame de ressonância magnética. Concomitantemente, intime-se a defesa da acusada Thais Emilia Siqueira Silva para apresentar nova data para a realização do exame.

Investigações realizadas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil, descobriram que o casal Janderson dos Santos Lopes, conhecido como “Cowboy”, e a sua esposa Thais Emilia Siqueira Silva, abriram uma empresa de transportes para lavar o dinheiro do tráfico.

 O “empreendimento” que tinha o nome “T.E.S". Transpostes” estava no nome de Thais. Em um ano e meio, a mulher movimentou cerca de R$ 1,5 milhão com a venda de drogas. Durante a investigação foi descoberto que eles faziam trabalho de frete com caminhões adquiridos para essa empresa de fachada. Porém, existe a possibilidade de que esses veículos pesados tenham feito o transporte de drogas para outros estado e até para outros países.

  O casal era monitorado por tornozeleira eletrônica e foi preso na residência onde morava, no bairro Dom Aquino. Em 2016, Cowboy foi alvo da operação “Três Estados” deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes (DRE). Na ocasião, ele e mais 14 traficantes foram presos acusados de abastecer o comércio ilícito de entorpecente na Grande Cuiabá. Também eram acusados de transportar drogas para Rondônia. Ao longo da investigação, mais de 300 quilos de entorpecentes foram apreendidos.

 A operação denominada "Três Estados" faz referência aos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia. A quadrilha buscava a maconha na divisa de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, trazia para Mato Grosso e fazia a distribuição para grandes e pequenos traficantes, donos de "bocas de fumo" de Várzea Grande e Cuiabá. Eles ainda tinham uma logística para o envio de droga a alguns municípios de Rondônia.

Janderson é condenado por tráfico de drogas. Além disso, ele é considerado o fornecedor de entorpecentes da Penitenciária Central do Estado (PCE). Durante as investigações, ele foi apontado como uma das lideranças da parte financeira do Comando Vermelho e comparsa de Francisco Soares Lacerda (Brasília) e Jonas Souza Gonçalves Junior (Batman), principais líderes da parte financeira da facção criminosa.

Operação Red Money

Durante 15 meses de investigação sobre a arrecadação e movimentação financeira de R$ 52 milhões de uma facção criminosa (Comando Vermelho) instalada no Estado, que resultou na operação Red Money, a Polícia Civil descobriu que o dinheiro proveniente de várias ações criminosas, era usado para compra de carros de luxos, residências em Cuiabá e Várzea Grande, propriedades rurais e até cabeças de gados.

A operação cumpriu 94 ordens de prisões, além do bloqueio de contas bancárias e da indisponibilidade de bens dos envolvidos. A atividade policial resultou ainda na apreensão de pelo menos 60 veículos, avaliados em R$ 1,7 mi de reais. 

Segundo a decisão da 7º Vara Criminal de Cuiabá, Marcos Faleiros da Silva, foi evidenciado que o montante arrecadado seria proveniente do tráfico de drogas, roubo de carros, estelionatos, mensalidades, extorsão, e outras atividades ilícitas. As informações foram descobertas através da interceptação telefônica, quebra de sigilo bancário e outras investigações, inclusive decorrente de outras operações da Polícia Civil. 
 
Diante da movimentação expressiva da facção, também ficou comprovada através das investigações da operação "Insurgentes", as três principais fontes de arrecadação da facção criminosa. São elas: A cobrança de mensalidades de traficantes para abertura de novos pontos de distribuição de entorpecentes, uma mensalidade para ser 'membro' do grupo e ainda extorsão de comerciantes. Segundo o documento, o “montante assustador” reunido pela facção é de exatos R$ 52.394.248,50.

Redação

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