Alegando sofrer de trombe, Celita Natalina Liberali, 68 anos, teve pedido de habeas corpus deferido pela desembargadora Antônia Siqueira Gonçalves, plantonista no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), nesta segunda-feira (24) liberdade. Celita Liberali foi presa na Operação Sangria, acusada de integrar um grupo interessado em monopolizar serviços de saúde no Estado. Ela é mãe do médico Fábio Liberali, também preso na mesma operação.
Durante busca e apreensão, foram encontrados 21 arquivos na lixeira de seu computador, o que poderia caracterizar tentativa de destruir provas e motivou a prisão.
Em sua defesa, ela afirmou que não há provas sobre obstrução da Justiça. Celita afirmou ainda que foi presa por opinião pessoal do juiz que decidiu a cautelar. "De forma equivocada", segundo a defesa, levou-se em conta que ela é mãe de Fábio Liberali.
Ao decidir, a desembargadora levou em conta que os arquivos deletados foram todos localizados na lixeira do notebook, bem como muitos deles foram apagados muito antes de ter início a investigação policia.
O estado de saúde também restou contabilizado. “A paciente tem residência fixa nesta cidade, profissão definida, diagnosticada com Trombose Venosa e é idosa com 68 anos de idade. Nada, portanto, leva a crer que se evadiria do distrito da culpa, interferiria na instrução processual ou, ainda, que sua liberdade, condicionada a certas medidas, implicaria em risco à ordem pública”, afirmou Antônia Siqueira.
Foram impostas medidas cautelares. Celita está proibida de manter contato, por qualquer meio, com os outros suspeitos e com as testemunhas do processo. Ela também está proibida de comparecer às sedes das empresas envolvidas e das Secretarias Municipal e Estadual de Saúde, mantendo-se todo o tempo em Cuiabá.
A operação
A Operação Sangria foi deflagrada em Cuiabá na manhã do dia 18 de dezembro pela Polícia Judiciária Civil. Foram cumpridos oito mandados de prisão preventiva e quatro buscas e apreensão. Entre os alvos, três médicos, um gerente de licitação, um coordenador financeiro, parente, e funcionários das empresas prestadoras de serviços médicos hospitalares, e que estariam tentando obstruir as investigações.
São eles: Huark Douglas Correia da Costa (ex-secretário de Saúde), Fábio Liberali Weissheimer, Adriano Luiz Sousa, Kedna Iracema Fonteneli Servo, Celita Liberali, Luciano Correa Ribeiro e Fábio Alex Taques. Todos estão sendo levados para a Defaz. Um ainda está em fase de cumprimento dos mandados. O ex-secretário municipal Huark Douglas Correia da Costa foi preso pelo delegado Lindomar Tofoli efetuou em uma chácara em Santo Antônio do Leverger.
A operação, oriunda de investigação da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), é desdobramento do cumprimento de onze mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá, ocorridos no dia 4 de dezembro, para apurar irregularidades em licitações e contratos firmados com as empresas Proclin (Sociedade Mato-Grossense de Assistência Médica em Medicina Interna), Qualycare (Serviços de Saúde e Atendimento Domiciliar LTDA) e a Prox Participações, firmados com o município de Cuiabá e o Estado.
Das 8 pessoas presas, 4 conseguiram habeas corpus. Os outros três são são o médico Luciano Correia Ribeiro, o ex-adjunto de saúde Fábio Alex Taques Figueiredo e o empresário Adriano Luis Alves Souza.


