O pedido de encerramento da recuperação judicial do Grupo Bipar, que pertence ao empresário e candidato ao governo do Estado Mauro Mendes (DEM), foi protocolado nessa terça-feira (18) para parecer do Ministério Público. Segundo a empresa, 44% da dívida de R$ 126 milhões foram quitados com credores.
Em contato com a advogada do Grupo Bipar, Thais Sversut Acosta, ela explicou que se trata de pedido envolvendo a saída das empresas do processo de recuperação judicial, feito no próprio mês em que elas completam dois anos de cumprimento do plano de recuperação judicial. Segundo a advogada, esse pedido retrata o perfil do empresário Mauro Mendes, que preza por soluções eficazes e rápidas.

“A tomada de decisão para a entrada no processo de recuperação judicial deve ser feita de modo célere e consciente pelo empresário, assim que identifica a crise e antes de entrar num ciclo financeiro oneroso que só a agrave; a saída dentro do prazo mínimo legal previsto também é o caminho mais acertado”, explica Thais Acosta.
O pedido de recuperação judicial foi feito em 2015. A empresa de Mendes declarou ter uma dívida de R$ 126 milhões. Na prática, o processo judicial congelou a execução de todos esses débitos para que a Bipar conseguisse se recuperar e honrar com seus compromissos.
No pedido à Justiça, a Bipar relatou que há dois anos vem cumprindo com o pagamento das dívidas previstas no acordo. Até o momento, 44% dos débitos já foram quitados. De acordo com a legislação, quando uma empresa cumpre as obrigações que venceram em até dois anos, passa a ter direito de sair da recuperação judicial.
A profissional pondera que somente com o encerramento da recuperação é que ocorrerá a verdadeira normalização das atividades, com a devolução às empresas da solidez buscada pelos fornecedores e clientes, possibilitando-as de acessar com normalidade créditos bancários para investimentos e capital de giro, agora já sem a precária análise pelo sistema financeiro de empresa em crise, pois todos os documentos das mesmas terão suprimido a expressão “em recuperação judicial”, o que ainda estigmatiza empresas nesta situação.
Em sua defesa, Mendes culpa a Operação Ararath pela queda dos rendimentos na empresa. Após 2014, ele foi alvo de um mandado de busca e apreensão. Poucos dias após o ocorrido, os bancos lhe cortaram o acesso a crédito para financiar investimentos da Bipar.
“Quinze dias depois da operação, todos os bancos cortaram o crédito de todas as minhas empresas. Nós estávamos comprando máquinas, comprando equipamentos, iniciando obras, fazendo uma série de investimentos. Tínhamos garantido o crédito bancário, mas perdemos o crédito por conta disso. E aí ficamos em uma dificuldade muito grande, justamente no momento em que esse crédito deveria ser ampliado, para fazer frente ao crescimento da demanda”, disse.
Três anos depois, a Justiça Federal arquivou o processo por falta de provas. Contudo, a Bipar amargou prejuízo de R$ 126 milhões. Ainda no ano de 2014, em que Mendes foi alvo da Ararath, a empresa faturou R$ 321,7 milhões dos R$ 440 milhões previstos.
Por isso, ele entrou com um pedido de recuperação judicial em 2015. O processo foi autorizado ainda no mesmo ano e o plano para o pagamento de débitos homologado em 2016.
A Bipar é formada pelas quatro empresas Bimetal Indústria Metalúrgica Ltda., Bipar Energia S.A., Bipar Investimentos e Participações S.A. e Mavi Engenharia e Construções Ltda.
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