Após quase parar em uma mesa cirurgia com um quadro grave de entupimento das artérias do coração, o contador Nelson Batista dos Santos, de 69 anos, diz que sua vida mudou radicalmente. Passou a praticar exercícios físicos três vezes por semana e a se alimentar melhor. As frituras foram as primeiras a serem eliminadas da rotina.
Como tem um problema nos joelhos, optou pela hidroginástica, e também pedala nos fins de semana. Ele lembra que o início do infarto aconteceu em 2010, quando precisou ser levado duas vezes para o hospital ocasionando um susto na família. Para amenizar o quadro, o idoso tem dois stents entre duas artérias para aumentar o fluxo sanguíneo no tecido muscular do coração.
“Ao longo dos anos, por causa da minha alimentação desregrada, a gordura se acumulou nesses vasos por onde circula o sangue. Nunca dei muita atenção até aquele momento porque tenho um histórico de prática de esportes, fui jogador de futebol, mas depois de passar por algo tão sério a gente aprende que é preciso fazer melhores escolhas e valorizar a vida, a minha esposa é uma grande companheira nesse quesito”.

na nova rotina que inclui hidroginástica e alimentação balanceada
Nelson conta que viajou de Cuiabá, onde fazia acompanhamento, para Brasília (DF), pois seria necessário passar por uma cirurgia do coração. No entanto, em poucos meses, a melhoria na qualidade vida impactou no quadro dele: a gordura entre as artérias desapareceu. “Como era um procedimento muito delicado, refizemos os exames e estava tudo normal. Milagre ou não, agradeço até hoje e passei a gostar de cuidar de mim, todo ano refaço os exames e mantenho uma dieta rigorosa”.
O presidente da Sociedade Mato-grossense de Cardiologia, Roberto Cândia, que é médico do grupo do Laboratório Cedic Cedilab, frisa que ao contrário das décadas passadas, em que apenas a faixa etária mais velha da população era afetada, na atualidade jovens de 25 a 30 anos estão sofrendo de doenças coronarianas e tendo infarto mais cedo, inclusive as mulheres que possuem proteção natural por causa do hormônio feminino não ficam atrás.
“O estilo de vida mais estressante, o sedentarismo e a má alimentação potencializam o surgimento de problemas de coração, que geralmente só aconteceriam depois dos 45 anos. Entre os fatores de risco estão pressão alta não controlada, tabagismo, diabetes mellitus e colesterol alto, ou seja, todos são possíveis de se prevenir com mudanças na rotina diária”.
Para o especialista, a campanha Setembro Vermelho de valorização do coração, criada no ano de 2014 pelo Instituto Lado a Lado Pela Vida, é importante para conscientizar a população sobre os cuidados necessários es. A campanha tem seu fechamento com o marco no Dia Mundial do Coração, que é 29 de setembro, com um alerta: esta é a principal causa de morte no mundo.
No ano passado 17 milhões de pessoas foram vítimas de problemas coronarianos, como ataques cardíacos e derrames. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, problemas no coração representam 30% do número de óbitos no país. No primeiro trimestre do ano de 2018, mais de 170 mil pessoas no Brasil morreram em decorrência de alguma complicação coronário.
Em Mato Grosso, dados do IBGE Saúde, de 2013, apontaram que 3,9% da população sofriam de problemas coronários e o número de óbitos era superior a uma taxa de 5,6 para cada 100 mil habitantes (DataSUS). Mesmo não estando no topo do ranking de estados mais afetados (Minas Gerais geralmente é um dos campeões), o problema tende a piorar em razão dos índices de obesidade que são crescentes nos municípios mato-grossenses, entre eles, a capital Cuiabá.

problema deixou de ser associado à meia idade
porque vem afetando jovens entre 25 e 30 anos
“Como estamos em uma região muito quente é muito mais complicado incentivar a população a fazer prática esportiva ao ar livre. Mas acredito que teremos que investir individualmente e também coletivamente, por meio de ações do setor público, em mudanças de hábitos que incluam caminhar mais ou andar de bicicleta, porque mais de 80% dessas ocorrências que muitas vezes são fatais poderiam ser evitadas”, acrescenta o especialista, que orienta para a diminuição no consumo de alimentos com sódio, açúcar e gorduras. “Quanto mais natural a alimentação”.
Sintomas
É preciso estar atento aos primeiros sintomas e realizar exames regularmente. Alguns indicadores são: falta de ar, cansaço após esforço físico, dores e queimações no peito, além de formigamento no braço esquerdo.
Para detectar as doenças logo no começo, é recomendado realizar avaliações periódicas. Exames de sangue indicam alterações nos níveis de colesterol, glicemia e tireoide, que estão relacionadas aos fatores de risco. O eletrocardiograma também alerta para possíveis doenças coronárias.
Cuidado com o estresse
Não adianta cuidar da alimentação se não mudar a forma como reage aos problemas e desafios cotidianos. Embora seja um sentimento normal, o excesso de estresse é um fator de risco, que gera sensações de medo, desconforto, preocupação, irritação, frustração, indignação e nervoso.
“Práticas aparentemente simples podem ajudar, como dormir melhor, fazer atividades físicas ou de lazer ao ar livre (em parques e cachoeiras). Também esteja mais em contato com amigos, ria mais, converse com alguém sobre os problemas, porque essa proximidade humana alivia muito”, acrescenta o especialista.
Serviço
Para obter mais informações as doenças coronárias, você pode acessar a página da Sociedade Brasileira de Cardiologia: http://prevencao.cardiol.br/



