Os secretários Domingos Sávio e José Arlindo de Oliveira Silva afirmaram que vão recorrer da suspensão do contrato com a empresa que realizava serviços cirúrgicos a Caravana da Transformação.
O principal programa do governador Pedro Taques (PSDB) é alvo de investigações do Ministério Público Estadual (MPE) por irregularidades na execução de pagamentos pelos procedimentos a empresa 20/20 Serviços Médicos Ltda sob o âmbito da Operação Catarata.
"Vamos recorrer de toda essa questão. Nós defendemos a Caravana. Ela atendeu mais de 70 mil em cirurgias e um programa do estado que nós continuamos a defender", disse o secretário Domingos em uma coletiva realizada no Palácio Paiaguás na tarde desta terça (4).
A Catarata suspeita que o Governo do Estado pagou por cirurgias que não foram realizadas. O promotor Mauro Zaque, responsável pelas investigações, diz que soube de casos em que nomes de pacientes foram listados em cirurgia e que alegam que não fizeram nenhum procedimento.
Além do bloqueio de R$ 6 milhões e da autorização para buscar documentos na SES, a juíza Célia Vidotti determinou também a suspensão do contrato e de quaisquer pagamentos de valores a empresa. Os bens do secretário Luiz Soares e do proprietário da empresa também ficaram indisponíveis.
Segundo o secretário, a Caravana já realizou mais de 380 mil atendimentos, 88 mil consultas e 70 mil cirurgias oftalmológicas. Contudo, ele pontua que nem todos os pacientes, que se consultam e fazem o exame, chegam a finalizar com uma cirurgia. Independente se o paciente chegar a cirurgia, o Governo paga a consulta e o exame à empresa.
"E aí, muitas vezes, esse paciente é questionado – O senhor foi na Caravana? Fui. O senhor fez a cirurgia? Não fiz. Mas temos que pagar por essa consulta e por esse exame", destacou.
Domingos Sávio ainda destacou que um mesmo paciente pode chegar a fazer duas ou três cirurgias no mesmo olho.
O pagamento a empresa só é feito após uma auditoria e fiscalização dos atendimentos e procedimentos realizados. O que pode ocorrer um mês após a realização de uma edição da Caravana.
Ainda sobre o caso, o secretário José Arlindo, responsável por coordenar diretamente a Caravana, disse que o Governo está "no escuro". A SES ainda não conhece o teor das investigações e ainda não conseguiu acesso integral ao processo. Os documentos da Caravana foram apreendidos e também a ação judicial corre em segredo de justiça na Vara da juíza Célia Vidotti.
"E a convicção de que o Ministério Público, em determinado momento, se baseou em fatos não verdadeiros ou equivocados para fazer essa busca e apreensão. Isso é uma suposição. Nós estamos sem os elementos para fazer isso", disse.
Questionado sobre a operação em período eleitoral, Domingos preferiu não dar maiores posições sobre o assunto. "Prefiro não misturar essa questão política principalmente por que vivenciamos um período eleitoral", disse. O secretário frisou que respeita o MPE, fornecerá todas as informações aos órgãos de controle e que está tranquilo em relação ao caso.
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