Com o fechamento do Serviço de Atendimento Pediátrico, antigo PA Infantil, na tarde desta segunda-feira (03), o Hospital Universitário Júlio Müller deixará de atender uma média de 1,4 mil crianças mensalmente que vem da região metropolitana e do interior de Mato Grosso.
Conforme o superintendente da instituição, Hidevaldo Monteiro Fortes, a decisão foi tomada para manter o serviço de UTI neonatal que hoje dispõe de um total de 15 leitos, incluindo cinco no semi-intensivo, destinado a bebês que têm uma melhora e precisam de ganho de peso.
“Mesmo com um déficit de médicos e funcionários, resolvemos priorizar o atendimento da UTI, para preservar o trabalho desenvolvido pelo pronto atendimento da obstetrícia que recebe diariamente mulheres de todo o estado e também de outros países (Haiti, Bolívia) em gestação de alto risco”.
Ele explica que há duas semanas o hospital realizou o parto de uma gestante de gêmeos e de outras duas de trigêmeos, situações em que o risco de diabetes, eclampsia e outras doenças que afetam mãe e filho são muito maiores. “Sem dúvida é uma perda excluir um serviço, mas diante do desfalque de recursos humanos, tivemos que fazer uma escolha”.
O déficit de profissionais gerou uma ameaça de greve no mês de junho deste ano dos contratados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Desde que assumiu a direção da instituição, em 2014, o número de médicos aposentados e servidores afastados aumentou. Só no ano passado, chegaram a 80 aposentadorias de médicos; em agosto deste ano, foram 20, dos quais 13 cirurgiões. Além disso, uma média de 25 funcionários se afastam, por meio de atestado, diariamente, nos últimos seis meses.
Uma reunião seria realizada nesta terça-feira (04) entre a presidência da Ebserth e a direção do HUJM-UFMT, por meio de vídeo conferência, para decidir sobre a realização em caráter de urgência de um processo seletivo para contratação de novos profissionais. Além de Mato Grosso, outros hospitais no país enfrentam o mesmo problema de escassez de médicos e servidores. Mas a crise pode persistir até o final do ano, em razão do período eleitoral.
“Nossa UTI neonatal requer uma equipe de dois médicos, um enfermeiro e dois técnicos para funcionar, então, para manter esta equipe tivemos que fazer remanejamentos. Confiamos que esse atendimento será feito pela saúde de Cuiabá e Várzea Grande, em seus postos de saúde e policlínicas”.
Para o diretor, neste momento não há risco de greve. Atualmente o hospital possui cerca de 2 mil funcionários, mas os contratos são muito variados, uma parte é servidor da UFMT, outra é contratada da administradora e ainda há os terceirizados. Quando uma delas resolver parar, as demais ficam sobrecarregadas, o que não resolve o problema e ainda penaliza o cidadão, porque o serviço fica reduzido. “Não podemos simplesmente desmarcar uma cirurgia agendada há 3 anos ou deixar de atender alguém que veio do interior”.
O Ministério Público Federal já foi informado previamente da situação à qual o HUJM-UFMT está enfrentando, mas até o momento não se pronunciou.



