O cabo Gerson Corrêa quer um novo interrogatório e também que o governador Pedro Taques e seu primo, o ex-secretário e advogado Paulo Cesar Zamar Taques, sejam ouvidos como testemunhas no caso das interceptações telefônicas, que ficou conhecida como Grampolândia Pantaneira.
Os pedidos constam num requerimento protocolado pelos advogados do cabo, Neyman Augusto Monteiro e Thiago de Abreu Ferreira, no dia 03 de agosto.
As solicitações foram feitos quase uma semana após a audiência em que Gerson confessou a sua participação nos esquemas de escutas telefônicas. Na ocasião, ele responsabilizou o primo do governador por arquitetar toda a operação para espionar adversários nas eleições de 2014.
Os advogados argumentaram que Gerson foi o último a ser interrogado em um audiência que durou, no total, mais de 15 horas. O cabo foi o último a ser ouvido. Quando ele começou a confessar a sua participação no esquema, já era quase meia-noite e o depoimento só se encerrou às 5h da madrugada.
O momento trouxe "adiantado estado de fadiga" para Gérson. Para cliente e defesa, após analisar o conteúdo do interrogatório, as falas do cabo ficram "prejudicadas em alguns pontos a serem melhor esclarecidos e explicitados tanto para o órgão acusador bem como ao magistrado e os juízes coronéis". Por isso, a defesa pediu um novo interrogatório.
Além do novo interrogatório e do pedido de testemunhas, os advogados solicitaram a quebra do sigilo dos telefones de Paulo Taques e do coronel Evandro Lesco, que é outro réu no caso dos grampos. O objetivo é comprovar que Gérson e os dois se encontraram para organizar a criação do esquema.
No interrogatório, o cabo citou um encontro com o ex-secretário e o coronel, realizado em 2014, em um restaurante na Rodovia Emanuel Pinheiro (MT-251) para discutir a "estrutura, orçamentos e logística da implantação da interceptação telefônica”.
Segundo Gérson, Paulo Taques teria dito que arcaria com todo o custo da operação. Contudo, ele solicitou os áudios provenientes da escuta. Os arquivos digitais eram enviados pelo cabo por meio do e-mail pessoal do Google, o Gmail, do coronel Zaqueu Barbosa que tinha acesso a sua senha pessoal, segundo a confissão do réu.
Por causa desse último conteúdo, os advogados pediram também que os IPs (Protocolo de internet, em português) da conta de e-mail de Zaqueu.
O juiz Murilo Mesquita, que conduz a ação penal referente ao caso das escutas telefônicas na Vara Militar do Fórum de Cuiabá, ainda não se manifestou sobre o pedido.
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