A Polícia Judiciária Civil, em inquérito policial conduzido pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), indiciou a médica Letícia Bortolini em crime de homicídio doloso, omissão de socorro, fuga de local de acidente e embriaguez ao volante, na conclusão do inquérito policial da morte por atropelamento do verdureiro Francisco Lucio Maia, 48, na Avenida Miguel Sutil, no dia 14 de abril de 2018, em Cuiabá.
A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) constatou em laudo que a velocidade média de impacto do veículo Fiat Jeep Compass envolvido no atropelamento do verdureiro era de aproximadamente 103 km/h. Os peritos utilizaram dois trechos para estimar a velocidade, definidos por três pontos, sendo eles antes, durante e após o atropelamento.
No inquérito policial, o delegado Christian Alessandro Cabral informou que analisou todo o conjunto de fatores do acidente, levando em consideração o comportamento da vítima e, principalmente, o da médica durante e depois do acidente. “Ela assumiu conscientemente o risco de produzir o acidente, razão pelo qual foi alterado o indiciamento originário da investigada”, disse o delegado.
Na conclusão do inquérito policial, o delegado considerou que o fato da vítima apresentar capacidade psicomotora comprometida por elevado estado de embriaguez, confirmado em laudo pericial, fazer a travessia fora da faixa de pedestre e estar empurrando um carrinho de propulsão humana não tiveram influência significativa na causa do acidente.
" A vítima ao atravessar a faixa direita e central da Avenida Miguel Sutil, permaneceu se movimentando no local em que viria a ser atropelada por aproximadamente seis minutos e 25 segundos, período em que alguns condutores de veículos que passavam pelo local desviaram da mesma, enquanto outros imobilizaram seus veículos sobre a própria via. Fatos esses que evidenciam a previsibilidade e evitabilidade do acidente objeto de investigação", destaca.
Por outro lado, conforme relatório do delegado, os mesmos elementos revelam que a médica “foi absolutamente incapaz de prever e evitar o fatídico atropelamento da vítima, o que é consonante com a embriaguez e excesso de velocidade discutidos nos autos”.
Letícia Bortolini estava com o marido, o também médico Aritony de Alencar,, quando em determinado trecho da Avenida Miguel Sutil a médica acabou atropelando o vendedor de frutas e verduras Francisco Lucio Maia, que morreu no local do acidente. A médica e seu marido fugiram sem prestar qualquer socorro ou realizar atendimento à vítima. Tentaram fugir, mas foram seguidos por uma terceira pessoa que viu o casal entrando em um condomínio de luxo no bairro Jardim Itália.
A testemunha comunicou a polícia que esteve no local, apreendeu o veículo com os sinais do acidente e conduziu o casal até a delegacia. Letícia e Aritony se recusaram a fazer o teste do bafômetro, mas a polícia confirmou que os dois apresentavam sinais explicítos e odor de embriaguez.
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