O cabo Gerson Luiz Corrêa Júnior confessou sua participação no caso das interceptações telefônicas ilegais, que ficaram conhecidas pelo nome 'Grampolândia Pantaneira'. Em interrogatório na madrugada deste sábado (28), o réu disse que foi o ex-secretário Paulo Taques, primo do governador Pedro Taques, que arquitetou toda a operação para espionar adversários nas eleições de 2014. A audiência também ouviu outros réus no Fórum de Cuiabá.
Segundo Gérson, as escutas ilegais começaram ainda em 2014, no mesmo período de campanha eleitoral de Pedro Taques para o cargo de governador. Paulo era o coordenador de campanha do primo. Ele narra que recebeu uma ligação do coronel Zaqueu Barbosa, que na época era o comandante-geral da polícia militar de Mato Grosso, para montar a ação de arapongagem.
Zaqueu teria informado que as escutas seriam para investigar policiais suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas. Contudo, somente quando se viu envolvido no esquema, é que descobriu a verdadeira intenção das interceptações. No fim, a operação eram para fins eleitorais na campanha de 2014.
Gérson revelou em juízo que Paulo Taques teria dado R$ 50 mil para compra de equipamentos, que foram instalados no bairro Consil, em uma casa onde o ex-secretário trabalhava.
Paulo Taques e o Coronel Zaqueu negaram as acusações de Gérson.
As escutas ilgais de grampos ouviram políticos, empresários e jornalistas. O esquema foi revelado pelo programa Fantástico, da Rede Globo. O processo está relacionado à Operação Esdras.
O Gerson foi o último a depor. Também falaram nesta sexta (27) os outros são réus da ação. São eles: o tenente-coronel Januário Antônio Batista e os coronéis Zaqueu Barbosa, Evandro Alexandre Ferraz Lesco e Ronelson Jorge de Barros.


