A ponte entre os dois municipios foi danificada em fevereiro e até hoje não houve obras de restauro. A verba extra da situação de emergência, que deveria entrar nos cofres públicos, para a recuperação de uma ponte, ainda está sendo aguardada pelo prefeitos de Poconé Tatá Amaral (PR) e de Nossa Senhora de Livramento, e Silmar de Souza (PSDB), de Poconé.
O problema foi pauta do jornalismo em rede nacional, na última semana, quando as prefeituras foram acusadas de não terem notificados os órgãos competentes, para a realidade municipal.
No entanto, Tatá e Souza rebateram as acusações alegando, que notificaram os Ministérios da Integração Nacional, na Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, em Brasília e a Defesa Civil Estadual, em Mato Grosso, que reconheceram o pedido de situação de emergência para os municípios.
“Fomos reconhecidos e os órgãos estão cientes da nossa situação. Eles estão cientes da nossa situação que é grave. Estamos aguardando a determinação da liberação dos recursos para a construção da ponte de concreto”, disse Tatá Amaral.
A recuperação da ponte com extensão de aproximadamente, 60 metros, na comunidade São Gonçalo, sobre o Rio Sangradouro, está orçada em cerca de R$ 1,100 milhão. “Assim que a ponte foi levada pelas chuvas, notificamos os órgãos competentes com todos os requisitos preenchidos, incluindo o plano de trabalho. Nenhum dos dois municípios têm condições de arcar com a obra já que o tamanho da ponte passa dos doze metros. Fizemos o protocolo no governo federal, MTF-51061091321420180221”, afirmou Souza.
Em Poconé, onde os prejuízos são maiores para os pequenos produtores da agricultura e criadores de gado, e alunos da rede escolar municipal, existem mais de 70 pontes de madeiras medindo cinco metros, para serem mantidas com dinheiro do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (FETHAB). De acordo com Tatá Amaral, em junho, o município foi contemplado com R$ 135 mil, cuja quantia, também serve para manter três mil quilômetros de estradas.
“Esse recurso é utilizado na recuperação de mais de três mil quilômetros de estradas e pontes de madeira com extensão até 12 metros, com base em lei estadual. Então não podemos construir pontes acima disso com recursos do FETHAB”, alegou Tatá.
O vereador de Livramento, Gilson Almeida (PSDB), reiterou as declarações dos prefeitos. Segundos ele, a região do São Gonçalo está isolada entre Livramento ePoconé forçando as famílias a fazerem um percurso de 70 quilômetros com destino às áreas urbanas das duas cidades. “Todos estão cientes desse problema que afetou a vida de todos nos dois municípios”, afirmou Gilson.
Souza reforçou que também recebeu R$ 125 mil do FETHAB. “O povo dessa região está sofrendo com a morosidade para a liberação dos recursos. E as maiores reclamações estão aqui, nos municípios e a construção dessa ponte resolve o problema”, disse Souza.
A ponte no Jornal Nacional
A reportagem mostrou agricultores se arriscando em galhos de árvores para conseguir atravessar um rio, em Poconé (a 104 km de Cuiabá). A ponte de madeira do local foi arrastada pela água em fevereiro, após uma chuva forte atingir a região.
Desde então, 400 famílias que moram do outro lado não conseguem atravessar e ir para as cidades. O fato tem atrapalhado a agricultura familiar na região.
Um agricultor, identificado como Geraldo, explicou como está a situação dos produtores da região. “Nós plantamos mudas de banana e rama de mandioca e está parado porque não tem jeito de baldear, nós perdemos tudo”, afirmou.
Outro problema trazido pela falta de ponte é a dificuldade no transporte escolar, pois alguns estudantes ainda não conseguiram chegar ao local.
Do outro lado do rio, a escola novinha está com muitas carteiras vazias. Para chegar por terra é preciso dar uma volta de 70 quilômetros.
“Quando o transporte não vem por estar quebrado ou como agora que a ponte que caiu, então a escola praticamente para e o aluno perde”, disse o professor de matemática Edmar Fernandes Cardoso.
De acordo com a reportagem, a situação se repete em outros municípios mato-grossenses, como Chapada dos Guimarães (a 60 quilômetros de Cuiabá). Para ilustrar o caso, foi exibido um vídeo feito por um morador, que mostrou o que sobrou da ponte sobre o rio Casca, quebrada há dois anos e era usada pelos moradores de comunidades rurais.



