“Ne sutor ultra crepidam”
O Espaço Vital pediu, ontem (09), a dez conselheiros seccionais da OAB-RS e, aleatoriamente, a outros dez advogados (as) militantes, objetivas opiniões – via e-mail – sobre o polêmico desempenho do desembargador federal Rogério Favreto no controvertido plantão dominical do TRF-4.
O editor comprometeu-se à não divulgação dos nomes dos opinantes. Das 20 almejadas respostas, vieram 16. Dois dos consultados simplesmente não responderam. Dois retornos apresentaram apenas escusas, “por razões éticas e/ou de foro íntimo”.
Entre os efetivos 16 respondentes, quatro lembraram da expressiva votação alcançada por Favreto (51 dos 56 votos possíveis), quando a OAB-RS, em 20 de outubro de 2010, indicou os advogados habilitados à lista presidencial para a nomeação de vaga pelo quinto constitucional1 no tribunal federal.
E todos os 16 coincidiram na conclusão: Favreto exorbitou da competência que o “coincidente” (…) plantão lhe permitia.
Vieram, ainda, duas interessantes alusões a um ensaio da Grécia Antiga, titulado pelo provérbio latino “Ne sutor ultra crepidam" [Não vá o sapateiro além das sandálias]. Nele conta-se que certo pintor, de nome Apeles, tinha o costume de exibir suas obras à porta de seu ateliê e esconder-se, atrás de uma cortina, para ouvir comentários de transeuntes.
Um belo dia, um sapateiro passante criticou um dos quadros e notou um ‘erro’ em um dos pés pintados. Imediatamente, Apeles tirou o quadro da exposição, fez o reparo no desenho e o retornou aos olhares públicos.
Na manhã seguinte, percebendo que a sugestão tinha surtido efeito, o sapateiro meteu-se a criticar a perna, o braço, a cabeça, etc. Então, Apeles – que era um homem elegante, de postura firme – saiu imediatamente de seu esconderijo e exclamou: "Ne sutor ultra crepidam".
A expressão caiu no gosto popular com o sentido de “não dê pitacos em assuntos que não sabes, ou que não são de tua competência”.
O sapateiro, depois dos poucos minutos de glória, logo perdeu o prestígio.
Qualquer semelhança com fatos da vida real será mera coincidência.


