Após mais de oito anos de espera, o Complexo Turístico da Salgadeira, localizado às margens da Rodovia Emanuel Pinheiro (MT-251) entre as cidades de Cuiabá e Chapada de Guimarães, foi (re)inagurado e (re)aberto a população mato-grossense na manhã deste sábado (30).
A Salgadeira foi interditada em 2010 devido ao uso desordenado do espaço, principalmente pelos banhistas e turistas, e também a vários problemas ambientais, como a disposição de resíduos a céu aberto causados pela ocupação e uso irregular do espaço ao longo dos anos. As obras de revitalização começaram em 2014 e deveriam ter sido entregues até a realização da Copa Mundo de 2014. Mas ficaram paralisadas até 2016 e só vieram a ser retomadas neste ano.

A interdição foi movida pelo Ministério Público Estadual (MPE) e acatada pela Justiça para obrigar o Estado a revitalizar o Complexo e recuperar a degradação ambiental no local. A obra foi um conjunto entre as secretarias de Cidades, Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico (Sedec) – adjunta de Turismo. O investimento total foi de R$ 12,6 milhões e a obra foi executada pela empresa Concremax Engenharia Ltda.
O Complexo também será entregue a iniciativa privada. Mais especificamente, a empresa LB Steak House Ltda., que ganhou a licitação de concorrência pública. Ela ficará responsável por administrar, conservar e fiscalizar a nova estrutura, bem como explorar comercialmente a área.
A inauguração contou com a presença de vários representantes, políticos mato-grossenses e empresariado do setor turístico. Entre eles estavam, o governador Pedro Taques (PSDB), o ex-senador Júlio Campos (DEM), o empresário Oiran Gutierrez (representante do Trade Turístico de Mato Grosso), os prefeitos Emanuel Pinheiro (MDB/Cuiabá) e Thelma de Oliveira (PSDB/Chapada dos Guimarães), os deputados estaduais Wilson Santos (PSDB), Oscar Bezerra (PV), Max Russi (PSB) e Guilherme Maluf (PSDB), além de secretários, assessores, servidores públicos e população.
A reforma da Salgadeira está 100% concluída. Mas como vai funcionar o novo complexo? Pode tomar banho nas águas da Salgadeira? O que será pago? Confira abaixo alguns pontos sobre o funcionamento da nova estrutura:
O complexo passa a contar com um restaurante amplo, um minimuseu, uma loja de souvenir, um posto policial, um mini auditório, área administrativa, playground, paisagismo e duas guaritas.
A novidade do projeto está na construção de uma estação de tratamento de esgoto, 24 postes de oito metros de altura com lâmpadas de LED movidas à energia solar e a implantação de 540 metros de trilhas metálica, por onde os visitantes irão andar durante o passeio para evitar o contato com o solo e, consequentemente, sua depredação.
O local também tem mirantes, rampas e portas que permitem acesso de pessoas com deficiência. Além de estacionamento com 100 vagas para veículos, sendo cinco para ônibus, 84 para carros, além de 10 reservadas ao administrativo do complexo.
O banho na águas da Salgadeira era um questionamento recorrente após as degradações ambientais por anos de uso irregular, de acordo com o MPE. Mas ele será liberado. Embora, com restrições.
Só serão permitidas a entrada de 45 banhistas simultaneamente em dois pontos situados na margem direita da rodovia.
Para autorizar o banho, o Governo firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público. O documento prevê que será feito um monitoramento contínuo nas áreas de banho com a possibilidade de que a capacidade de carga do local seja reavaliada para menos ou mais. Para haver um incremento no número de banhistas, precisará de novo parecer técnico e anuência do órgão ambiental.
A entrada e o banho serão gratuitos para banhistas, visitantes e turistas.
Praticamente todo e qualquer consumo junto ao restaurante e as lojas no complexo. O estacionamento também deverá ser cobrado. Valores ainda ainda não foram divulgados.
A nova empresa a administrar a Salgadeira é a LB Steak House Ltda. Ela poderá explorar as áreas comerciais internas e externas, bem como o estacionamento. O contrato tem uma vigência de dez anos. A empresa também deverá pagar R$ 10 mil por mês ao Governo por dez anos. O que totalizará R$ 120 mil por ano e R$ 1,2 milhão na década que perdurar o contrato.

O tradicional ponto turístico ganhou também um novo nome – Complexo da Salgadeira Ramis Bucair.
O novo nome é uma homenagem ao agrimensor e espeleólogo Ramis Bucair, que faleceu em 2011. Um dos últimos seguidores de Marechal Rondon em suas expedições, ele colecionou objetos, pedras e peças arquelógicas durante as jornadas.
Com a coleção, ele abriu um Museu de Pedras, que fica localizado no centro de Cuiabá. O acervo possui mais de 4 mil peças, entre pedra preciosas e fósseis encontrados em municípios de Mato Grosso. Atualmente, o museu se encontra fechado por falta de reconhecimento e investimentos públicos.
Familiares do agrimensor receberam a homenagem.

Foto: Christiano Aantonucci/GCOM
Esta é a segunda vez que a Salgadeira passa por uma reforma. O Complexo foi inaugurado pela primeira vez em 1982 pelo então Júlio Campos – na época o governador do estado. Em 1998, a área passou por uma reforma encomendado pelo falecido Dante de Oliveira. A terceira, após a ação movida pelo MPE, foi entregue pelo próprio governador Pedro Taques.

Foto: Allan Pereira/Circuito Mato Grosso



