As chances do advogado Paulo Cesar Zamar Taques de se livrar da prisão preventiva parecem se esgotar na Justiça. Isto porque a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o seu pedido de habeas corpus na noite desta segunda-feira (9). Era a última instância judiciária na qual o preso podia buscar a revogação da sua segregação cautelar.
O acordão com a decisão ainda não foi publicado no sistema do STF. O despacho somente informa que Weber negou seguimento ao habeas corpus.
Mas antes de se decidir Weber pediu o parecer da procuradora-geral da República, Raquel Dodge. A entidade apontou não reconhecer o habeas corpus no documento enviado à ministra. Para Dodge, a prisão foi "fundamentada e apoiada por farto material probatório que demonstra a presença dos requisitos autorizadores da segregação cautelar".
"Percebe-se, portanto, que as imputações penais feitas ao paciente têm lastro no relato dos colaboradores e também em sólido conjunto probatório. Este acervo probatório foi examinado, em profundidade, pelo prolator da decisão que decretou a prisão preventiva de Paulo Cesar Zamar Taques", escreveu.
Paulo está há quase dois meses no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC). Ele é apontado pelo Ministério Público Estadual (MPE) como um dos integrantes do núcleo de lideranças da organização criminosa que se aproveitou do poder político dado a ele por causa do cargo de confiança que ocupava no governo do Estado. O advogado foi secretário-chefe da Casa Civil nos primeiros anos de mandato do governador Pedro Taques, seu primo.
O advogado foi denunciado no dia 16 pelo MPE na nova fase da Operação Bereré, chamada de Bônus. A investigação apura desvios de recursos em um contrato firmado com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e a EIG Mercados Ltda. Segundo a entidade, R$ 27,7 milhões foram desviados e fraudados dos cofres públicos.
A irregularidade do processo está em um contrato firmado com a EIG, que foi contratada para fazer registros de contratos de financiamentos de veículos. De acordo com o Ministério, R$ 27,7 milhões foram desviados da autarquia. Estes valores eram repassados à empresa e retornavam como pagamentos de propina a políticos, agentes públicos e empresários. O dinheiro era então lavado em uma segunda empresa, a Santos Treinamentos, que tinha uma parceria com a companhia.
Ele foi denunciado por supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Além de Paulo Taques, o deputado estadual Mauro Savi (DEM), os empresários Roque Anildo e José Kobori, também está preso o advogado Pedro Jorge Zamar Taques, irmão de Paulo, no Centro de Custódia de Cuiabá. Todos os quatro também foram presos no mesmo dia em que foi deflagrada a Bereré. Todos os cinco estão há quase um mês no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC).
{relacionadas}


