Jurídico

Júri dá novas condenações a pistoleiros que atuavam para Arcanjo Ribeiro

Duas figuras temerárias do estado de Mato Grosso tiveram novas condenações na Justiça. As penas do ex-policial militar Célio Alves de Souza e do cabo Hércules de Araújo Agostinho foram aumentadas por novas imputações de homícidio. Os dois foram levados ao Tribunal de Juri nesta semana em Rondonópolis e Várzea Grande, respectivamente.

Assassinos por encomenda, Célio é apontado por tirar a vida Brandão Araújo Filho e José Carlos Machado Araújo (os irmãos Araújo). Já Hércules é apontado pelo assassinato de José Gervásio da Silva Filho. O Tribunal de Juri os considerou culpados pelos crimes.

Celio foi condenado a 24 anos e oito meses de reclusão. Com a nova pena, as condenações somam mais de 175 anos de prisão ao ex-policial.

Já Hércules foi condenado a 17 anos de prisão. Segundo o jornal A Gazeta, suas condenações somam 216 anos de prisão pelo assassinato de 16 pessoas e tentativa de homícidio de 3.

Célio e Hércules ficaram mais conhecidos por serem os assassinos do jornalista Domingos Sávio Brandão. A vítima era proprietário do jornal Folha do Estado, e foi morto a tiros em frente a própria empresa em 2002. O mandante foi o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro por causa de uma reportagem publicada no veículo que o apontava como o "Al Capone" de Mato Grosso.

Veja abaixo o casa de cada condenação.

CASO IRMÃOS ARAÚJO

No julgamento desta semana, Célio é apontado pelos assassinatos dos irmãos agricultores Brandão Araújo Filho e José Carlos Machado Araújo. Denunciado pelo Ministério Público Estadual, ele foi contratado junto com Hércules e o ex-capitão Marcos Divino Teixeira da Silva. Segundo a ação, o assassinato de Brandão aconteceu em 10 de agosto de 1999, e o de José no dia 28 de dezembro de 2000.

Brandão estacionou o seu carro no centro do município de Rondonopolis. Enquanto aguardava o retorno de um conhecido, Hercules, que estava pilotando uma moto, parou a seu lado e efetuou dois disparos com uma pistola de nove milimetros. Os tiros atingiram a sua cabeça e, por isso, ele veio a obito imediatamente.

De acordo com o Ministério Público Estadual, autor da denúncia, Hercules executou o crime com o auxilio de Celio. Inclusive, o ex-PM chegou a lher convidar para vir até a cidade para praticar o crime. Ele ofereceu R$ 3.000,00 pela participação.

Já no caso de José, ele estava no estacionamento do banco Bradesco quando foi surpreendido por Hercules. O agricultor foi atingido com um tiro na cabeça. Após cair no chão, o assassino se aproximou e disparou um segundo tiro. Em seguida, ele fugiu em uma motocicleta.

Em confissão, Célio e Hércules apontaram os empresários Sérgio João Marchett, Ildo Roque Guareschi e Mônica Machett Charafeddine como os mandantes do assassinato. O crime foi motivado por uma disputa judicial de uma fazenda de mais de dois mil hectares no município de Rondonópolis.

No caso, somente a denúncia de Celio e Hercules foram recebidas. Em relação a Monica e Marcos, a peça criminal foi rejeitada pela Justiça. Já no caso de Sérgio e Ildo, a denúncia não foi recebida "por entender que haviam diligências imprescindíveis à formação de indícios suficientes de autoria".

No julgamento desta quinta (14), foram retiradas as acusações de formação de quadrilha de Célio por causa da prescrição. O réu foi levado a um Tribunal de Juri. Eles reconheceram a autoria dos crimes em relação aos irmãos Araújo. Além disso, eles apontaram que o ex-PM agiu com intenção de matar, "participando do evento e praticando mediante paga e com conhecimento da ocorrência do meio que impossibilitou a defesa da vítima".

Assim,  condenou Célio por homícidio. O magistrado fixou uma pena diferenciada para cada vítima produzida pelos dois assassinatos. Para a morte de Brandão, ele fixou uma condenação de 12 anos de reclusão. Já na de José, ele pontuou uma pena de 12 anos e oito meses de reclusão.

ASSASSINATO DE FISCAL DA SEFAZ

Já no julgamento de Hércules, ele é apontado pelo assassinato de José Gervásio da Silva Filho. A vítima era agente de fiscalização e arrecadação do Secretário de Estado de Fazenda (Sefaz). O caso aconteceu no dia 02 de setembro de 1999 no município de Nossa Senhora do Livramento.

Segundo o despacho da decisão, ele estava em um bar da cidade quando levou um tiro de Hércules. De acordo com o MPE, a motivação do crime foi passional. O pistoleiro teria sido contratado por sua esposa Francisca Benta de Campos Silva, e seu amante Claudecir da Silva Aires.

De acordo com o MPE, havia mais um terceiro personagem na história. O vizinho Milton Pinheiro da Silva foi o intermediador entre a esposa de José e Hercules. O pistoleiro negou a autoria e disse que o crime foi praticado por outro PM, que, inclusive, chegou a usar o seu veículo.

Hercules foi levado para o Tribunal de Juri nesta quarta. A decisão só saiu de madrugada.

Com base na decisão do juri, o juiz Otávio Vinícius Affi Peixoto condenou Hércules a 17 anos de reclusão, e Franscisca a 15 anos e seis meses. No caso, o magistrado considerou que a esposa e mandante do crime poderá aguardar recurso em liberdade por colaborar com a Justiça. Milton foi absolvido por insuficiência de provas.

Redação

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