O ex-prefeito de Juara-MT, Priminho Riva (PR), é acusado de ter feito ameaças contra a vida do vereador de Poconé-MT, Walney Rosa (PV), por conta de ações envolvendo uma mineradora que estaria causando danos a moradores do distrito de Cangas. A ocorrência policial foi registrada no último sábado (19) pelo próprio vereador.
Segundo Walney, ele tinha acabado de participar de uma reunião solicitada por moradores que cobravam providências sobre a transitação de caminhões que descartam os rejeitos de garimpos em frente às casas gerando poeira e buraco nos asfaltos, por não suportar veículos pesados.
Ao sair da comunidade, o vereador teria sido seguido e parado a força pelo pecuarista Priminho Riva, na rodovia MT-060, próximo a um lugar conhecido como Castelinho. O irmão do ex-presidente da Asssembleia Legislativa, José Riva, teria lhe abordado com xingamentos seguidos de comentários ameaçadores.
“F**** da p***, vou acabar com a sua vida”, teria dito Priminho.
Walney ainda registrou em boletim de ocorrência que a atitude se deu por conta da referida reunião, porque os moradores pediram auxílio para agilizar uma ação de cunho ambiental contra a mineradora.
Walney Rosa conta que chegou a parar dois veículos que transitavam na rodovia para amenizar o conflito. “A situação não ficou pior em função de que ao ver a intenção do cidadão realizou a parada de dois veículos e com isso o intento do referido cidadão cessou”, consta no B.O..
O vereador disse ter chamado a sua atenção a postura do pecuarista porque enquanto estava com o “dedo em riste” dizendo as ameaças, a outra mão estaria segurando o cós da calça como se estivesse “carregando algo na cintura”. E, por isso resolveu registrar a ocorrência.
Priminho Riva seria um dos donos dos garimpos na região.
Alagamento
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À reportagem do Circuito Mato Grosso, Walney de Souza relatou irregularidades ambientais ocasionadas pela atuação da mineradora no Distrito de Cangas. Em março, uma intervenção feita pela empresa resultou no alagamento de casas, que ultrapassaram 1 metro de altura, quatro famílias foram prejudicadas.
Dona Ana Maria, de 50 anos, relata que desde que chácara aos fundos de sua casa, cerca de oito anos, começou os problemas com a enchente, tendo sempre que tomar cuidado com os móveis e pertences para não perder, mas que desta vez não teve jeito.
“Moro a 44 anos aqui neste lugar, são quatro casas tudo da família, mas nunca foi tão feio como dessa vez. Deu tempo de sair com a vida de dentro da casa, porque se a gente tivesse dormindo ia ser bem difícil, foi muito rápido”, relembrou a dona de casa. Ela diz que tudo se perdeu, até a criação de galinha.
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Segundo dona Ana, nada foi feito pela Defesa Civil. Alguns servidores do “ambiente” teriam ido até o local para registrar imagens, mas não houve informações dos procedimentos posteriores e nenhuma ajuda do Município.
“Estou morando num barraco que minha filha me deu pra eu ficar porque a minha casa está toda com rachaduras e não tem como eu ficar lá. Mas tem uns parentes que voltaram, pois não tem para onde ir”, afirmou.
Walney de Souza disse que uma ação contra a mineradora teria sido iniciada pela Justiça Comunitária pedindo indenização para quatro famílias prejudicadas com a enchente.
Rejeitos de mineradora
O presidente da associação dos moradores da Comunidade Nossa Senhora do Carmo de Cangas, José Gonçalo, reforçou as dificuldades dos poconeanos na região que após a enchente causada por um garimpo que prejudicou quatro famílias, outro garimpo tem gerado transtorno a outras 25 famílias, por conta de rejeitos depositados em locais inapropriados.
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Além dos buracos nas ruas ocasionados pelo transporte pesado, a poeira dos rejeitos estaria prejudicando também a plantação, invadindo o leito do córrego e agravando o risco da saúde de crianças na localidade.
“O garimpo tem sido um problema aqui dentro da cidade. Tem gente comendo poeira, nem com pano molhado consegue segurar. Não queremos que as pessoas parem de trabalhar, queremos que eles possam trabalhar sem prejudicar as outras pessoas”, declarou.
José Gonçalo explica que as mineradoras funcionam em lotes de proprietários que arrendam o terreno para o garimpo. O local explorado pelos garimpeiros que estariam prejudicando as 25 famílias, teria uma extensão de 8 hectares.
Outro lado
O Circuito Mato Grosso entrou em contato com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e eles se comprometeram a enviar uma nota, mas até a edição da matéria não obtivemos o retorno.
A reportagem também tenta desde esta segunda-feira (21) falar com o ex-prefeito de Juara, mas sem sucesso.
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