Cidades

Corpo do jornalista Jorge Bastos Moreno é velado em Cuiabá

Foto Denise Soares

DO G1

O corpo do jornalista Jorge Bastos Moreno é velado na Capela Jardins, em Cuiabá, sua cidade natal, desde a madrugada desta quinta-feira (15). A previsão é que o enterro seja por volta das 14h (15h no horário de Brasília), no Cemitério da Piedade, no Centro da capital, segundo a família. O colunista do jornal "O Globo" morreu no Rio de Janeiro nessa quarta-feira (14), aos 63 anos, de edema agudo de pulmão decorrente de complicações cardiovasculares.

No velório, o único irmão vivo do jornalista, Aristeu Teles Moreno, de 67 anos, disse que lamenta a perda e que vai guardar boas lembranças. "Ele sempre se deu bem em contar histórias e teve incentivo do nosso pai. Ele sabia traduzir o linguajar cuiabano". O enterro será no Cemitério da Piedade porque lá estão enterrados outros familiares do jornalista, informou.

A jornalista Adriana Mendes, amiga de Moreno havia quase 20 anos, veio de Brasília para se despedir. "Era uma pessoa incrível, uma grande perda para o jornalismo. Ele recebia todos em sua casa, não tinha distinção. Era uma pessoa muito generosa. Foi uma perda repentina", disse.

Políticos mato-grossenses também compareceram ao velório. Um deles, o deputado federal Carlos Bezerra (PMDB), contou que conheceu o pai de Moreno e a família, e que conviveu com o jornalista em Brasília. "Se tornou um grande jornalista político e tinha uma grande admiração por ele. Era uma pessoa simpática e o melhor jornalista entre os mais jovens e os mais velhos".

O dentista João Alfredo Silva estudou com Moreno e era amigo de infância do colunista. "Ele era irônico, divertido, aproveitamos uma fase muito boa em Cuiabá. Ele sempre foi o dono da notícia. Sempre trazia os casos e as notícias para nós. A notícia trazida por ele sempre foi diferente, assim como ele. Generoso", disse.

O governo de Mato Grosso decretou luto oficial de um dia em homenagem ao jornalista. O governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), esteve no velório e disse que conheceu Jorge Bastos Moreno quando ainda era senador da República.

“Mato Grosso precisa reverenciar as pessoas que divulgam o seu nome, com honestidade e com trabalho como ele fez. Ele [Jorge] dizia o seguinte: o jornalista precisa entender de física, de química, porque ele pode vir a entrevistar uma pessoa e precise desse conhecimento, um jornalista precisa ter um conteúdo”, lembrou o governador.

Para Taques, Jorge Bastos nunca perdeu as raízes de Mato Grosso. O jornalista fazia questão de lembrar da culinária cuiabana durante eventos que fazia na casa dele. “Ele tem que ser lembrado, nasceu aqui, mas é um personagem que não tem fronteira. O Brasil perde uma referência do jornalismo”, finalizou o governador.

O corpo do jornalista chegou do Rio de Janeiro, onde viveu por 10 anos, durante a madugada, num voo particular e foi encaminhado para a Capela Jardins. O velório é realizado desde as 2h20 (3h20 no horário de Brasília), na sala Orquídeas e é aberto ao público.

Antes de chegar à capital mato-grossense, o corpo foi velado durante toda a quarta-feira (14) no Cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Lá, amigos do jornalismo, do meio artístico e personalidades de Brasília se despediram de Moreno.

Trajetória

Nascido em Cuiabá, no dia 23 de abril de 1954, Moreno foi morar em Brasília ainda na década de 1970. Lá, estudou jornalismo na Universidade de Brasília e começou a trabalhar como repórter.

Um dos mais respeitados repórteres de política do Brasil, Moreno nasceu em Cuiabá (MT) e foi morar em Brasília na década de 1970. Começou a trabalhar no O Globo em 1982. Dois anos depois, saiu do jornal para trabalhar na revista Veja, mas voltou para o jornal impresso em 1985.

Em 1989, saiu novamente do O Globo, também por um ano, para trabalhar na campanha de Ulysses Guimarães à Presidência. Voltou ao jornal em 1990, onde trabalhou até a morte.

O primeiro grande furo de reportagem do jornalista foi no “Jornal de Brasília”: a nomeação do general João Figueiredo como sucessor do general Ernesto Geisel. Outro foi a revelação de que um Fiat Elba, de propriedade do então presidente Fernando Collor, tinha sido comprado pelo "fantasma" José Carlos Bonfim. A publicação da reportagem foi fundamental para selar o destino de Collor, que viria depois a enfrentar um processo de impeachment.

O jornalista venceu o Prêmio Esso de Informação Econômica de 1999 com a notícia da queda do então presidente do Banco Central Gustavo Franco e a consequente desvalorização do real. O prêmio é um dos mais importantes do jornalismo brasileiro.

No fim da década de 1990, Moreno estreou sua coluna de sábado no jornal O Globo. Publicada até o último sábado (10), o espaço passou há alguns anos a ter o nome do próprio Moreno. E, desde o dia 10 de março, comandava o talk show "Moreno no Rádio", na CBN, às sextas-feiras à tarde. Era também o âncora do programa "Preto no Branco", do Canal Brasil, e fazia participações frequentes na GloboNews.

Também em março deste ano, lançou o livro “Ascensão e queda de Dilma Rousseff”. É autor ainda de "A história de Mora – a saga de Ulysses Guimarães", lançado em 2013.

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Cidades

Fifa confirma e Valcke não vem ao Brasil no dia 12

 Na visita, Valcke iria a três estádios da Copa: Arena Pernambuco, na segunda-feira, Estádio Nacional Mané Garrincha, na terça, e
Cidades

Brasileiros usam 15 bi de sacolas plásticas por ano

Dar uma destinação adequada a essas sacolas e incentivar o uso das chamadas ecobags tem sido prioridade em muitos países.