Os advogados da família do adolescente João Victor Souza de Carvalho, que morreu no dia 26 de fevereiro após uma confusão em um Habib's na Zona Norte de São Paulo, vai contestar na Justiça o laudo necroscópico. Eles querem também pedir a exumação do corpo do menino e um novo exame nele.
O documento da polícia apontou que João Victor morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória causada pelo uso de lança-perfume. O resultado do exame descarta, em tese, a possibilidade de a morte do garoto de 13 anos ter sido causada após uma agressão.
A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar se o menor foi morto após apanhar ou se teve um mal súbito. "O laudo determina que o adolescente morreu com motivo de uso de drogas. Mas conforme análise que fizemos com perito legista Leví de Miranda, no Rio de Janeiro, é possível analisar e apreciar dentro do laudo que houve outra ação física, pois o menino foi agredido”, disse o perito forense Eduardo Llamos
“Foram encontrados restos de comida nas vias aéreas do menino. Teve espuma na boca dele por conta do refluxo de comida mediante um grande esforço feito por ele, isso provocou, supostamente, asfixia no menor", disse Llamos, que vai atuar voluntariamente no caso a convite dos advogados da família.
"Nós temos um menino que foi brutalmente assassinado, uma testemunha que foi ameaçada pelo gerente da lanchonete. As imagens das câmeras não foram encaminhadas para a polícia, a empresa se recusa a enviar o material para o delegado”, disse o advogado Francisco Carlos da Silva.
O delegado do caso tem o prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 30, para concluir o inquérito e remeter ao Ministério Público.
Exumação
A família também quer que o corpo do menino seja exumado. "Tendo em vista que há várias testemunhas que viram menino levando soco a gente entende que a exumação é importante para ver um nexo", disse o advogado Gustavo Moscan da Silva na terça-feira (7).
"Estranha o laudo ser rápido e informar só isso. Queremos exumação para saber se as agressões não tiveram a ver com a morte do menino, ou se as agressões ajudaram a ele ter o ataque cardíaco."
Segundo o laudo, foram encontrados tricloroetileno e clorofórmio, que compõem o lança-perfume, no corpo de João. De acordo com o exame, o uso dessas drogas pode causar arritmia cardíaca, ou seja, deixa os batimentos do coração descompassados.
Ainda de acordo com o exame, ele teve convulsão e falta de oxigenação decorrente de um infarto. O laudo também apontou que foram achados traços de cocaína no sangue do garoto. Também foram encontradas escoriações no cadáver. Apesar disso, as lesões não relacionam a morte a agressões.
Em entrevista ao G1, os empregados negaram a agressão e disseram que quem bateu no adolescente foi um cliente. Contaram ainda que o menino teve um mal súbito após correr e cair quando foi perseguido por pessoas que estavam na lanchonete. Elas tinham ido atrás de João porque o menino teria ameaçado jogar pedaços de pau nos vidros do Habib's e dos carros dos clientes. O garoto era conhecido por pedir esmolas.
Fonte: G1

