efeito João Doria (PSDB) culpou neste sábado (25) o mau funcionamento do maior piscinão de São Paulo pelo alagamento na Zona Leste da capital paulista, ocorrido um dia antes em meio a tempestade que atingiu a cidade. Aos menos três pessoas morreram durante a passagem da chuva de sexta-feira (24).
O piscinão Guamiranga foi inaugurado no dia 1º de fevereiro na Vila Prudente, Zona Leste, numa parceria entre a administração municipal e a estadual, do governo Geraldo Alckmin (PSDB), com a promessa de minimizar o risco de inundações nas áreas urbanas.
“Aparentemente, houve algum mau funcionamento, porque esse é o maior piscinão da cidade de São Paulo e deveria estar com sua operação plena, e não ter enchido na velocidade que foi. Apesar do volume das chuvas que tivemos ontem, foi a mais intensa chuva dos últimos 40 dias”, disse Doria ao G1 após ter sido questionado pela reportagem se o piscinão prometido para conter enchentes funcionou.
Sete rios e córregos da capital transbordaram na sexta-feira, segundo o SPTV. O Aricanduva, na altura da Avenida Itaquera, na Zona Leste, foi um deles.
Três mortes
A declaração de Doria sobre a enchente que atingiu a Zona Leste foi dada nesta tarde, na visita que o tucano fez ao bloco carnavalesco Pasmadinho, em Pinheiros, Zona Oeste. Após ter sido hostilizado por foliões, o prefeito se retirou. Lá, ele confirmou à reportagem que três pessoas morreram na Zona Sul durante a tempestade.
Segundo a Polícia Militar (PM) e o Corpo de Bombeiros, uma idosa, uma mulher e um motociclista podem ter morrido em decorrência da chuva que alagou ruas e inundou casas em Sacomã. Uma mulher de 84 anos morreu afogada quando a água entrou em sua residência; uma mulher foi atingida por um muro que desabou, e um motociclista foi arrastado pela correnteza.
"Eu liguei para o presidente do DAEE [Departamento de Águas e Energia Elétrica] e pedi a ele que verificasse o porquê dessa ocorrência. Eu não tenho ainda o resultado”, falou Doria ainda sobre o alagamento.
Piscinões
Os piscinões são grandes reservatórios que armazenam parte do volume que se acumula em excesso nos rios e córregos em dias de chuva. Além da gravidade, bombas podem ser utilizadas para facilitar o escoamento da água.
Neste sábado, Doria voltou a dizer o que havia dito na inauguração do Guamiranga. “São 19 [piscinões]. Nós entregamos um e tem mais 18 até o final da nossa gestão. É um investimento muito grande”, falou o prefeito.
O reservatório Guamiranga é o maior do tipo dentro da capital paulista, com capacidade de armazenar até 850 mil metros cúbicos. Ou seja, 850 milhões de litros d'água.
A obra, realizada pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) ao custo de R$ 160 milhões, promete beneficiar cerca de 1 milhão de pessoas, em especial os moradores de bairros mais próximos ao Rio Tamanduateí, como Vila Prudente e Mooca.
A Prefeitura disponibilizou a sua estrutura para ficar com a manutenção e a limpeza do piscinão, que ocupa um espaço de aproximadamente 70 mil metros quadrados, entre a Estação Tamanduateí, do Metrô, e o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Vila Independência. Com ele, a cidade de São Paulo passa a contar com 21 reservatórios.
Carros arrastados
Imagens feitas por telespectadores mostram carros sendo arrastados pela enxurrada causada pela
chuva que atingiu São Paulo na sexta-feira. O SPTV também flagrou cenas de caos durante o temporal, com ruas alagadas e pessoas tentando se abrigar.
No Ipiranga, a recepcionista Thais Pacheco culpou uma obra feita na Avenida Tancredo Neves pela inundação na sua casa.
“Só a chuva enche só a rua, não entra dentro de casa. Foi um cano que estourou aqui embaixo, por isso que encheu. Agora é limpar a casa e comprar tudo de novo. Trabalhar pra comprar tudo de novo, porque não tem mais nada. Nada”, afirmou Thais.
Sobre essa questão do encanamento, a Sabesp disse que não há ocorrência registrada na Rua Frei João, no Sacomã, de sua responsabilidade.

