Fotos: Sinfra/MT
O presidente da República, Michel Temer, constituiu força tarefa conjunta com Casa Civil e ministérios da Agricultura, Justiça, Defesa, Transportes, Portos e Aviação Civil e Integração Nacional para a liberação imediata da BR-163. Medidas de curto prazo estão sendo adotadas para tornar a rodovia trafegável. As péssimas condições da rodovia foi tema de reportagem especial do jornal Circuito Mato Grosso desta semana.
Na manhã desta sexta-feira (3/3), o fluxo no sentido Pará-Mato Grosso foi restabelecido, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). No sentido contrário, ainda há cerca de 5 km de retenção, que pode ser normalizado ainda hoje.
Equipes da PRF e das Forças Armadas foram enviadas à região. Os policiais e militares realizam o balizamento e sinalização da estrada a fim de desobstruir o trecho para que se iniciem os reparos necessários.
Militares do Exército e da Força Aérea Brasileira fazem o transporte e distribuição de 3 mil cestas básicas e 46 toneladas de água potável para caminhoneiros, motoristas e familiares que estão sitiados naquela região. A Engenharia do Exército já está em condições de apoiar as ações para recuperação emergencial da estrada, de acordo com o Comando do Exército.
Um Comitê Gestor, coordenado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT), também está no Pará acompanhando a situação.
Nessa quinta-feira (2/3), representantes do governo federal e empresários do setor agrícola constituíram um grupo de trabalho para buscar soluções definitivas para a situação da BR-163.
Sinfra/MT acompanha
O secretário de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso, Marcelo Duarte, chegou ao Pará na manhã desta sexta-feira (3) para acompanhar os trabalhos de reconstrução de pista em trecho de aproximadamente 100 quilômetros na BR-163, que travam o tráfego desde o dia 9 de fevereiro.
Até a última segunda-feira havia fila ao longo do trecho de caminhões atolados em lama formada por fortes chuvas na região. No pico da crise, cerca de cinco mil caminhões chegaram a ficar para na rodovia, entre os municípios de Novo Progresso e Trairão, nos dois sentidos da pista, afirmaram o Movimento de Transporte de Carga (MTC) e a Prefeitura de Itaituba (1.625 km de Belém).
O MTC estima prejuízo próximo a R$ 100 milhões em vinte dias de afogamento da trafegabilidade na região. A BR-163 é a segunda rota mais importante de escoamento da produção agropecuária. É o caminho de alcance aos portos de Miritituba e Santarém, de onde os produtos são embarcados para mercados internacionais, como o da China e Europa.
“O prejuízo é total para Mato Grosso, por não possuir esse modal que é importantíssimo e precisa ser concluído imediatamente, sendo que o potencial de exportação de soja e milho por esta rota para a economia é enorme. Mato Grosso perde mais de R$ 2 bilhões por ano devido à falta de pavimentação da BR-163 no estado do Pará”, disse Duarte.
A manutenção e a pavimentação da BR-163 são de responsabilidade do Dnit, que é vinculado ao Ministério dos Transportes. A direção nacional do Departamento e representantes do Exército Brasileiro devem participar da vistoria.
O caso que aconteceu este ano deve servir de um basta para concluir as obras de pavimentação da rodovia. Colocar na agenda do governo federal o comprometimento em executar a obra em prazo máximo de até um ano. Já se passaram 40 anos e até não foi concluída [a obra de pavimentação], complementou o secretário.
O escoamento dos grãos de Mato Grosso pela BR-163 até o Pará reduz em aproximadamente mil quilômetros a distância aos portos, se comparada com a extensão da saída para o Sudeste. Por isso, o Governo do Estado acredita que o problema precisa ser resolvido imediatamente, pois a situação afeta não somente os estados envolvidos e empresários, mas todo país.
Apesar de não finalizada, a rota da BR-163 encontra-se em pleno funcionamento para o escoamento da safra de grãos. A rodovia dá acesso aos principais portos do chamado Arco Norte (como Miritituba e Santarém). Caminhões com origem nos municípios agrícolas do Norte de Mato Grosso levavam em média sete dias para chegarem aos portos do Sudeste, enquanto que para o Pará são apenas três dias. O potencial de escoamento total é de 35 milhões de toneladas por esta rota.
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