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PSL e “porteirogate”: as crises de Bolsonaro na volta ao Brasil

O presidente Jair Bolsonaro volta ao Brasil nesta quinta-feira após uma viagem de 12 dias pela Ásia com foco na captação de investimentos.

Ontem, na Arábia Saudita, o presidente afirmou que o país tem “despertado a confiança de investidores do mundo todo”. O presidente saiu do país com a promessa de investimentos de 10 bilhões de dólares em investimentos sauditas em infraestrutura do Brasil. Uma das sugestões brasileiras é o foco em saneamento, uma carência histórica brasileira que pode ganhar um impulso com o avanço de um novo marco legal em tramitação no Congresso.

A volta ao Brasil faz o presidente se concentrar em novos e velhos problemas da política interna. Uma delas é a crise com seu partido, o PSL.

Nesta quarta-feira, Bolsonaro e um grupo de 23 parlamentares do PSL acionaram a Procuradoria-Geral da República para pedir o afastamento do presidente da legenda, o deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE), e a suspensão de repasses públicos ao partido. No centro da disputa está o Fundo Partidário a que o PSL tem direito e que tem levado Bolsonaro e seus aliados a avaliar um desembarque em massa de olho nas eleições municipais de 2020.

Mas o grande tema da semana deve continuar sendo a citação a Bolsonaro nas investigações sobre a morte da vereadora carioca Marielle Franco. Ainda na Arábia Saudita, na noite de quarta-feira, o presidente fez uma transmissão colérica ameaçando a Rede Globo e responsabilizando o governador do Rio, Wilson Witzel, pelo vazamento que levou a uma reportagem do Jornal Nacional.

Ontem, uma série de eventos de difícil explicação se desenrolou horas depois de a reportagem mostrar que, em depoimento, o porteiro do condomínio onde mora o presidente e um dos suspeitos da morte, Ronnie Lessa, afirmou que outro suspeito deu o número da casa do presidente ao entrar no condomínio horas antes do assassinato.

Carlos, filho de Bolsonaro, mostrou em vídeo que tinha acesso ao sistema interno do condomínio. Augusto Aras, procurador-geral da República, afirmou que o episódio era “fake news”. Depois, o Ministério Público disse que o porteiro havia mentido em seu depoimento. Em meio ao cabo de guerra, as investigações podem ser federalizadas a pedido da Procuradoria-Geral. É promessa de mais morosidade.

Fazem 596 dias que Marielle e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados.

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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