DO G1
O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, receberá alta nesta quinta-feira (9), informa boletim emitido na noite desta terça-feira (7) pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, onde ele segue em recuperação após cirurgia na próstata. A nota acrescenta que o político tem "excelente recuperação".
Padilha foi submetido ao procedimento na última segunda-feira (27), e na quarta-feira (1º) foi transferido para um quarto.
Nesta segunda-feira (6), Padilha apresentou um novo atestado médico ao Palácio do Planalto, e deve retornar ao trabalho no dia 13 de março, afirmou a assessoria da pasta. O documento anterior perdia a validade no início desta semana. O novo tem prazo de sete dias.
Confira, na íntegra, a nota do hospital:
O paciente Eliseu Padilha apresenta excelente recuperação de seu quadro de saúde. A previsão de alta é para a quinta-feira (9/3).
No dia 27 de fevereiro, ele realizou procedimento urológico cirúrgico no Hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre (RS).
Porto Alegre, 7 de março de 2017
Urologista Dr. Claudio Telöken – Cremers 8513
Clínico intensivista Dr. Nilton Brandão – Cremers 5444
E equipe médica
Padilha está de licença médica desde segunda-feira (20), quando foi hospitalizado em Brasília. Ele passou dois dias internado por conta de uma obstrução urinária provocada por uma hiperplasia prostática benigna, que gera aumento excessivo da próstata.
Eliseu Padilha tem 71 anos e é um dos principais conselheiros do presidente da República, Michel Temer. À frente da Casa Civil, ele integra o chamado núcleo duro do governo e atua diretamente na articulação política do Palácio do Planalto.
Hiperplasia prostática
Depois dos 40 anos é comum que o homem tenha a hiperplasia benigna da próstata, um crescimento da próstata sem implicações graves, mas que pode comprometer a qualidade de vida.
A próstata aumentada pode estreitar a passagem da urina, o que pode dar vontade de ir ao banheiro a todo momento e até atrapalhar o sono do paciente.
Esse problema pode ser apenas acompanhado, tratado com medicamentos (finasterida ou dutasterida) ou, em alguns casos, até cirurgia. Nos casos em que a próstata cresce, mas não causa problemas, o homem deve fazer exames de toque retal e de sangue (conhecido como PSA) anualmente.
Yunes cita Padilha
O afastamento de Padilha ocorre no momento em que o advogado José Yunes, amigo e ex-assessor especial do presidente Michel Temer, disse em depoimento ao Ministério Público Federal que recebeu um envelope em 2014 a pedido do ministro.
Em entrevista ao blog da Andréia Sadi, por telefone, Yunes disse que o "envelope" foi deixado em seu escritório por Lúcio Funaro, doleiro ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha e que hoje está preso pela Lava Jato.
Em depoimento à Operação Lava Jato, o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho disse que o escritório de Yunes foi usado para repasse de dinheiro ao PMDB via Eliseu Padilha.
Os pagamentos ao PMDB haviam sido acertados em uma reunião no Palácio do Jaburu do qual participaram Marcelo Odebrecht, Temer e Padilha, que ficou responsável por receber e alocar R$ 4 milhões
Na entrevista ao blog, Yunes avaliou ter servido de "mula" para Padilha. O advogado confirmou que recebeu o envelope de Funaro em seu escritório, mas disse não ter imaginado que houvesse dinheiro dentro dele. "Seria uma descortesia e até falta de ética" violar a correspondência, argumentou.
O ex-assessor de Temer disse que não conhecia Lúcio Funaro e que nunca o havia visto no PMDB. Yunes relata, entretanto, que o doleiro comentou que estava fazendo a campanha Cunha, do PMDB, para a presidência da Câmara dos Deputados, e para mais de 100 parlamentares.
"Ele estava falando sobre política. Eu não o conhecia. Eu confesso a você que depois que ele saiu eu fui no Google e fiquei estarrecido com a figura. Eu não tinha histórico dele. Até porque ele era do mercado financeiro e eu, do imobiliário", disse Yunes ao blog.
A assessoria de Padilha disse que o ministro não vai se pronunciar sobre a fala do ex-assessor. O Palácio do Planalto também informou que não vai se manifestar.
O advogado de Funaro, Bruno Espiñeira, negou o episódio relatado por Yunes e afirmou que pretende processar o ex-assessor de Temer por calúnia. O advogado ainda protocolou na Procuradoria-Geral da União um pedido de acareação entre Funaro, Padilha e Yunes com o objetivo de “esclarecer a verdade dos fatos manifestamente distorcidos” no depoimento de Yunes.