Cidades

Moradores se revoltam após morte de jovem em Manguinhos

Imagens exibidas pelo RJTV mostram cenas momentos após a morte do adolescente Cristian Andrade, de 13 anos, baleado e morto nesta terça-feira (8) em Manguinhos, na Zona Norte do Rio. Revoltados, eles cercaram policiais militares aos gritos de "justiça". Um deles chama os policiais de "assassinos".

Vias da região foram fechadas em protesto. Na chegada de reforço policial, é possível ouvir muitos tiros, que causaram correria e gritos dos moradores.
Segundo parentes e amigos, Cristian era um jovem estudioso e participava de projetos sociais na comunidade. Jorge da Silva, tio do rapaz, disse que soube por outros moradores da região que o sobrinho estava jogando futebol no momento do tiroteio entre policiais e traficantes. A Anistia Internacional cobrou, em nota, a investigação do crime, causado por essa "lógica de guerra". O menino tinha quatro passagens pela polícia.

"Ele estava jogando bola e viu uma senhora caindo no chão na rua. Segundo os moradores, ele foi socorrer a senhora e acabou tomando um tiro", contou o tio. "Ele era um rapaz estudioso e bom, de repente acontece um baque desses com a nossa família. É muito triste".

A troca de tiros ocorreu durante operação de policiais da Coordenadoria de Operações Especiais (Core) da Polícia Civil e da Divisão de Homicídios, com apoio da UPP Manguinhos, para buscavam quatro suspeitos de assassinar o policial militar Clayton Alves Fagner Dias, de 26 anos, que trabalhava na UPP. O crime foi em 28 de abril, na Iha do Governador. Ao chegarem na comunidade, os policiais dizem que foram atacados por criminosos.

Jorge chegou à Divisão de Homicídios, na Barra da Tijuca, por volta das 16h30 para prestar depoimento. Na delegacia, foi ouvido, assim como os agentes envolvidos na operação.

O delegado Rivaldo Barbosa, em entrevista coletiva, disse que as armas foram apreendidas, tanto dos PMs como dos policiais civis, para perícia. Uma pistola, munição e um carregador foram achados perto do local onde Cristian foi morto, mas segundo o delegado não era do adolescente morto. Uma reprodução simulada será marcada para tentar refazer a dinâmica do crime.

"Vamos fazer uma reprodução simulada para que a gente possa definir de onde veio o tiro. É bom que se esclareça que as armas dos policiais da DH já foram identificadas e vão ser apreendidas, bem como as dos PMs, para que a gente possa, de maneira isenta e sem nenhum tipo de corporativismo, fazer uma ação para que a sociedade, em especial as pessoas que moram em Manguinhos", declarou.

 

Em protesto, moradores revoltados com o ocorrido montaram barricadas e interditaram a Avenida Leopoldo Bulhões, uma das principais vias da região. Houve tumulto com policiais. Devido à operação e aos protestos, quase 3 mil alunos ficaram sem aulas.

Em nota, o Fórum Social de Manguinhos, disse que os "moradores e moradoras de Manguinhos, conhecendo bem o trabalho da polícia carioca, tentaram proteger o corpo e a dignidade de Cristian (é o que resta aos favelados quando alvejados)". "A defesa do corpo, e portanto, da dignidade daquele menino, que não mais poderá jogar bola, ou crescer, foi protegida, às custas de muita violência, bombas, e fuzis empunhados à frente daqueles que ali vivem e não suportam mais o massacre desse maldito Estado Genocida" (veja a íntegra da nota no fim da reportagem).

Mulher baleada na Maré
O adolescente não foi o único baleado na manhã desta terça em comunidades. Uma mulher de 33 anos levou um tiro no rosto no Conjunto de Favelas da Maré, na Zona Norte do Rio. A vítima, que não teve a identidade revelada, foi levada para o Hospital Federal de Bonsucesso. De acordo com a direção da unidade, ela passou por uma cirurgia e, à noite, estava em estado grave.

De acordo com a Polícia Militar, agentes do Comando de Operações Especiais (COE), Batalhão de Choque, Batalhão de Ações com Cães e Batalhão de Operações Especiais realizam operação na região. Não havia registro de presos e apreensões.

Veja a íntegra da nota do Fórum Social de Manguinhos:

"Nós do FSM vimos por meio de nossa página dizer com pesar, mas principalmente com muito ódio, que mais uma criança foi assassinada pelo Estado Brasileiro, pelas mãos da polícia do estado do Rio de Janeiro.

Por volta das 10h da manhã de hoje, com incursão policial da CORE, BOPE e PM, foram ouvidos os primeiros tiros na favela de Manguinhos.

Cristian Soares da Silva, de 12 anos, um menino, como podem imaginar: negro, foi morto por policiais que atuavam na tal "operação". Jogava bola, atividade cotidiana para qualquer criança, preta ou branca, na favela ou na zona sul. A diferença é que as crianças brancas da zona sul não precisam correr de policiais, tão pouco das balas que vem de seus fuzis.

Cristian tentou proteger sua vida, mas foi morto às 11h30, ao lado do campo onde jogava bola.

Os moradores e moradoras de Manguinhos, conhecendo bem o trabalho da policia carioca, tentaram proteger o corpo e a dignidade de Cristian (é o que resta aos favelados quando alvejados).

A defesa do corpo, e portando, da dignidade daquele menino, que não mais poderá jogar bola, ou crescer, foi protegida, às custas de muita violência, bombas, e fuzis empunhados à frente daqueles que ali vivem e não suportam mais o massacre desse maldito Estado Genocida.

Nós do Fórum Social de Manguinhos, estamos mobilizados junto aos moradores e moradoras de Manguinhos para que a nossa favela não se cale diante de mais uma morte.

Cristian, como Matheus, Paulo Roberto, Mauricio Afonso, Johnatha, não será esquecido, como tantos outros que tombaram na mão desse maldito Estado Genocida.

Continuaremos na luta, com bombas, fuzis na cara e tantas ameaças que nosso povo sofre todos os dias.

NENHUM PASSO ATRÁS SERÁ DADO!
‪#‎CristianPresente‬"

Fonte: G1

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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