Cidades

Estimativa é de que 680 mulheres sejam diagnosticadas com câncer de mama em MT este ano

Entre os tipos de câncer, o de mama é o que mais mata mulheres no Brasil e no mundo. Os homens também são vítimas da doença, mas ficam com apenas 1% dos casos registrados. De acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), Mato Grosso teve uma taxa estimada de 49 casos para cada 100 mil mulheres em 2018. Estimativa é de que 680 mulheres sejam diagnosticas com a doença no Estado este ano.

Entre os sintomas da doença está a presença, em 90% dos casos, de um caroço (nódulo) endurecido, fixo e geralmente indolor na mama. Além disso, há alterações no bico do mamilo, pequenos nódulos nas axilas ou pescoço, saída espontânea de líquido de um dos mamilos e a pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja.

As mulheres devem conhecer o próprio corpo, para conseguir perceber os sinais. “Olhe, apalpe e sinta suas mamas no dia a dia para reconhecer suas variações naturais e identificar as alterações suspeitas. Em caso de alterações persistentes, procure o Posto de Saúde”, declara o Inca em uma cartilha.

Vânia Silveira de Souza, de 39 anos, em dezembro de 2015, estava tomando banho e quando foi passar o sabonete na mama direita, sentiu um pequeno nódulo próximo ao mamilo. “Logo eu me organizei, pedi para o médico fazer um ultrassom e apareceu como um grãozinho de arroz”, relembra.

Vânia Silveira de Souza é exemplo de superação

A mulher estava no Maranhão e foi orientada a procurar um ginecologista. Quando foi ao especialista, ele disse que não era nada e que iria esperar crescer mais. Caso realmente aumentasse, ela seria encaminhada para realizar uma pulsão.

“Eu, inocentemente, fui trabalhar. Continuei minhas atividades, trabalhando para juntar dinheiro, voltar na minha consulta com ele e fazer a bendita pulsão. Nesse interim eu tive uma separação, de dezembro para julho de 2016, passei vários transtornos e eu percebi que esse caroço na minha mama só aumentava. Então eu pensei assim ‘vou deixar as atividades, vou tirar um dia de folga e vou a Teresina para o médico fazer logo essa pulsão. Nem vou mais ao doutor Carlos, vou direto fazer a pulsão’”.

Vânia acreditou que iria apenas fazer o procedimento, que é a retirada de um líquido das mamas. Em Teresina (Piauí), ela foi a um mastologista, já no exame de toque ele constatou que o nódulo estava grande. Após alguns exames e procedimentos, foi diagnosticado um carcinoma, ou seja, tumor maligno.

“Em um prazo de 48 horas a minha realidade despencou de um simples cisto mamário para um câncer. Quando retornei ao médico para mostrar o laudo da biopsia ele disse ‘a senhora está com câncer e se for tratar no particular são R$20 mil para fazer a cirurgia. Você vai ter que fazer quimioterapia, a senhora vai perder os cabelos e vou ter que retirar a sua mama como prevenção da sua vida’. Eu fiquei estarrecida. Foi como se eu tivesse caído em um buraco negro”.

Vânia ligou para a sua mãe, que já morava em Cuiabá, compartilhou sua descoberta e juntas decidiram que a mulher e seu filho iriam morar na capital de Mato Grosso. “Eu acreditei que voltaria para casa em três ou quatro meses”.

Deixou seu emprego, expectativas e sonhos, chegou a Cuiabá em julho de 2016. Em 15 dias, Vânia já perdia seus cabelos. “É uma das partes que mais fragiliza a gente. Eu fui me reinventando dentro das minhas possibilidades. O câncer entrou na minha vida, e a princípio não me tirou só a saúde e o medo de morrer, ele me tirou todas as possibilidades. As minhas perdas no tratamento, a principio, foram tremendas. Vendo a quantidade de coisas que ficaram para trás, percebi que na realidade o que mais importava era a possibilidade de lutar pela vida”.

Em uma de suas buscas por uma peruca, Vânia descobriu o trabalho que a MTmamma realiza com auxílios para pessoas portadoras de câncer de mama. “Me vislumbrei e me encantei. Dentro da casa eu pude encontrar pessoas que estavam passando pelas mesmas dificuldades que eu. Eu vi mulheres, que mesmo diante da morte riam e celebravam. Queria entender como isso acontecia, as minhas perdas eram tantas, mas eu via que elas tinham as mesmas perdas e ainda estavam ali. Foi o momento em que me apaixonei pela MTmamma”.

Ela conta que a cada dia aprende mais sobre amor, caridade, amizade e companheirismo, dentro da instituição. A MTmamma, conforme Vânia, possibilitou que ela tivesse uma melhor qualidade de vida dentro do seu tratamento.

“Desde que o meu cabelo caiu, minha sobrancelha caiu, eu fui me reinventando com as coisas que eu via e aprendia dentro da casa. Eu sou muito grata a Deus pelo privilegio de poder participar dessa casa de amor”.

Inspirada na MTmamma, Vânia buscou criar uma casa de acolhimento, no Maranhão. “Quero que a casa cresça lá e quero continuar minhas atividades dentro da MTmamma. Isso me faz muito feliz. Eu não me paralisei apenas na minha dor e nas minhas desgraças. Através da minha dor, eu pude me refazer, assim como a fênix. Colorida, buscando espelhar, iluminando as pessoas. Eu digo, a MTmama me fez ser um ser humano melhor”.

Após as cirurgias e o tratamento, a possibilidade de cura do câncer da Vânia é de 95%. Seu processo de cura tem um controle por 10 anos. Mas ela já se considera uma paciente curada.

“O que eu espero do futuro é apenas a possibilidade de viver um dia a mais a cada dia. Mesmo com esse carimbo de uma paciente oncológica, com esse carimbo de que a qualquer momento eu posso voltar, eu espero coisas boas. Eu me considero uma pessoa abençoada, uma pessoa feliz. Uma pessoa que tem todas as coisas que necessita para ser feliz”.

Orientações

O Inca explica que não há uma única causa para o desenvolvimento da doença. Envelhecimento, idade da primeira menstruação, ter tido filhos ou não, ter amamentado ou não, idade da menopausa, histórico familiar para o câncer de mama, consumo de álcool, excesso de peso, atividade física insuficiente e exposição à radiação ionizante são os fatores levados em conta.

Cerca de 30% dos casos da doença podem ser evitados com prática de atividade física, alimentação saudável, com manutenção do peso corporal adequado. A amamentação é considerada um fator protetor da doença.

As mulheres devem conhecer o próprio corpo. Caso tenha de 50 a 69 anos, é necessário fazer a mamografia de rastreamento a cada dois anos. Com o procedimento é possível identificar o câncer antes que os sintomas comecem.

A mamografia de rastreamento não é indicada para mulheres com menos de 50 anos. “Antes dessa idade, as mamas são mais densas e com menos gordura, o que limita o exame e gera resultados incorretos. Para mulheres com mais de 70 é maior o risco de o exame revelar um tipo de câncer de mama que não causaria danos à mulher”, cita a cartilha do Inca.

"Câncer de mama: Vamos falar sobre isso?" – Inca

 

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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