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Fábula: Um Gênero Antigo

A origem da fábula é muito remota. Nasceu no Oriente e foi introduzida no Ocidente por Esopo no séc. VI a.C., sendo mais tarde enriquecida estilisticamente por Fedro no séc. I. D.C.
    
Leonardo Da Vinci a redescobriu no séc. XVI, mas foi La Fontaine (1621-1692) quem a divulgou no Ocidente, recriando-a e trazendo-a para a era moderna em forma de versos.
    
Trabalhando sempre com valores universais, a fábula utiliza símbolos primitivos que remetem à vida cotidiana dos homens de todos os tempos como a vaidade, a mentira, a cobiça, o poder, a riqueza, a astúcia, a gula, a avareza. São esses sentimentos, comportamentos e modos de vida o objeto da fábula, que se utiliza de animais para alegoricamente mostrar os defeitos do homem em sociedade.
    
Falando sobre fábulas, La Fontaine diz:

“Sirvo-me de animais para instruir os homens. Procuro tornar o vício, ridículo. Por não poder atacá-lo com braço de Hércules. Nessa espécie de fingimento, é preciso instruir e agradar. Pois contar por contar, me parece coisa de pouca monta”.
    
Como se pode notar é através do “fingimento”, da ficção que La Fontaine passa para o leitor a moralidade de sua época, transpondo a ação praticada por um animal para a esfera do humano. Ensinamento e diversão estão juntos num texto bem estruturado e assimilado pelo leitor que passiva e silenciosamente absorve os valores morais.
    
No Brasil, foi Monteiro Lobato (1882-1948) quem divulgou a fábula entre as crianças, e quem tirou dela o peso moralista. Lobato relativiza a moralidade, abrandando a sua força maniqueísta.
    
A fábula, como toda a literatura, é um produto artístico em constante transformação, como é o homem e a sociedade.   
 


 

 

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