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Pequenos gênios

Mozart nos deixa mais espertos. Mito ou verdade?
 
Você provavelmente já ouviu dizer que fazer um bebê escutar música clássica, especialmente Mozart, pode deixá-lo mais inteligente. Esse é o tipo de informação que, de tanto escutarmos e de fontes diferentes, acabamos não sabendo mais a origem da crença. Em 1993, um artigo da Universidade de Wisconsin mostrou que ouvir a sonata K.448 durante 10 minutos melhorava o QI espacial dos voluntários. Uma das explicações para isso é que a atividade musical aciona uma ampla variedade de áreas do cérebro. E tarefas espaciais, como construir conjuntos de cubos tridimensionais, estimulam algumas dessas mesmas regiões. Ou seja, a música seria um aquecimento cerebral para a realização do teste.

Boa notícia? Relativamente. Diversos cientistas que estudaram o experimento levantaram questionamentos sobre ele. A controvérsia gira em torno de, basicamente, quatro pontos. Primeiro, a melhora foi muito pequena, os sujeitos que experimentaram ouvir Mozart marcaram apenas de 8 a 9 pontos a mais no teste. Segundo, o efeito durou apenas 15 minutos. Terceiro, não foi provado que a sonata aumentava a inteligência de maneira geral, apenas fazia subir o desempenho em testes específicos de habilidades espaciais. E, quarto, outros pesquisadores não conseguiram replicar os resultados, fato considerado essencial para que as conclusões de uma pesquisa sejam aceitas pela comunidade científica. "A evidência de que não existe o efeito Mozart como descrito nesse estudo é clara", diz Ken Steele, professor do departamento de psicologia da Universidade Estadual Appalachian. "Muitos estudos em meu laboratório e em outros de todo o mundo foram incapazes de reproduzir esse efeito", diz.

Mesmo assim, muitas reportagens equivocadas, falta de informação e o boca-a-boca acabaram criando o mito de que Mozart pode nos deixar mais espertos. A crença chegou ao ponto de produzir efeitos hilários. Em 1999, Zell Miller, então governador do estado americano da Geórgia, declarou que iria distribuir CDs do compositor para todas as novas mães.

Até a professora de psicologia Frances Rauscher, autora principal do estudo de Wisconsin, declarou-se contrariada e desconfortável com a maneira como seus dados foram (mal) interpretados.

Apresentar música clássica aos pimpolhos pode ser excelente para a formação cultural, mas saiba que aqueles CDs de Mozart para crianças não vão transformá-las em pequenos gênios.
 


 

 

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