Cultura em Circuito
Qual a diferença entre os carnavais?
Como sabemos, o político apresenta soluções diante de uma realidade social; o artista representa soluções do universo das ideias, do mundo ‘ideal’ nesta realidade. Pode este afinar ou condenar culturas, trazer novas ideias no palco, outras percepções musicais e, além de construir um mercado cultural, expor anseios, questões e desejos não representados de uma população. Alguns artistas apresentam uma vontade popular, outros condenam, corrigem e outros conseguem isso, aprimorando o universo representativo. Em regiões onde a Cultura recebe baixo incentivo financeiro de seus líderes, sua população tende a compensar com outros sistemas de liberação de seus desejos e frustrações. Assim, anseios da população viram violência, a falta de perspectiva para um lazer cultural decente no final de semana, se transforma em tráfico de drogas e cadeias lotadas. São ciclos que, por desvalorizar a cultura, não simpatizar com o papel do artista, acaba por definhar o apurar humano de toda uma sociedade, pois mais rica economicamente esta sociedade possa a vir estar. Nesta engrenagem em que cultura não vale muito, que cultura não educa e segue como moeda eleitoral, há uma constante perda educacional. Logo, logo, um assalto rompe no sinal vermelho, um filho enlouquece nas drogas de fim de semana, mais uma família, rica ou pobre, paga caro por esta anomalia. INVESTIR ORÇAMENTO DE ALTA ESCALA é fundamental para o sucesso intelectual e, principalmente, para a organização sócio-educacional de uma população. Líderes devem questionar a evasão de talentosos artistas de suas regiões, ainda que seja fácil pagar caro por uma atração cultural de outro ESTADO, ainda que seja conveniente valorizar o teatro de BRASÍLIA, a dança de MINAS, O CARNAVAL DA BAHIA e do NORDESTE.
Eu sou filho de Seu Geraldo, meu pai já trabalhou e muito no Carnaval de rua da capital, aqui tivemos um Carnaval que se ouvia falar de longe, com preparações e decoração de forte incentivo estadual, afinal sabemos: o CARNAVAL DE UMA CAPITAL é o CARNAVAL DE UM ESTADO. Não existe essa separação. Fico contente que este ano nosso carnaval recebeu melhores incentivos. Frequentei os últimos carnavais de Cuiabá e, sinceramente, vi turistas perdidos esperando por algo melhor. Turistas de MATO GROSSO, que nunca irão saber se o CARNAVAL era de Wilson ou de Blairo, de x ou de Y.
A agenda de uma manifestação deste porte, que já teve o histórico que nos conhecemos, deve superar desencontros partidários. Como uma pessoa que cresceu na gestão de Carnaval, com meu pai correndo na Avenida, com fotos inesquecíveis do NOSSO CARNAVAL, eu fico na torcida: tomara que o carnaval de MATO GROSSO seja novamente tão bonito quanto o sorriso da RAINHA DE CARNAVAL 2010 - MICHELLE DE OLIVEIRA. Isso vai ser bom para todo o Estado. É um anseio popular antes de uma moeda partidária. Observem: o Carnaval de Corumbá, com seu alto orçamento e reconhecimento nacional, é um grande exemplo de conquista de MATO GROSSO DO SUL e de toda uma população.
Vamos lá na torcida: Salve Michelle!
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Em Mato Grosso hoje A PUBLICIDADE E O MARKETING é o viés de nosso universo representativo; educando a população com seu impacto social. Dando sequência ao panorama inicial que comecei na semana passada, apresento aqui os depoimentos de profissionais que, também pretendem embrulhar MATO GROSSO em papel de futuro e, quiçá, divulgarmos nossa cultura, ecoturismo e nossos profissionais para outros negócios. Com a palavra os nossos premiados depoentes:
Como nasceram as Ideias
Camila - diretora da Idéias.Com e parceria do CMT
O encanto pela publicidade começou antes da faculdade e das outras decisões que me levaram a pensar na Ideias.com. Eu admirava as produções de comerciais como os da Coca-Cola, Valisère, Bombril que hoje são clássicos e já me inspiravam. Eles instigavam minha curiosidade quanto ao sistema de trabalho desses profissionais que usam sua criatividade para incentivar o consumo, de forma divertida, diferente. Imaginava como seria interessante fazer algo assim. Então uma prima que estudava em São Paulo, na FAAP, começou a me mostrar as criações feitas lá e contava sobre os passos seguidos para o processo criativo, o que me fascinava mais ainda.
Quando resolvi fazer a faculdade, um dos principais influenciadores foi a admiração pelas disputas e rebatidas de campanhas entre as agências. Tudo parecia festa até perceber que tudo era muito mais sério do que eu imaginava. Comecei a entender as dificuldades que se enfrenta até chegar à aprovação de uma boa campanha. Descobri que os bons momentos, aqueles de diversão existem, mas o estresse também é grande, pois dependemos de decisões que não são nossas e sim dos clientes.
O caminho foi árduo, mas satisfatório. Uma das pessoas que mais me incentivou e ensinou foi o professor Gustavo Perez, da Unic (onde eu estudava). Atualmente, ele trabalha como diretor de criação na Dubcom Branding e ainda mantemos contato para esclarecimento de dúvidas, ajuda e sugestões. Com o apoio de pessoas como ele cheguei onde estou. Hoje me orgulho muito do meu trabalho e da minha empresa Ideias.com. Uma agência que foi criada com emoções e uma história, totalmente fora do comum.
Marketing da Agecopa deve ser estrategista
Luiz G. Rodrigues Junior - presidente da Genius Publicidade
A escolha de Cuiabá como uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 trouxe responsabilidades para diversos setores da sociedade mato-grossense. A princípio, o poder público assume seu posto como grande organizador, incentivador e mediador das ações e decisões a serem tomadas, como: a criação da Agecopa, a Agência Estadual de Execução dos Projetos da Copa do Mundo do Pantanal 2014, que tem como uma de suas funções cuidar de toda a estratégia de marketing para o evento.
Mas como deve ser esta estratégia? Quais pontos fundamentais que a Agecopa deve focar e trabalhar, a fim de colher os melhores resultados para Cuiabá e Mato Grosso?
Dada a envergadura do evento, é preciso formatar uma estratégia fundamentada em dois pontos principais: promover investimentos e atrair turistas.
O primeiro é utilizar o marketing e a comunicação para melhorar a infraestrutura para a capital e as cidades com maior potencial turístico (por exemplo: hotéis, restaurantes, locadoras de veículos, etc.). Cuiabá não foi escolhida cidade-sede por acaso. As riquezas naturais, culturais e econômicas tiveram grande peso no resultado final, que deixou Cuiabá à frente de sua concorrente direta - Campo Grande/MS. Com uma diversidade enorme de atrativos e sendo estes muito próximos geograficamente da cidade onde ocorrerão os jogos, é fundamental que a Agecopa escancare estes potenciais para possíveis investidores, deixando muito bem claras as possibilidades de excelentes negócios, tanto durante o evento em si como também depois dele.
Em relação a esse quesito, a Agência deve gerenciar e divulgar estratégias que atraiam os investidores como, por exemplo, a isenção fiscal que o governo estadual concederá aos investidores.
Este primeiro momento deve iniciar o mais rápido possível e acontecerá juntamente com as obras de infraestrutura que o poder público estará fazendo.
Já o segundo momento deve começar por volta de 2012 e será focado em “vender” Cuiabá para o mundo. É nesta hora que devemos, com bases estratégicas bem definidas, mostrar aos potenciais turistas porque Cuiabá é uma excelente escolha para aproveitar a Copa. Devemos apresentar o Pantanal, Chapada dos Guimarães, nossa floresta amazônica, a infraestrutura (tanto dos governos quanto da iniciativa privada, foco do primeiro momento da estratégia de marketing) e dizer que Mato Grosso é uma grande opção para o turista conhecer o Brasil, de verdade.
Esta estratégia permitirá um enfoque ainda mais agressivo a partir de dezembro de 2013, quando conheceremos as seleções que terão seus jogos disputados em Cuiabá.
Decisões não podem ser políticas
No momento de definir a estratégia de marketing, é muito importante a tomada consciente de decisões. A Agecopa não deve, por exemplo, focar seus investimentos numa espécie de “prestação de contas”. Seu marketing possui uma missão bem específica e não pode utilizar sua verba para fins políticos. Mostrar à população local os benefícios da Copa é tarefa do governo estadual e das prefeituras, em ações separadas à Agência. Em suma, não devemos gastar dinheiro mostrando à população local o que está sendo feito. O que devemos fazer é trazer investidores e turistas.
A realização da Copa de 2014 é, provavelmente, o maior acontecimento da história recente de Mato Grosso. Saber como explorar da melhor forma essa oportunidade é o diferencial que irá separar o sucesso do fracasso.
O mercado está aí
Julio Bedin - redator, diretor de criação e diretor de cena
Bem ou mal, vamos falar sobre a propaganda local! Rimou, mas nem sempre acontece. Pelo menos, não para todos. Faço parte de uma geração de publicitários formados em universidade e que substituiu a importação de profissionais e, até mesmo, os que já atuavam no mercado, formados ou não. Isso provocou várias situações, positivas e negativas: o uso da ciência na criação, o barateamento da mão-de-obra antes importada e a inserção de uma sofisticação notável e respeitada na criação e produção locais. Cuiabá tem uma propaganda de nível, de qualidade - talvez o que não haja seja uma rotina da prática da pureza e inocência da academia - ou seja, a prática nos leva a crer que o que se aprende na faculdade é uma espécie de manual do que seria o correto, aí então, você entra no mercado, seja numa agência, departamentos de marketing ou outra das infinitas possibilidades profissionais que a carreira de publicitário proporciona e se depara com a tal realidade. Normal, mas não precisava ser assim. Poderia haver mais entrosamento entre os profissionais, uma regulamentação na forma de sindicato e tal, mas a verdade é que o mercado nos engole, mastiga, chupa e a gente acha gostoso, nos preocupando apenas com o nosso próprio dia-a-dia, sem a dedicação da cadeia produtiva, ou seja: orçamentos estranhos, patrulhamento de criações e até mesmo caretice. Tudo isso vindo de jovens. O mercado está saturado? Pra quem é saturado a resposta é sim. Tenho muito orgulho da minha profissão e quero continuar tendo, pois ela é diferente de tudo, de qualquer outra. Lidamos com sonho, realidade, fantasia e acervo pessoal: vivência. Isso é incrível! E tenho a honra de trabalhar e conviver com pessoas das mais diversas agências e anunciantes que fazem um excelente trabalho. Nós, juntos, podemos fazer com que tudo seja melhor: mas juntos. O mercado está aí. É só pegar e segurar com força ou delicadeza, amor ou raiva, mas nunca com indiferença, sem olhar nos olhos, fraqueza ou pieguice, a menos que a pieguice, no caso, possa ser cult, retrô, sabe? Um ingrediente criativo. Dá tempo de fazer tudo de novo: novo mesmo.
Mais Cultura:
- Edição 300 - 29/07/2010 a 04/08/2010
- Edição 299 - 22/07/2010 a 28/07/2010
- Edição 298 - 15/07/2010 a 21/07/2010
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