Cultura Embrulhada com papel de Futuro
A imagem desta semana é da Agência espanhola Mc Cann Erickson, uma equipe de profissionais premiados, neste produto especifico dos Diretores Executivos de criação Marco Cremona e Gaetano Del Pizzo. É uma fotografia para a CASA DO MENOR, do artista Akim Lipphot, com direção de arte de Federico Fanti e do copywriter Valerio Delle Foglie. Uma equipe de feras premiadíssima no ano passado. Esta campanha comenta: ALGUMAS COISAS FICAM PARA SEMPRE, LIVRE NOSSAS CRIANÇAS DE ABUSO E VIOLÊNCIA. Escolhi esta obra-prima estrangeira para ilustrar nossa pauta e não priorizar assim nenhum produto local nem uma agência de MT mais que a outra. Sou consciente de nossos talentos e acredito nessa igualdade de direitos na opinião desta pesquisa sobre PUBLICIDADE E MARKETING. Nesta edição, busco a voz de profissionais do segmento para verificarmos como está o NOSSO MERCADO DE PUBLICIDADE, suas características e ângulos que devemos enfatizar na CUIABÁ 2014.
Ando pensando o quanto a COPA mundial em Cuiabá poderá divulgar Mato Grosso, mas qual seriam a PUBLICIDADE e o MARKETING ideal, qual nosso desenho atual, como seremos embrulhados? Em Barcelona, durante as olimpíadas de 2002( vivi em Barcelona de 1990 a 1992 e fui voluntário na MONUMENTAL DE BCN), muitos de seus habitantes tiveram a possibilidade de se educar culturalmente. Não houve um habitante que não tenha, pela primeira vez na vida, ouvido um concerto clássico numa praça, que não tenha assistido a uma peça teatral catalã e participado como voluntário em danças que promoviam novos outros ritmos na Catalunha. Houve uma educação cultural popular que alavancou a região com propagandas na TV, promovendo BCN como um Pais da Europa (este era o termo), um olhar ambicioso de cidade que cansava da sombra madrilenha e ansiava por um mercado cultural mais agressivo. Não havia mais uma modéstia caipira de cidade portuária da Espanha, com baixo orçamento artístico, olhando apenas para o passado glorioso da cidade antes do ditador FRANCO. Ato de coragem é escutar especialistas, é acreditar na visão de profissionais inovadores. Os catalães, neste evento mundial, convenceram políticos que há décadas não frequentavam a cultura contemporânea, nem da Espanha nem de canto algum do mundo, mas ainda mandavam na cidade. Assim inventaram culturas, biblioteca 24 horas, cinema-arte popular, promoveram uma nova cultura de rua, feiras teatrais alteraram as calles, derrubaram feridas arquitetônicas e catapultaram o comércio cultural. PROMOVER A EDUCAÇÃO ARTÍSTICA PARA UM EVENTO GLOBAL É MELHORAR A CULTURA POPULAR.
Exemplos: O que o SEBRAE desenvolve em muitas campanhas no DESIGN artesanal em MATO GROSSO, com nossos artesãos, trazendo RENATO IMBROISE é um grande exemplo de prática de sucesso.Como neste segmento, há uma consciência da dinâmica cultural, do enérgico design de turismo, do design de lazer que precisa ser repensado a cada novo verão e do mercado artístico contemporâneo. É fundamental buscar referências de ponta, tirar o ranço melancólico. Não basta apenas deixar o artesão acreditando que o design não evolui. Outro exemplo é o nosso bem sucedido FESTIVAL DE SIRIRI que, a meu ver necessita, por exemplo, rever a duração das apresentações, rever vestimentas e o cantar no palco. Há espaço para melhorias. A partir de março começaremos a embrulhar o produto MATO GROSSO. Assim, vou à caça de talentosos profissionais de Mato Grosso que podem melhorar nosso universo representativo, juntamente com nossos artistas. Confira aqui algumas opiniões, queixas e piadas sobre o panorama.
Como atrairmos clientela na copa de 2014?
A comunicação deverá ser focada no potencial turístico do Estado, baseado nos quatro ecossistemas presentes – Cerrado, Pantanal, Amazônia e Araguaia, segmentando por perfil de público: turismo de Aventura (Jaciara, Nobres, Manso); Ecológico (Chapada dos Guimarães, Amazônia, Pantanal, Araguaia); Histórico (Cuiabá, Vila Bela, Poconé), etc. A comunicação deve ser totalmente visual, a exemplo do que o COI apresentou na defesa do Rio de Janeiro. A Copa, por si só, já se vende. Os nossos esforços deverão fortalecer a Pré-Copa e o Pós-Copa. Se trabalharmos essa comunicação, teremos um Estado conhecido no Brasil e no Mundo como uma excelente opção de lazer, feiras, eventos e negócios.
Doze lições em defesa dos direitos da marca e de seus clientes:
1 - Mais vale uma ideia honesta do que um chups premiado;
2 - Quando a mente é pequena, não adianta. Nenhuma logomarca será grande o bastante;
3 - Não importa quantos argumentos você tenha. Sempre haverá alguém convencido de que, para ser um bom comunicador, você precisa ser a reencarnação do Chacrinha;
4 - Depois de tanta tecnologia, das novas mídias e da TV digital, ainda tem gente pensando que o horário nobre é aquele em que os clientes estão em casa para ligar a televisão;
5 - É legal ver marcas pequenas pensando grande. Infelizmente, ainda é comum ver marcas grandes pensando pequeno;
6 – Dizem que as Casas Bahia inventaram uma nova forma de fazer varejo. Depois disso, nunca mais os redatores e os editores tiveram sossego [pausa para os sons de carimbo e o locutor gritando no seu ouvido];
7 – Algumas vezes os clientes não têm respostas para as suas perguntas. Eles têm perguntas para as suas respostas;
8 - A profissão do publicitário é uma das mais estressantes do mundo. Só fica atrás de Medicina porque ninguém parou para pensar que, quando uma marca morre, muita gente perde dinheiro;
9 - Dizem que a propaganda vende um mundo de ilusão e fantasia. Tudo bem, alguém precisa nos ajudar a fugir da realidade. Afinal, para mostrar sangue, corrupção e vandalismo, nós já temos os jornalistas, os políticos e os advogados;
10 - Quem se mete a fazer propaganda, tem que conviver com algumas verdades: você precisa ser criativo até quando dorme; não pode usar o cansaço como desculpa (ora, você só brinca no computador e fica no ar condicionado o dia inteiro); depois de passar no vestibular, nunca mais ninguém da família vai escrever um cartão de Natal (adivinhe quem vai?) e, o mais grave: você nunca será o Washington Olivetto;
11 - As campanhas mais difíceis de criar são as que ficam menos tempo na mídia (não reclame ou lembro você que hoje em dia, job com e-mail mkt e folheto é considerado campanha);
12 - Se você pretende trabalhar na criação, não trate mal aquele colega esquisito da faculdade. Existe uma chance bem grande de ele virar cliente e, na melhor das hipóteses, o responsável pelo marketing.
Nota da autora: essa opinião reflete apenas uma parte do que é viver e fazer propaganda. É fruto de experiências boas e ruins, de acertos e tropeços, de alegrias, conquistas e de uma boa dose de humor, sem a qual, tanto a vida quanto a profissão perderiam a graça.
A Dubiedade de nosso mercado publicitário
Em uma recente conversa de mesa, com um amigo diretor de cena, regado com os ingredientes perfeitos de um bom almoço de domingo falávamos, entre outros assuntos, sobre a situação de nosso mercado publicitário. O diretor em questão, excelente profissional por sinal, contou-me sobre sua dificuldade de impregnar seus trabalhos com conceitos mais autorais, modernos, que exprimissem uma comunicação mais artística, inteligente com o público receptor, sem perder as vértices que norteiam uma boa campanha publicitária: vender e muito! Como vender um produto, da melhor maneira possível, sem cair nas velhas fórmulas premeditadas e, às vezes, até de mau gosto, impostas pelo mercado de consumo? Esta “dificuldade” residiria na resistência inconsciente do público em aceitar novas fórmulas de vendas ou estaria imbuída na prática engessada de nossas agências em vender suas ideias aos seus clientes? Comodismo, insegurança, falta de credibilidade nas sugestões de nossos profissionais de produção? Enfim, este era o mote que conduzia a nossa conversa. Com o objetivo de atenuar a sua angústia em relação à falta de criatividade, ousadia, por parte de nossas agências publicitárias, comentei que as minhas, como figurinista e diretor de arte, assim como a de meus companheiros de produção: de set, elenco, maquiadores, cabeleireiros, etc., vão além da ordem criativa, passando por uma questão orçamentária. Em nosso mercado de trabalho percebemos claramente a divisão de escalões entre os profissionais na hora da aprovação de um orçamento: a dos profissionais, tidos como essenciais em uma campanha - diretores de cena, de fotografia, que têm seus cachês assegurados em um piso mínimo para a atuação de seus trabalhos e a dos profissionais citados acima que, no momento de suas contratações, têm que brigar literalmente pela garantia mínima de seus cachês para a realização de seus trabalhos. Não discuto a legitimidade da importância dos diretores de cena e de fotografia e seus méritos de terem seus cachês assegurados, até mesmo porque, se tratando de audiovisual, tanto em cinema como em publicidade, sabemos que esta arte só se realiza através do esforço em conjunto. Discuto sim, a política adotada por parte de nossas agências e produtoras locais, quanto à percepção da importância de nossos trabalhos prestados. Sabemos que é comum a prática de corte de orçamento para que um projeto seja aprovado e executado. O ditado popular fala por si só: “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.” Todavia, sabemos ser mais comum pensamentos como: “É um material simples, fácil de fazer. Fulano pode pegar umas roupas emprestadas, a maquiagem nem exige tanto. É só dar um TRUQUE!”. E o “truque” vai se estendendo para o cenário, os objetos de cena, casting, cabelo, necessidade de assistentes, até chegar a nossos bolsos. Isso quando não pensam que uma só pessoa possa produzir, vestir, maquiar, auxiliar os diretores. Mesmo diante de tanta adversidade conseguimos realizar nossos trabalhos da melhor maneira possível e garantir excelentes resultados. Fazemos verdadeiros milagres com as condições apresentadas em nosso mercado de trabalho.
Mais Cultura:
- Edição 300 - 29/07/2010 a 04/08/2010
- Edição 299 - 22/07/2010 a 28/07/2010
- Edição 298 - 15/07/2010 a 21/07/2010
- Edição 297 - 08/07/2010 a 14/07/2010
- Edição 296 - 01/07/2010 a 07/07/2010

Enviar para um amigo
Imprimir