Suzanne Schuch é professora especializada em Língua Portuguesa, revisora e assessora linguística e nos apresenta a Língua Brasileira com suas transformações e utilizações no dia-a-dia, além de corrigir semanalmente, o nosso jornal impresso Circuito Mato Grosso.
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Estrangeirismos na Língua Brasileira
Você sabia...
... que existe um Projeto de Lei de nº 1676/99 proposta pelo deputado Aldo Rabello que objetiva defender, proteger e promover a Língua Portuguesa/Brasileira no Brasil?
Este projeto sugere que o uso da Língua Portuguesa/Brasileira seja obrigatório em determinadas situações do cotidiano, sendo que ‘qualquer uso de palavra ou expressão em Língua Estrangeira (...) será considerado lesivo ao patrimônio cultural brasileiro, punível na forma da Lei’. O deputado argumenta ainda que (...) assistimos a uma verdadeira DESCARACTERIZAÇÃO da nossa Língua materna, tal a invasão indiscriminada e desnecessária de estrangeirismos. É OBRIGATÓRIO o uso da Língua materna, entre outros, na expressão oral, escrita,audiovisual e eletrônica oficial e na publicidade de bens e serviços.
Alguns empréstimos são feitos por outras Línguas. Estes empréstimos refletem a posição de determinada Nação em relação às outras, principalmente no adotar termos significativos de produtos, serviços e modismos dos países dominantes. Aproximadamente, desde a década de 50, a nossa Língua Brasileira vem recebendo forte influência de estrangeirismos, principalmente da cultura anglo-americana. No Séc. XX a Língua Brasileira viu-se invadida por expressões francesas como: champagne (champanhe), bouquet (buquê), comitée (comitê), etc., pelo peso e prestígio desta Língua na época. Tudo isso devido ao afloramento dos meios de comunicação e à indústria do entretenimento*, proporcionando ferramentas de disseminação linguística (AUBERT,2001:166).
Enfim, os ‘empréstimos ‘ fazem parte da dinâmica da LÍNGUA, refletindo, ao mesmo tempo, a situação de determinado momento histórico.
Atualmente os meios musicais, cinematográficos e, em especial a informática são as fontes mais comuns de anglicismos, dada à influência norte-americana nessas áreas. É difícil evitar o empréstimo linguístico, mas podemos retirar de tudo isso que existe aí, uma renovação lexical – enriquecimento de uma Língua.
O estrangeirismo possui duas características: a)COM APORTUGUESAMENTO – onde grafia e pronúncia da palavra são adaptadas para o português. Ex: abat-jour (do francês) ficando abajur;
b) SEM APORTUGUESAMENTO - onde conserva-se a forma ‘oral’ original da palavra. Ex: ‘mause’ (do inglês mouse ) - essa muita gente vai considerar um erro crasso, mas aportuguesado deve ser assim mesmo – com a.
Pesquise sobre: bege, bife, bijuteria, BISTRÔ, BLECAUTE, ATELIÊ – essas (em letra maiúscula) muito usadas na mídia atual.
*Como você vê o uso de estrangeirismos na TV e no audiovisual?
“Existe muita influência trazida pela tecnologia, principalmente aquela vinda do Japão e de outros países, que usa termos ingleses e são utilizadas na Literatura e na Informática, citando o termo de Francês-técnico – decoupage ; esses termos são usados na pré-produção, no roteiro e na execução de um vídeo. Existe sim uma necessidade de se manter o equilíbrio com a indústria, no que diz respeito à correção linguística, de tentar traduzir, mas mesmo assim as pessoas tendem a compreender menos - o traduzido - e aceitar mais o estrangeirismo” (Luiz Marchetti- produtor) – outras palavras ainda não têm similar na Língua Portuguesa/Brasileira. Mas o importante é que por enquanto que não é ‘dicionarizada’, devemos escrevê-las sempre entre aspas, em itálico, em negrito ou até mesmo sublinhadas (em texto manuscrito).
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Bibliografia:
AUBER, Francis Henrik. Preconceito Lingüístico subjacente ao Projeto de Lei 1676/99...;
FIORIN,Jose Luiz. Política Linguística no Brasil, Gracoata,2000,v.9,p.221-31.
Mais Língua Brasileira:
- Edição 306 - 09/09/2010 a 15/09/2010
- Edição 305 - 02/09/2010 a 08/09/2010
- Edição 304 - 26/08/2010 a 01/09/2010
- Edição 303 - 19/08/2010 a 25/08/2010
- Edição 302 - 12/08/2010 a 18/08/2010

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