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Abílio alerta vítimas de violência doméstica: “Não caia na conversa de que ele tem um papel bonito na igreja”

O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), fez um apelo direto para que mulheres vítimas de violência doméstica denunciem seus agressores ao primeiro sinal de perigo, sem dar segundas chances baseadas em falsas aparências sociais. Durante coletiva de imprensa realizada na sexta-feira (5), o gestor alertou as vítimas para que não se deixem enganar pela fachada religiosa que muitos parceiros ostentam fora de casa.

Para ilustrar a gravidade da situação, o prefeito relembrou o trágico caso de Heloysa Maria de Alencastro Souza, de 16 anos, assassinada pelo padrasto, Benedito Anunciação de Santana, que na época do crime atuava como coroinha.

“Não se amarre em qualquer questão religiosa. ‘Ah, ele é da igreja’. O cara que matou a filha da mulher lá era da igreja, era coroinha. Então, assim, não caia nessa conversa de que o cara tem um papel bonito na igreja, que ele é um cara que vai mudar de comportamento em casa”, disparou Brunini.

A atuação da Prefeitura e a Rede de Apoio

O prefeito ponderou que as ações ostensivas de segurança e as investigações criminais da Lei Maria da Penha cabem diretamente às Polícias Militar e Civil. No entanto, garantiu que a Prefeitura de Cuiabá mantém um papel ativo na retaguarda de proteção.

Através da Secretaria da Mulher, o município atua com as seguintes frentes de acolhimento e prevenção:

  • Apoio Psicossocial: Oferta de tratamento, aconselhamento e acompanhamento psicológico focado não apenas na vítima, mas também em seus familiares.
  • Capacitação e Defesa: Realização de ações preventivas, incluindo o oferecimento de aulas de defesa pessoal para mulheres.
  • Botões de Pânico: Articulação de uma parceria com o governo do estado para a instalação de dispositivos de emergência nas unidades de saúde do município, permitindo o acionamento rápido e silencioso da polícia.

O perigo silencioso dentro de casa

Apesar dos esforços da gestão municipal, Abílio reconheceu que o poder público esbarra em uma barreira complexa: a invisibilidade do crime. “Infelizmente, a maioria desses casos acontece dentro de casa e a gente só vai saber depois de acontecer. E essas medidas acabam sendo um pouco mais difíceis de serem tomadas”, lamentou.

Diante do cenário, o gestor encerrou sua fala em tom de apelo direto às vítimas, pedindo que quebrem o ciclo do silêncio.

“Denuncie, não fique guardando para você, achando que a pessoa que te agride dentro de casa vai mudar de comportamento e vai ser uma pessoa melhor amanhã. Chame a polícia, vá até algum órgão. A Polícia Militar vai até você, a Polícia Civil também está de portas abertas. Não fique esperando ser a vítima de feminicídio”, concluiu o prefeito.

Lucas Bellinello

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