Cabo da PM é morto com 3 tiros
11/03/2010 07:53
Um cabo da Polícia Militar foi morto com 3 tiros, na noite de terça (9), no Beco do Candeeiro, em Cuiabá, quando mesmo a paisana e de folga fazia a abordagem a suspeitos de estarem armados. O cabo PM Edeson de Oliveira, 46, lotado no Grupo Especial de Fronteira (Gefron), foi atingido pelas costas e o autor dos disparos, identificado como Cassimiro Moraes dos Santos, 22, o Kaká, foi preso logo depois, na quitinete em que morava, próximo da igreja São Benedito. Depois de ser apresentado à imprensa na sede do 1º Batalhão do bairro do Porto, o acusado foi levado até o posto da Polícia Militar instalado no Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do bairro Verdão, onde alega que foi torturado.
Cassimiro teve parte do corpo queimado, segundo ele, pelos PMs que fizeram a prisão. Depois de jogarem álcool sobre o corpo, usaram um equipamento de dar choques elétricos, que provocaram a combustão e as queimaduras nos braços, costas, peito e couro cabeludo. As denúncias foram feitas por ele em depoimento ao delegado André Renato Gonçalves, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que presidiu o flagrante.
Cassimiro confessou que matou o PM. Alegou que o militar estava bebendo e jogando sinuca em um bar e passou a abusar da autoridade dele, já que mesmo sem farda, começou a fazer "blitz", revistando as pessoas que passavam no local, inclusive dando tapas no rosto delas. Cassimiro diz que o policial apresentava sinais de embriagues.
Quando foi abordado, alega que reagiu e matou o PM, fugindo em seguida. O crime aconteceu pouco depois das 19h, e mobilizou os policiais militares da área central em busca do acusado. O cabo chegou a ser levado ao Pronto-Socorro de Cuiabá, mas já chegou sem vida ao local. O militar estava há 23 anos na corporação.
A explicação dada para as queimaduras pelo cabo PM Vagner, que prestou depoimento na DHPP, seria de que no momento em que os PMs passavam álcool para desinfetar os ferimentos do acusado, ele teria gritado de dor e se movimentado bruscamente, quando acabou batendo em uma pessoa que fumava dentro da sala, o que provocou o fogo e as queimaduras.
O delegado titular da DHPP, Márcio Pieroni, informou que irá encaminhar cópia dos depoimentos da vítima, onde a tortura é mencionada, bem como cópia de laudos de exame de lesão corporal para a diretoria da Polícia Judiciária Civil para que seja feito o encaminhamento ao setor competente de apuração dos fatos. Cassimiro foi encaminhado para a Penitenciária Central do Estado, ontem pela manhã, depois de prestar depoimento e passar por exames de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML).

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