CircuitoMT - Edição 661 - page 7

POLÍTICA
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CIRCUITOMATOGROSSO
CUIABÁ, 7 DE DEZEMBRO DE 2017 A JANEIRO DE 2018
Movimento Agora! é forma-
do por um grupo diverso com
perfis políticos e técnicos de
vários setores da sociedade,
desde médicos até o famoso
apresentador de TV Luciano
Huck. O grupo pretende trazer a esperança
do novo para a política reunindo cidadãos
comuns, que juntos pretendem construir um
Brasil mais simples, humano
e sustentável.
Em Cuiabá, o fundador
do Agora! Leandro Machado
contou que a ideia do partido
surgiu entre amigos que esta-
vam descrentes e assustados
pela forma como a política
está caminhando no país.
“Há um ano e seis meses,
o Movimento Agora! nasceu.
A ideia surgiu entre amigos,
que se encontraram em um
fórum latino-americano na
Colômbia, em que vários pre-
sidentes estavam presentes, e
ninguém do Brasil. Desgosto-
sos que éramos o maior país
em tudo, e ninguém estava
lá, começamos a conversar
e entendemos que isso, sem
sombra de dúvida, é mais
um reflexo da crise política
de representatividade”, diz
Machado.
A pergunta que ficou entre eles foi o que
poderia ser feito. Foi quando entenderam que
o resultado desse distanciamento era não só
de responsabilidade da população, mas dos
governantes que não estavam nem aí pra
nada. “Então pensamos no que faríamos com
isso e pensamos em quem admiramos para
Por Cátia Alves
O NOVO MOVIMENTO
Agora! aposta em desconhecidos em MT
Com o lema da renovação para a política do Brasil, o movimento, criado há um ano e meio, procura pessoas que querem mudar
o país para melhor
O
tentar ajudar a chegar à liderança do país”,
explica.
Machado conta que a maioria dos mem-
bros do partido é ativista, possui centros
de estudo, é representante de ONGs, dentre
outras personalidades. Uma dessas persona-
lidades mais famosas é o apresentador Lu-
ciano Huck. Até o início de novembro, os
boatos eram de que o primeiro nome do Ago-
ra! poderia disputar as eleições à Presidência
do Brasil em 2018, sendo um dos candida-
tos mais bem cotados nas pesquisas. Porém,
no início de dezembro, Huck publicou uma
carta declinando da pre-
tensão. Machado reforça o
discurso dele, mas afirma
que caso ele decida sair, o
movimento vai apoiá-lo.
“Ele nunca disse que
seria candidato, ele escre-
veu um artigo para a Folha
de S.Paulo uma vez dizen-
do que iria apoiar o Re-
nova e que iria participar
como membro do Agora!
que é um grupo de discus-
são de políticas públicas, e
isso ele fez. No dia em que
ele se decidir que quer sair
candidato, iremos conver-
sar sobre isso dentro do
grupo e se ele sair nós va-
mos saber como dar esse
apoio”, pontuou.
De acordo com o co-
fundador, o objetivo é es-
timular que as pessoas se
candidatem e não só os
membros do Agora!, pois nem todos os mem-
bros pode ser candidatos. “O que a gente tem
são membros que já estão se preparando ou
falando que serão candidatos, mas nem todo
mundo que está lá algum dia virá a ser can-
didato. Exigimos, para participar, que todo
mundo se comprometa. Essa pessoa há de se
dedicar pelo menos dois anos ao serviço pú-
blico, seja como um professor concursado ou
como secretário de alguma pasta em algum
governo”, explica. “Eu gostaria muito que
o pessoal daqui se envolvesse com o Movi-
mento porque eu sou daqui”, conta Machado.
Natural de Mato Grosso, Machado for-
mou-se em Ciência Política na Universida-
de de Brasília, em sua passagem por Cuiabá
ele aproveitou para se encontrar com Marco
Marrafon, um dos cofundadores do Agora!
em Mato Grosso e atual secretário de Educa-
ção do governo Pedro Taques, no qual tam-
bém foi secretário de Planejamento.
Agora! em Mato Grosso
No Centro-Oeste o movimento já vem
ganhando adeptos, por isso em breve uma
ouvidoria deve ser feita para ouvir as ideias
da população que busca uma política melhor.
Nesse sentido, Marco Marrafon explica que
está organizando tudo com Machado, para
que em meados de fevereiro já se escute o
que as pessoas daqui buscam para melhorar
a política.
“Não é hora de falar em candidatura, é
preciso, primeiro, uma agenda para construir
um movimento. Precisamos ter uma pauta
e tentar construir o compromisso de saúde,
educação, segurança enquanto público, e aí
o público não é necessariamente estatal, mas
do interesse coletivo. Precisamos de uma
agenda estratégica e ouvir a população”,
avaliou.
Esqueceu-se da política
Para Leandro, a população esqueceu de
cuidar da vida política para cuidar da parti-
cular, e isso acabou por “terceirizar” a polí-
tica. O Agora! pretende chamar a população
de volta, porque, segundo Machado, a coisa
está muito séria.
“A gente não quer ser partido, queremos
ser um movimento mesmo. Um movimento
que crie uma agenda e estimule as pessoas
a discutir política. Os movimentos, não só o
Agora! mas outros, representam uma oxige-
nação nesse nosso sistema político e princi-
palmente partidário”, avaliou.
“Vamos ouvir
as pessoas até
fevereiro, para
em março e abril
consolidar isso
em uma agenda
concreta de
transformação,
para que aqueles
que queiram sair
candidatos tenham
uma agenda que
defendam para se
lançar nas eleições”
doméstica Daiane Geisa dos Santos
pega dois ônibus por dia e demora
uma hora e meia para se deslocar de
sua casa, que fica no bairro CPA III,
em Cuiabá, para o trabalho. Porém,
com a recente decisão da Prefeitura
de retirar os micro-ônibus de circulação, a ten-
dência é que esse tempo de espera aumente ain-
da mais.
No dia 14 de novembro, véspera de feriado,
41 veículos deste modelo foram retirados de cir-
culação em Cuiabá, afetando 25 linhas. A me-
dida acontece ao mesmo tempo em que o preço
da passagem de ônibus aumenta na capital ma-
to-grossense, e sim, os dois episódios não estão
relacionados, pois com a redução no número de
caros era de se esperar que as empresas de ôni-
bus solicitassem da Prefeitura uma nova nego-
ciação tarifária que deverá ser feita no próximo
mês. As duas medidas revelam uma dura reali-
dade: a situação do transporte público na cidade
está cada vez pior para a população.
“Chegava de forma mais rápida no trabalho
com o micro-ônibus, os veículos eram mais va-
zios antes da retirada. Neste calor o ônibus cheio
fica insuportável e nas chuvas a gente se molha
mais dentro do ônibus do que na rua. As coisas,
ao invés de melhorar, sempre pioram para o lado
do povo”, relata Daiane.
A retirada dos micro-ônibus também sobre-
carrega o sistema tradicional de ônibus. “Difícil
andar de ônibus, às vezes penso em não pegar
o primeiro ônibus que passa, pois vem cheio e
também por causa da falta de ar-condicionado.
Com o calor de Cuiabá, não tem como suportar.
Ainda ouvi que o preço da passagem vai aumen-
tar, o que vai dificultar. Se o preço atual já consi-
dero caro, imagina agora. Eu vou ficar com mais
raiva ainda se não conseguir integração”, conta
Thiago Alves que trabalha na área de recursos
humanos.
“Estamos pagando uma das passagens mais
caras do Brasil. Os veículos não têm ar, são su-
cateados. Meu marido é motorista de ônibus,
ele ouve direto muitas reclamações de clientes.
Por Analu Melo Ferreira e José Wallison
CAOS NO TRANSPORTE
Cuiabá terá menos 41 micro-ônibus
No dia 14 de novembro, 41 veículos desse modelo foram tirados de circulação em Cuiabá, afetando 25 linhas. A população sofre
com a redução da oferta do serviço
A
Porém, ele é um dos menos culpados”, conta a
doméstica Daiane.
A problemática envolvendo os micro-ônibus
começou no ano de 2011, quando o Ministério
Público do Estado de Mato Grosso (MPE) en-
trou com um inquérito civil contra a Prefeitura
de Cuiabá, para questionar a licitação do serviço.
O MPE constatou que nunca existiu uma licita-
ção para o transporte alternativo, como é cha-
mado o micro-ônibus, e a maneira como estava
implantado era ilegal.
Conforme a legislação, o transporte público
deve ser diferenciado de duas formas: transporte
convencional e transporte alternativo. No coleti-
vo está o ônibus, que é maior, pode transportar
mais pessoas e, em teoria, custa mais barato. Já
o micro-ônibus é considerado alternativo porque
teria que transportar menos gente, sem que nin-
guém ficasse em pé durante o trajeto, e também
deveria custar mais caro.
TAC dos micro-ônibus
No final de 2016, o ex-prefeito Mauro
Mendes assinou um Termo de Ajustamento de
Conduta (TAC) que previa algumas obrigações
também para a Prefeitura. A principal era licitar
o transporte e realizar um estudo de sua viabili-
dade. Se isso não fosse feito, seria obrigatória a
retirada desses veículos até o dia 15 de dezem-
bro de 2017.
A surpresa de todos é que a iniciativa de re-
mover os micro-ônibus não partiu da Prefeitura
ou de suas secretarias. Nicolau Budib, diretor de
Transporte da Secretaria de Mobilidade Urbana
(Semob), afirma que foram os empresários que
optaram por retiraram os veículos por vontade
própria. “Nós fomos pegos de surpresa”, contou.
Nicolau relata que após o Termo de Ajusta-
mento de Conduta a Semob ficou limitada e não
poderia mais atender às exigências dos empre-
sários de micro-ônibus. “As nossas ordens de
serviço ficaram congeladas. Na verdade, nós não
tiramos os micro-ônibus de circulação. Foram
eles, os empresários, que tiraram os carros da
rua alegando inviabilidade econômica. Simples-
mente deixaram de operar”.
Empresários
protestam
contra
a
Prefeitura
Fabiano Sutil Albuquerque Leão, presidente
do Sindicato das Empresas de Transporte Públi-
co Alternativo de Passageiros do Estado de Mato
Grosso (Seta-MT), afirma que o que ocasionou
a parada das empresas foi a maneira como a Se-
mob conduzia as planilhas de horários dos micro
-ônibus. “Eles colocavam os micro para rodar em
horários ruins para os passageiros. Na hora em
que o trabalhador quer ir para o serviço, saindo
do bairro em direção ao centro, o micro-ônibus
estava descendo em sentido oposto”, disse.
Segundo Fabiano, a Seta-MT tentou cobrar
as planilhas para negociar a mudança, mas sem
sucesso. “Eles alegaram que, como existe um
TAC, estariam proibidos de mudar as planilhas,
o que não é verdade, porque esse TAC não foi
homologado, foi validado pelo juiz. O juiz viu
que o TAC é injusto e decidiu não homologar”,
declarou.
Por outro lado, Nicolau explica que não há ne-
gociação quando o assunto é judicial. “Enquanto
for uma questão administrativa, a gente conversa,
resolve, busca entender. A partir do momento em
que existe umTermo deAjustamento de Conduta
me proibindo isso, eu, Nicolau Jorge Budib, dire-
tor de Transporte, não vou descumprir”.
Para Fabiano, a principal responsável pela di-
fícil questão dos micro-ônibus é a própria Semob.
“Com o passar do tempo, nós acabamos virando
convencional como o ônibus, só que isso não foi
culpa nossa, foi culpa da secretaria, fazendo com
que a gente trabalhasse como ônibus mesmo. Ele
é o nosso gestor, temos que seguir o que manda”.
Nicolau Budib acrescenta que o problema
deles não é administrativo nem operacional, mas
sim jurídico. “Se eles conseguissem reverter de
maneira jurídica essa situação que foi imposta
para eles, a gente poderia até rever algumas or-
dens de serviço. Mas eu tenho um TAC assinado
pelo prefeito na época, pelo Ministério Público,
perante um juiz; quem sou eu para fazer uma al-
teração?”, disse.
Mas, em meio à disputa entre Seta-MT e Se-
mob, está a o povo que é o maior interessado
em solucionar o inconveniente. Nicolau garan-
te que ele não será afetado de forma alguma.
“A frota operacional de Cuiabá é de 368 ônibus
e 10% de frota reserva, ou seja, são 390 veícu-
los. Todos esses veículos reservas já estão em
operação”.
Com a retirada, a Semob precisou readequar
o sistema de transporte público. “Nos primeiros
dois dias tivemos problemas em algumas linhas,
como no Três Barras, mas entramos em contato
com o presidente do bairro, ele veio aqui, nós
mandamos nossa equipe para lá e conseguimos
solucionar todos os problemas”, declarou.
Os empresários e a população que sofre nos
pontos de ônibus contestam a Prefeitura. “O
maior prejudicado foram os empresários com
os seus negócios e a população que ficou desas-
sistido desse serviço”, afirmou Fabiano Leão.
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