CircuitoMT - Edição 661 - page 4

POLÍTICA
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CIRCUITOMATOGROSSO
CUIABÁ, 7 DE DEZEMBRO 2017 A JANEIRO DE 2018
expressão “a riqueza vem da
terra” é válida para Mato Gros-
so, com uma profundidade bem
literal. Aleixo Garcia e Cabeça
de Vaca, os primeiros europeus
que aqui chegaram, ainda em 1525, vieram
justamente atraídos pelas lendas que após o
grande “Mar de Xarayé”, o nosso Pantanal,
existiram uma cidade de ouro. Eles nunca
encontraram o local e desviaram o caminho
em direção às minas de prata da Bolívia.
Foram os portugueses que encontraram o
ouro em Mato Grosso em 1719, o estado
até hoje produz cerca de R$ 600 milhões
apenas em exploração mineral.
O historiador Luis-Philippe Pereira
Leite aponta que a primeira descoberta de
ouro em Cuiabá por Miguel Sutil, em 1722,
às margens do Córrego da Prainha foi tão
surpreendente que foram necessárias três
canoas para levar a primeira leva. “Só de
impostos, antes duas oitavas e meia por
cabeça, no primeiro mês forma arrecada-
das 942 oitavas e meia. No ano seguinte,
o Rei, recebeu mais de 4 arrobas de ouro”,
afirmou Luis-Philippe em Vilas Fronteiras
Coloniais.
Segundo o historiador isso era ape-
nas uma amostra, as safras seguintes pro-
duziram 60 arrobas de ouro para a Coroa
Portuguesa. Os historiadores contam que
a magnífica Biblioteca da Universidade
de Coimbra, a Sala Joanina, foi erguida e
ornamentada com o ouro de Mato Grosso,
entregues ao Rei D. João V, avô da rainha
Dona Maria I, “a louca”, que fundou Vila
Bela da Santíssi-
ma Trindade para
também explo-
rar os diamantes
dali. A cidade é
até hoje uma das
maiores produto-
ra mundiais.
Apesar de 300
anos de explora-
ção intensa o po-
tencial do Estado
ainda é grande.
É o que diz que
o presidente da
Metamat (Com-
CAPA
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DE 2017 A JANEIRO DE 2018
A
ELDORADO
Ouro e diamante ain
Mato Grosso está hoje no topo na produção de ouro e diamantes no país, mas segmento
Reinaldo Fernandes e Juliana Arini
panhia Mato-grossense de Mineração), Ro-
berto Vargas. Hoje, Mato Grosso é o segun-
do maior produtor de diamantes no Brasil
e o terceiro na produção de ouro. Em 2016,
ano de pico na produção, foram movimen-
tados R$ 600 milhões.
Mas, como em outros estados brasilei-
ros, em Mato Grosso o campo é mal ex-
plorado com concentração de trabalhos na
mão de grandes empresas, pouca atenção
do governo para formatação de regras que
impulsionem as atividades. Outro grave
problema é o histórico de conflitos em áre-
as de exploração entre proprietários de ter-
ra ou empresas com alvarás e trabalhadores
informais.
O mais recente ocorreu em Pontes e
Lacerda e envolveu a empresa Mineração
Santa Elina e um grupo de garimpeiros in-
formais, no qual se incluía inclusive mui-
tos moradores da cidade. Em novembro de
2015 foi descoberto um grande veio de ouro
na região, a “fofoca do ouro” logo correu e
chegou atrair até 7 mil pessoas para o local
conhecido como “Serra da Borda”, (a 448
km de Cuiabá). Foi necessário uma verda-
deira força tarefa de Estado para desocu-
par o garimpo, que ainda segue sobre forte
tensão, como muitas outras áreas em Mato
Grosso. A ilegalidade do setor ainda não
foi dimensionada pelos órgãos reguladores.
O Eldorado ainda é aqui
Mapas sobre o segmento montado pela
Seplan (Secretaria de Planejamento) mos-
tram espalhamento pelo território de Mato
Grosso de áreas com potenciais de explo-
ração. Áreas que vão de Colniza (nordes-
te do estado) a Peixoto de Azevedo, quase
no limite opos-
to,
passando
por Vila Bela
da Santíssima
Trindade,
na
fronteira com a
Bolívia, e a Bai-
xada do Vale
do Rio Cuiabá,
como Chapada
dos Guimarães,
Jaciara e Nos-
sa Senhora do
Livramento.
“Mato Gros-
so hoje tem po-
tencial de exploração de muitos outros mine-
rais, além do ouro e do diamante, que sempre
vêm à mente quando se fala no assunto. Aqui
têm reservas de calcário, pedras coloridas,
quartzo e também águas termais e a mine-
ral”, diz Vargas.
Ele afirma que o potencial do segmento
em Mato Grosso, se explorado adequada-
mente, equivaleria à pujança do agronegó-
cio, capaz de movimentar a economia local
com certa segurança.
Apenas numa região, Vargas diz existir
área de 600 mil hectares com indícios de
ouro. Na região Norte, a estimativa está na
faixa de 90 toneladas do mineral.
O diretor da Coogavepe (Cooperativa dos
Garimpeiros de Peixoto), Gilson Camboim,
diz que, além dos R$ 600 milhões movimen-
tados pelo segmento em 2016, neste ano,
o montante é bem menor, mas está na casa
de R$ 360 milhões, de janeiro e novembro.
Em 2015, uma quantia foi registrada apenas
em Mato Grosso. No ano anterior, devido a
mudanças de governo, a produção ficou em
torno de R$ 150 milhões.
“O ano de 2016 foi atípico, com pico de
1,2,3 5,6,7,8,9,10,11,12,13,14,...20
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