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Criticada por fãs, biografia sobre Michael Jackson chega ao Brasil

Desde o lançamento do livro nos EUA, no fim do ano passado, um grupo de fãs de Jackson usou as redes sociais para criar uma bem-sucedida campanha de difamação, bombardeando a Amazon com avaliações que baixaram a cotação do livro no site.

02/12/2013 11h19 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

 
Eles conseguiram ainda retirar exemplares de circulação com alegações de que as cópias eram defeituosas.
 
"Devo admitir que tenho uma sensação dúbia sobre o livro. Esse ataque que sofri de um grupo de fanáticos foi uma das coisas mais dolorosas por que já passei", diz Sullivan, ex-editor da revista "Rolling Stone", por telefone.
 
"O pior é que as pessoas nem leram o livro e o atacaram citando coisas que eu não escrevi, baseando-se no que ouviram falar."
 
Segundo o autor, a campanha afetou as vendas --ele não cita o total de exemplares vendidos, mas diz que, apesar de a editora ter lucrado com o livro, "não foi nem de longe o que esperava". As críticas da imprensa estrangeira à obra foram mistas.
 
Ameaçãs familiares
 
A família de Jackson, retratada de forma bastante crítica, ameaçou com diversos processos, mas o jornalista diz que a editora não cedeu "porque sabia que eu podia defender o que tinha escrito".
 
A biografia, que sai no Brasil com uma tiragem relativamente alta (12 mil exemplares), é um grande trabalho de compilação de informações já publicadas sobre o cantor.
 
Iniciada após a sua morte, como uma reportagem para a revista "Rolling Stone", a obra progrediu para uma narrativa de quase 900 páginas --129 delas de referências bibliográficas, mais 32 de fotos. É dividida em quatro partes, de forma não cronológica.
 
Como não entrevistou Jackson nem conseguiu acesso direto a personagens importantes de sua vida --o único familiar com quem falou foi a matriarca, Katherine--, Sullivan investiu mais nos últimos cinco anos de vida do astro e na disputa por seu espólio, depois da morte.
 
O livro mostra ainda a gradual destruição da reputação e da saúde (inclusive a financeira) do artista entre 1993 e 2005, quando sofreu duas acusações públicas de abuso sexual de crianças --a primeira, resolvida com um acordo extrajudicial, a segunda, nos tribunais (ele foi inocentado).
 
Há um apanhado dos primeiros 35 anos de vida de Jackson, da infância traumática à transformação em "rei do pop", e exemplos de seu comportamento exótico, que passou a atrair mais atenção do que sua música.
 
Trechos do livro "Intocável"
 
O dr. Mark Sinnreich se lembra da primeira visita de Michael ao cirurgião ortopédico em seu consultório na Flórida, em 2002: "Eu pedi para ele tirar a máscara [...]. Parecia que tinha dois buracos. Nenhum nariz". Michael teve de se virar com próteses.
 
Ele as mantinha em seu closet em Neverland, um grande jarro de narizes falsos --de várias formas e tamanhos-- cercado por tubos de cola. "Ele me disse que eram para disfarces", recorda Adrian McManus, uma de suas funcionárias no rancho Neverland.
 
Mas a única coisa que Michael estava disfarçando àquela altura era o resultado de, no mínimo, seis plásticas nasais: duas narinas cercadas por uma camada de cartilagem enrugada, murcha e descolorida. Ele era um maquiador habilidoso desde a adolescência, e em 15 minutos na frente de um espelho conseguia criar uma aparência capaz de enganar a maior parte das pessoas.
 
Cirurgiões plásticos especulavam desde 1990 na televisão se a ponta de seu nariz havia sido substituída por uma prótese de osso ou plástico. Em 2001, no entanto, as mudanças pelas quais seu nariz passava de ano em ano --às vezes de semana em semana-- entregaram o jogo. (pág. 264)
 
Rose Marie era o nome dela, lembrou Michael, que, com sete anos, observava-a fascinado girar os enfeites presos a seus mamilos, avançando na direção dos homens que tentavam agarrá-la... (pág. 69)
 
Folha de São Paulo 
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