Quinta-Feira, 27 de Abril de 2017
SAÚDE

Cientistas descobrem que parte do cérebro continua crescendo em adultos

Achado surpreendeu cientistas, pois contraria o que se pensava sobre desenvolvimento cerebral.

Cientistas descobrem que parte do cérebro continua crescendo em adultos
 

Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, fizeram uma descoberta inesperada ao comparar a região do cérebro relacionada ao reconhecimento de faces em crianças e adultos. A área surpreendentemente continua crescendo mesmo na fase adulta, o que contraria o que se pensava até então sobre o desenvolvimento cerebral.

A ideia vigente até agora era que o desenvolvimento cerebral ocorria exclusivamente por um processo chamado de “poda sináptica”. Trata-se de um mecanismo de destruição das sinapses – como são chamadas as ligações entre os neurônios – que são raramente usadas, abrindo o caminho para o desenvolvimento de sinapses mais fortes e eficazes.

Para chegarem ao resultado, que está fazendo a ciência repensar o desenvolvimento anatômico do cérebro através dos anos, os pesquisadores recrutaram 22 crianças e 25 adultos. Eles foram submetidos a testes de memória de reconhecimento visual de faces e lugares e aos exames de ressonância magnética funcional e ressonância magnética quantitativa.

A ressonância magnética funcional serviu para identificar, em cada voluntário, as regiões do cérebro ativadas durante atividades de reconhecimento facial e durante atividades de reconhecimento de lugares.

Já por meio da ressonância magnética quantitativa, os cientistas mediram a quantidade de tecido cerebral presente nessas regiões anteriormente identificadas como responsáveis pelo reconhecimento de faces e lugares.

Ao comparar os resultados obtidos em crianças e em adultos, foi possível verificar que a área responsável pelo reconhecimento de faces continua a crescer em tamanho nos adultos. O mesmo não ocorre com a área responsável pelo reconhecimento de lugares. Segundo os cientistas, é possível que esse crescimento corresponda a um aumento do volume dos neurônios, tanto do corpo celular e dos dendritos, além da bainha de mielina, estrutura que envolve os axônios.

Os testes também mostraram que a habilidade de reconhecer faces aumenta proporcionalmente ao desenvolvimento do tecido cerebral relacionado a essa função. “Os achados sugerem que melhoras no comportamento são um produto de uma interação entre mudanças estruturais e funcionais no córtex”, diz o estudo.

Fonte: G1

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