PUBLICIDADE
CONGRESSO NACIONAL

Deputado Fábio Garcia veta projeto astronômico de R$ 800 milhões

Projeto será o maior “olho” do mundo para o espaço, sendo um telescópio de avanço no conhecimento astrofísico, num acordo entre Brasil e União Europeia

10/02/2015 12h59 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00 4 comentarios

A retirada da pauta que prevê estudos astronômicos no Hemisfério Austral, pelo deputado Fábio Garcia (PSB) na Câmara Federal, no último dia 05, está causando controvérsia e desconforto entre estudiosos do Brasil e União Europeia. Trata-se de um projeto que propõe um investimento de R$ 800 milhões ao país, de Decreto Legislativo (1287/2013), cujo Brasil será o 15º país membro – o primeiro não europeu, nesta empreitada.



Este acordo foi relatado pelo então deputado Jorge Bittar (PT-RJ) na Comissão de Ciência e Tecnologia em 2014, para o funcionamento de um telescópio de 39 metros de diâmetro cujo projeto está atualmente em fase de detalhamento.

Será o maior “olho” do mundo para o espaço. Isso porque, sendo um telescópio extremamente grande, vai propiciar um enorme avanço no conhecimento astrofísico, permitido, a partir do Chile.

Lá ficará alocado estudos detalhados a respeito de exoplanetas, os primeiros objetos do Universo, super-buracos negros, e a natureza e distribuição da matéria escura e energia escura.



“O parlamentar mato-grossense alegou que o país não pode gastar R$ 800 milhões com pesquisas astronômicas enquanto o povo brasileiro sofre com a ausência de Saúde, Educação e segurança pública de qualidade", destaca o diretor presidente do Planetário Via-Láctea de Cuiabá/MT, Carlos Wagner Ribeiro.

Para ele este descarte é um absurdo, tendo o Brasil fora desse contexto. Ribeiro acrescenta ainda que há verbas de impostos alocadas para as áreas que o parlamentar lembra serem prioritárias como a Saúde, a Educação e a Segurança.

“Contudo, milhões são desviados para a corrupção e muito pouco é feito, problema, este sim, que deve ser combatido veementemente na tribuna da Câmara Federal e não a busca pelo conhecimento, que, afinal, é uma forma de incremento à educação e não um desperdício para o País”, disse Ribeiro, que há anos pesquisa o assunto e tenta trazer conhecimento sempre atualizado para o Estado.

A contribuição do Brasil deveria ser de € 270 milhões em 10 anos, mas o congresso começou a travar esse investimento que garantiria ao Brasil o acesso as maiores descobertas astronômicas jamais realizadas até então.

Desde então a entidade responsável pelo telescópio, o Observatório Europeu do Sul (OES – em inglê: European Southern Observatory - ESO), já realizou importantes descobertas astronômicas e produziu diversos catálogos do segmento financiado por: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça.

Por que no Chile?

O Chile foi o local escolhido por apresentar as melhores condições para observação astronômica a partir da Terra, pois o mesmo é cercado pelas cordilheiras dos Andes e altas montanhas secundárias, nas adjacências do deserto com raras gotas de chuva e mais de 300 noites de céu limpo.

O Atacama é considerado um dos melhores lugares do planeta para observação do céu devido às condições favoráveis como os mais de 2,4 mil metros de altitude, baixa umidade local e pouca luminosidade artificial.

Outro Lado

A reportagem tentou falar com o deputado Fábio Garcia para detalhar sua postura diante do veto, mas não obteve êxito.

Com assessoria

.


4 COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

  1. Claro, essas antas se dedicam a fazer propostas absurdas como instituir o Dia do Criador de Jegues ou o Dia da Despedida do Servidor Público, obrigar bares e restaurantes a servirem café sem açúcar ou proibir os usuários do transporte público de ouvirem música sem fone de ouvidos nos ônibus --propostas populistas típicas de uma república de analfabetos. O nobre animal reconhece, todavia, que "milhões são desviados para a corrupção e muito pouco é feito, problema, este sim, que deve ser combatido veementemente na tribuna da Câmara Federal e não a busca pelo conhecimento, que, afinal, é uma forma de incremento à educação e não um desperdício para o País”. Como dizia o saudoso Odorico Paraguaçu, "a ignorância é que atravanca o progresso" !

  2. Amoral e uma verdadeira aberração a justificativa do veto, apenas reflete o baixo nível da Câmara Federal. O deputado que sequer deve conhecer o que é um telescópio ou nada sabe sobre astronomia ainda usa argumentos rasos e pseudos moralistas para justificar o veto, coisas do tipo “dinheiro desviado para a corrupção” e assim por diante. Fosse assim, nada seria feito nesse país, não se investiria em nada. É a política do atraso, que por fazer oposição cega ao governo, destrói uma oportunidade única de desenvolver um setor. E ainda dizem que são a “opção para o desenvolvimento para o país”. Imaginem os demais....

  3. Mas 1 bilhão com esporte pode né? Lamentável esses políticos!

  4. Só resta uma palavra para resumir o quão obtusa é essa atitude de um deputado. RIDICULA. Será que ele não percebe a quantidade absurda de tecnologia que o país pode assimilar e quantos recursos, empregos e conhecimento ganharemos? Ou será porque nessa grande empreitada não será possível desviar os "10%" de praxe?

Comente, sua opinião é Importante!

PUBLICIDADE