PUBLICIDADE
NOVA CONFIGURAÇÃO

Assembleia Legislativa poderá formar sua primeira bancada evangélica

Reeleição de Sebastião Rezende e as entradas de Xuxu Dal Molim e Thiago Silva colocam número inédito de participação de evangélicos

Reinaldo Fernandes

Repórter

20/10/2018 15h12 | Atualizada em 21/10/2018 09h26

Assembleia Legislativa poderá formar sua primeira bancada evangélica

Reprodução/Internet

A Assembleia Legislativa poderá ter na próxima legislatura uma mini-bancada evangélica. A reeleição de Sebastião Rezende e as entradas de Xuxu Dal Molin e Thiago Silva somam número o suficiente para a classificação de grupo de deputados eleitos por representatividade de viés religioso. Caso ocorra, será a primeira vez que a Casa terá uma formação com esse cunho.

A eleição de Xuxu Dal Molim aumentou a representação de filiados ao PSC (Partido Social Cristão) na Assembleia Legislativa. Sebastião Rezende, que exercerá seu terceiro mandato de deputado estadual. A legenda de tamanho nanico chegou às eleições gerais impulsionada pelo bom desempenho nas eleições municipais 2016 em Cuiabá, com a eleição de dois candidatos para vereador. Ambos são membros da Assembleia de Deus.

Outro ponto em comum dos eleitos é a base eleitoral no interior de Mato Grosso. Sebastião Rezende vem de Rondonópolis e tem exercer a função de pastor na igreja. Xuxu Dal Molin teve sua base em Sorriso, onde também tem destaque em cargo de direção no templo em que cultua.

Thiago Silva é filiado ao MDB, antigo PMDB, e também tem lastro na vida política. Ele foi eleito para a Câmara de Rondonópolis em 2016. A atuação dos três em temas religiosos é tímida. O viés de suas crenças aparece mais em propostas de homenagem a membros de suas respectivas congregação.

No caso de Sebastião Rezende, houve manifestação pública da Assembleia de Deus em abril do ano passado. A direção da igreja evangélica saiu em defesa de seu fiel após citação do nome dele pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva, em lista de 33 parlamentares beneficiados por esquema de fraude na Casa.

A igreja rechaçou a declaração de que Rezende tenha participação de esquema recebimento de propina entre 2005 e 2009. O caso é investigado pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Relação

A aproximação da igreja com a cúpula política em Mato Grosso na década de 1980. O governo de Júlio Campos ajudou a Assembleia de Deus a reerguer o teto da sede estadual da igreja, o Grande Templo, após queda quando o obra estava em estágio de conclusão.

Desde então, as conversas entre líderes políticos e líderes evangélicos têm sido frequente, com lançamento de candidatos próprios ou com acordo para apoiar determinado candidato externo.

A eleição de três candidatos nas eleições 2018 foi favorecida tanto pelo histórico com a cúpula político quanto pelo momento de afloramento de ideias pelo qual passa o Brasil. Mas, o analista político Onofre Ribeiro diz não ver força da igreja para emplacar um viés religioso nos trabalhos no Legislativo.

“É a primeira vez que Mato Grosso poderá formar uma bancada no Legislativo com membros evangélicos. Mas, não hoje a função deles lá. Não sabemos o que eles pretendem e qual linha de trabalho em comum”.

Ele questiona a justificativa de que o número de evangélicos eleitos represente em Mato Grosso maior manifestação de conservadorismo. “Mato Grosso sempre foi conservador, não é de hoje. O momento pelo qual dizem que o país está passando não tem reflexo em Mato Grosso. Não creio que seja uma intensificação”.

.

Comente, sua opinião é Importante!

PUBLICIDADE