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CRISE FINANCEIRA E PRISÕES

Nilson Leitão admite desgaste da imagem de Taques após operações

Líder tucano na Câmara Federal, deputado federal diz que "ter que se explicar" atrapalhará reeleição de Taques

Camilla Zeni

Jornalista

14/05/2018 09h37 | Atualizada em 14/05/2018 15h07

Nilson Leitão admite desgaste da imagem de Taques após operações

George Gianni

O deputado federal Nilson Leitão (PSDB) afirmou que as recentes notícias em decorrência das investigações das Operações Bereré e Bônus, sobre o desvio de recursos do Detran, irão sim atrapalhar no processo de reeleição do governador Pedro Taques (PSDB). A declaração vai de encontro com a avaliação do próprio Taques, que na semana passada afirmou que apenas a população pode decidir sobre a imagem de sua gestão. Apesar disso, Leitão afirma que outros problemas da gestão também podem ser sinônimos de dificuldade nas urnas.

Para o deputado, não é apenas a situação jurídica que mancha a imagem da gestão atual, mas uma série de dívidas que podem contribuir para a diminuição de aliados do governo. No entanto, ele avalia que o fenômeno não é exclusivo de Mato Grosso.

“Em Mato Grosso ou em qualquer lugar do Brasil, quem está no governo está passando um momento difícil. Não tem como negar essa dificuldade. Dificuldade porque não tem dinheiro, dificuldade porque em Mato Grosso Pedro herdou um governo com muitos problemas”, afirmou Leitão, em entrevista à Rádio Capital FM, nesta segunda-feira (14).

Segundo ele, a situação financeira se agravou porque Taques cumpriu com a promessa de campanha. “Ele falou que ia cumprir todas as leis aprovadas em Mato Grosso e todas as leis têm um impacto financeiro enorme, R$ 1 bilhão da folha, um monte de recursos em contrato, divida da Copa do Mundo, tá pagando o vlt, tá pagando estádio sem poder usar. Enfim, a bomba relógio que foi preparada pro mandado seguinte, que o Pedro assumiu, obviamente tem dificuldades de governar com qualidade e tranquilidade. É bilhões com Bank of America, bilhões com dívida não sei de onde. Bilhões com aumento de folha. Tudo isso atrapalhou”, afirmou.

Além da crise econômica, o deputado também comentou sobre os mais recentes escândalos envolvendo o nome “Taques”, que estamparam os noticiários na semana passada.

“Eleição boa é aquela que você tem que propor, não explicar, e é claro que isso atrapalha”, ponderou o tucano.

Apesar de considerar que Taques não possui “outro concorrente” ao governo, Leitão avalia que o governador Pedro Taques deverá enfrentar algumas dificuldades no caminho à reeleição, principalmente porque o que se estampa nos noticiários atualmente são pautas judiciais envolvendo o governo.

“A política de Mato Grosso, e não só de Mato Grosso, mas do Brasil e alguns lugares... o que se tem de notícia nova não está extraído da política, mas extraído da justiça. E é claro que isso não colabora, atrapalha. Sempre atrapalha. A ocasião não permite debater o que vai se fazer para 2019”, observou.

Irmãos Taques e os desvios no Detran

Na quarta-feira passada (9), o ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques e seu irmão, o advogado Pedro Jorge Taques, foram presos pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nas ações da Operação Bônus, um desdobramento da Operação Bereré, que investiga desvios de dinheiro do Detran.

Além deles, o deputado Mauro Savi (DEM) e os empresários Roque Anildo Reinheirmer, Claudemir Pereira dos Santos e José Kobori também foram presos.

Em delação firmada com o Ministério Público, Kobori, considerado pivô na operação, afirmou que pagou R$ 2,6 milhões a Paulo Taques.

As investigações também apontaram que, ao todo, o grupo teria movido cerca de R$ 30 milhões em pagamento e recebimento de propina.

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