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DELAÇÃO JBS

PF encontra mensagens de Miller e aponta ligação com gabinete de Janot

Um relatório da PF afirma que integrantes da PGR tinham "ciência de que Miller estava atuando de forma indireta nas negociações da colaboração premiada"

13/09/2017 16h54 | Atualizada em 13/09/2017 16h56

PF encontra mensagens de Miller e aponta ligação com gabinete de Janot

Reprodução/Internet

A Polícia Federal encontrou no celular de Wesley Batista, presidente-executivo e sócio da JBS, uma série de mensagens que reforçam a atuação do ex-procurador Marcello Miller a favor da empresa quando ainda atuava no Ministério Público.

Um relatório da PF afirma que integrantes da PGR (Procuradoria-Geral da República) tinham "ciência de que Miller estava atuando de forma indireta nas negociações da colaboração premiada".

O ex-procurador fazia parte de um grupo de Whatsapp com diretores e delatores da JBS. Ele só se manifestou no grupo, porém, no dia 4 de abril, seu último dia de trabalho no Ministério Público no Rio.

Outras mensagens, porém, mostram que ele já orientava o acordo de delação desde março.
Um dos diálogos revela que ele foi convidado a ir para a reunião, em 28 de março, em que os empresários assinaram o termo de confidencialidade com a PGR se comprometendo a dar início às tratativas da delação.

"Amanhã ele tem expediente no atual emprego dele e não pode não", disse Francisco de Assis e Silva, executivo e advogado da JBS, também delator.

Em outra mensagem, porém, ele afirmou "estou tentando levar o Marcello amanhã". Não fica claro se o ex-procurador esteve ou não presente na PGR no dia 28 de março.

Segundo a PF, as mensagens evidenciam "a participação de Marcello Miller como peça fundamental no êxito do acordo".

Para a polícia, a JBS cooptou um agente público para lograr êxito em uma delação que lhes garantiu imunidade.

"O que impressiona é o fato de que a cooptação de Miller ocorre no momento em que supostamente os investigados se apresentavam às autoridades públicas com uma proposta baseada fundamental em um duplo alicerce: arrependimento, diga-se dispostos a não mais delinquir, e propensos a colaborar de forma efetiva".

A polícia sustenta que houve no mínimo a promessa de vantagem ilícita, apontando o crime de corrupção passiva e ativa.

A PF ainda conclui que o advogado Francisco de Assis e Silva mentiu em depoimentos quando disse que Miller não havia participado do acordo de delação.

Outro lado

Por meio de nota, a PGR afirma que "não procedem as informações" e que não tem conhecimento do relatório da PF.

O órgão diz que "trata-se de conversas de terceiros fazendo suposições sobre a atuação de integrantes do Grupo de Trabalho que auxiliam o procurador-geral da República nos processos da Lava Jato perante o Supremo Tribunal Federal".

A PGR alega que os fatos veiculados mostram "que foi frustrada a tentativa dos advogados dos colaboradores de misturar indevidamente negociações de colaboração premiada e leniência. A PGR, de fato, negociou as colaborações (matéria penal), firmadas em maio, e a Procuradoria da República no DF conduziu as tratativas de leniência (matéria cível), cuja conclusão ocorreu em junho deste ano".

Linha do tempo

A PF coloca em seu relatório uma linha do tempo da participação de Miller.

1) 17 de março: Ricardo Saud afirma que estaria "jeitando" a situação empresarial com Marcello Miller
2) 27 de março: Wesley pede a presença de Miller na reunião que ocorreu no dia 28 de março na PGR para assinatura de termo de confidencialidade
3) 31 de março: ocorre provável reunião entre Miller e os advogados Francisco de Assis e Silva e Fernanda Tórtima
4) 3 de abril: Marcello trata com o DOJ (Departamento de Justiça dos EUA) por telefone o acordo de leniência
5) 4 de abril: último dia de Marcello como procurador, dando orientação para a colaboração e a leniência em um grupo de Whatsapp com diretor e delatores da JBS
6) 5 de abril: data em que é exonerado do Ministério Público, Miller se reúne com Wesley no aeroporto do Galeão antes de embarcar para os Estados Unidos para tratar de leniência com o DOJ
7) 6 de abril: Miller participa de reunião no DOJ defendendo interesses da JBS na leniência

FONTE: Folhapress

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