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OPERAÇÃO CONVESCOTE

Gaeco desarticula organização que teria saqueado AL

No total, são onze mandados de prisão de servidores do Legislativo e Judiciário, funcionários da Faesp e empresários

Airton Marques

Editor Adjunto

Jefferson Oliveira

Jornalista

Sandra Carvalho

Editora

20/06/2017 07h42 | Atualizada em 21/06/2017 14h16 1 comentario

Gaeco desarticula organização que teria saqueado AL

CircuitoMT

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) deflagrou na manhã desta terça-feira (20) a Operação Convescote para apurar os crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de capitais e corrupção ativa.



A operação visa desarticular uma organização criminosa que atuou para saquear os cofres públicos, notadamente recursos públicos da Assembleia Legislativa e Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), por intermédio da Faesp (Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Estadual).

A Faesp assinou convênio com a Assembleia Legislativa em 2015 e 2016 por R$ 40 milhões para fornecer auditores e profissionais especializados para auxiliar no funcionamento das comissões parlamentares, especialmente as CPIs. A suspeita é que parte desse dinheiro foi desviada para deputados e servidores.

No total, de acordo com a assessoria do Ministério Público Estadual (MPE), são 11 mandados de prisão preventiva em Cuiabá, Várzea Grande e Cáceres. Todos eles expedidos pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital. Entre os alvos dos mandados de prisão estão servidores do Tribunal de Contas e do Poder Judiciário, funcionários da Faesp e empresários.



Além disso, os membros do Gaeco cumprem 16 mandados de busca e apreensão e quatro de condução coercitiva.
Além dos policiais civis e militares, promotores de Justiça e delegados de polícia do Gaeco, estão participando do cumprimento dos mandados judiciais policiais do batalhão de operações policiais (Bope), Batalhão de Ronda Ostensiva Tático Metropolitana (Rotam), Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA), Força Tática de Cáceres e Várzea Grande, totalizando mais de 100 agentes envolvidos na deflagração da operação.

Atualizada às 08h25min.

Os investigados presos e conduzidos coercitivamente estão sendo levados para a sede do Gaeco, em Cuiabá. Até o momento, três funcionários da Faesp já estão no prédio do órgão.

Veja vídeo da movimentação no Gaeco:

Atualizada às 08h38min.

O servidor da Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Estadual (Faespe), Lázaro Romualdo Gonçalves Amorim é um dos alvos da operação. Ele foi conduzido coercitivamente para a sede do MPE-MT e deve ser ouvidos pelos promotores do Gaeco. Outro conduzido é o empresário M. M. M., que teria aberto uma empresa de fachada na região do CPA para a realização do esquema.

Atualizada às 09h30min.

O ex-vereador por Cuiabá, Paulo Sérgio Serafim de Oliveira, conhecido como Paulinho Brother, e sua esposa, Karinny Muzzi, também foram detidos pelo Gaeco durante o cumprimento dos mandados.

Um mandado de prisão foi expedido contra Karinny. Segundo informações, ela é acusada de participar do esquema de desvio de dinheiro público da Assembleia e do TCE-MT por meio de contratos com a Faespe.

Durante as buscas na residência do casal, os agentes encontraram uma arma sem registro, de posse do ex-parlamentar e por isso ele deve ser detido também.

Ao Circuito Mato Grosso, Paulinho assumiu ser dono da arma, mas disse não saber qual o motivo do mandado expedido contra sua mulher.

“Vamos tomar conhecimento das coisas primeiro para poder dar informações. Não sabemos do que se trata. Eles vieram cumprir o mandado contra a minha mulher, durante as buscas eles encontraram a minha arma e devo ser levado por porte ilegal. Nós não vamos esconder nada de ninguém, vamos esclarecer tudo o que for preciso”, disse à reportagem.

Sobre a posse da arma, o ex-vereador afirmou que tinha por segurança. “Eu tenho essa arma para minha segurança e da minha família”, explicou ele dizendo que os agentes ainda estavam fazendo buscas na casa.  

Atualizada às 10h43. 
A assessoria de comunicação do TCE-MT emitiu uma nota esclarecendo não tem relação com a gestão da Faespe e que em relação aos funcionários da Corte que tiveram mandados cumpridos, o Tribunal não fará nenhum prejulgamento por considerar natural a apuração das denúncias. Por fim, afirmou que como instituição, o TCE-MT não estaria sujeito a práticas de corrupção.

Leia na íntegra:

"Nota de Esclarecimento

O Tribunal de Contas de Mato Grosso esclarece que a Operação Convescote, deflagada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado – Gaeco, nesta terça-feira (20/06), não guarda relação com a gestão da instituição, pois, conforme já divulgado, trata-se de apuração de convênio celebrado entre a Faespe e outro ente público.

Antecipa que não fará prejulgamento em relação ao envolvimento de servidores na investigação em curso, porquanto entende como natural e próprio da democracia a apuração de denúncias por parte dos órgãos de controle e da esfera judicial.

Observa, por outro lado, que a instituição Tribunal de Contas está acima de qualquer eventual desvio de conduta praticado por seus membros ou seus servidores, devendo, cada um, responder por seus atos.

Secretaria de Comunicação do TCE-MT"

Atualizada às 11h03.

Paulinho acaba de chegar ao Gaeco, conduzido pelos agentes que cumpriam o mandado de prisão em sua casa. Sozinho, ele deve prestar esclarecimentos sobre a arma sem registro encontrado durante as buscas na residência do ex-parlamentar.
Aos repórteres ele voltou a afirmar que ainda não tem conhecimento do que se trata a operação, na qual a sua mulher teve um mandado de prisão expedido e cumprido ainda nesta manhã.

Veja abaixo o vídeo da chegada de Paulinho:

Atualizada às 11h30min.

O advogado Carlos Frederick, que faz a defesa da servidora do TCE-MT, Karinny Muzzi, e também do seu esposo, o ex-vereador Paulinho Brother, afirma que não constam nos mandados os fatos imputados.

"Viemos agora justamente para buscar essa informação junto ao Gaeco. Fui ao Fórum e recebi a informação de que a audiência de custódia será à tarde. Estou defendendo ela e agora o ex-vereador Paulinho Brother, que foi preso por porte ilegal de arma durante a busca e apreensão na residência do casal. Tudo o que a gente sabe até agora de acusação foi pela mídia. Nos mandados não constam os motivos, apenas a prisão e busca e apreensão. Ela trabalha no Tribunal de Contas e provavelmente deve ter alguma relação, mas provavelmente tudo é especulação. Queremos saber os motivos da prisão preventiva para que a gente possa combater, porque desde o início minha cliente nega possíveis acusações até pela conduta dela.

Atualizada às 11h35min.

Éder Gomes, presidente dos oficiais de justiça de Mato Grosso, foi um dos presos na operação. Além dele, o ex-secretário de Administração de Várzea Grande, Marcos José da Silva, também foi levado ao Gaeco.

Outro alvo é o oficial de Justiça do TCE-MT, Claúdio Roberto, que já chegou a sede do órgão.

Erramos

O Circuito Mato Grosso se equivocou ontem ao publicar o nome do autidor de controle externo do Tribunal de Contas do Estado (TCE) como sendo uma das pessoas na lista do Gaeco e alvo da Operação Convecoste. Ontem mesmo, assim que percebemos a falha, fizemos a correção do texto. O nome correto é Lázaro Romualdo Gonçalves Amorim. A direção do Circuito Mato Grosso lamenta e reafirma o seu compromisso com a melhor informação e que não houve nenhuma intensão de macular a imagem de quaisquer pessoas. Lázaro da Cunha Amorim é Auditor de Controle Externo há 29 anos, conhecido dentro e fora do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso pela sua honestidade, retidão, seriedade, caráter e competência, e pedimos desculpas pelos eventuais aborrecimentos causado a ele na data de ontem.

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