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PROPINA DA JBS

Delator revela pagamento de dívida de R$ 7,5 milhões de Silval

Wesley Batista prestou depoimento à PGR e envolveu ex-governador com o pagamento de R$ 30 milhões de propina

Airton Marques

Editor Adjunto

19/05/2017 16h40 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Foto: Ahmad Jarrah/CMT

O empresário Wesley Batista, um dos donos da JBS, revelou, em sua delação no âmbito da Operação Java Jato, o pagamento de uma dívida de R$ 7,5 milhões do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

O depoimento em que detalha a relação com o Governo do Estado foi prestado no dia 4 de maio de 2017, na sede da Procuradoria-Geral da República. A delação do empresário e de seu irmão, Joesley Batista, foi homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, nesta quinta-feira (18).

Conforme Wesley, o pagamento foi descontado do valor em que o grupo pagou de propina ao ex-governador, em troca da redução do percentual de impostos pagos pela JBS ao Governo. O empresário disse que nos anos de 2011, 2012 e 2013 pagou cerca de R$ 30 milhões. A JBS tem onze frigoríficos em Mato Grosso.

O empresário disse que em certo dia foi procurado por Silval, que demonstrava preocupação.

“Um dia o governador me ligou apavorado, dizendo que precisava falar comigo urgente. Eu o atendi na minha casa. Se não me fala a memória, era em um final de semana e ele estava apavorado, pois ele devia dinheiro a um ‘cara’. Parece que ele tinha tomado um dinheiro no banco para emprestar ao Silval e a dívida do ‘cara’ tinha vencido no banco, e o governador não tinha pago. O ‘cara’ parece que estava ameaçando o governador”, afirmou.

Conforme o depoimento, a dívida de Silval era com o dono da empresa Agropecuária Carolmila Ltda.

“Ele apareceu na minha casa apavorado, dizendo que eu precisava ajuda-lo a resolver um problema. Coincidentemente, nós tínhamos comprado uma transportadora e os ativos frigoríficos dessa pessoa que havia emprestado o dinheiro a ele. A dívida era de R$ 7,5 milhões”, declarou. 

“Depois de ele me pedir, encarecidamente, para pagar esse ‘cara’ e descontar do acerto que nós tínhamos com ele, eu concordei em pagar. Adicionamos esse valor no preço da compra da transportadora que nos compramos”, pontuou.

Cobrança de propina

De acordo com Wesley, no início do segundo mandato de Silval, em 2011, o ex-governador decidiu mudar o sistema tributário de diversas empresas instaladas no Estado, entre elas, a JBS.

“Durante os oito anos em que Blairo [Maggi] foi governador, ele estabeleceu um regime de recebimento do Estado por estimativa. Ele estabelecia um valor fixo por cada empresa, que abriam mão de todos os créditos que tinham direito para pagar um valor fixo. Não tinha discussão, pois funcionou muito bem”, afirmou. 

“Quando Silval assumiu em 2011, ele acabou com esse regime de estimativa e algumas empresas ficaram sujeitas a pagar um imposto que dava uma alíquota efetiva de 3,5%. Mas, foi quando começou a surgir um problema”, completou.

Conforme o depoimento, com a mudança, um pequeno grupo de empresas enquadradas no Prodeic (Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso) começaram a ter mais benefícios do que a JBS.

Foi então, que Wesley veio a Cuiabá e se reuniu com Silval, no Palácio Paiaguás.

“Naquela época, havia sete fábricas de diversas empresas que tinha o incentivo do Prodeic, que dava a essas fábricas um incentivo muito maior do que as outras. Eu fui pessoalmente ao gabinete do governador em Cuiabá e falei: ‘governador, do jeito que está agora será impossível [continuar], pois tem uma meia dúzia de fábricas com Prodeic, que vão pagar de 0 a 1% e a maioria pagando 3,5%. Se criou uma situação de desequilíbrio no setor’”, relatou.

Segundo o delator, Silval afirmou que poderia resolver o problema da JBS, no entanto, o grupo teria que pagar uma porcentagem de propina.

“O governador e o secretário Pedro Nadaf sugeriram que nós fizéssemos um levantamento de quanto a empresa abriu mão de crédito (quando era por estimativa) nos últimos anos e que daria isso como um crédito”.

Segundo o delator, Silval queria que a propina fosse estipulada em 30% do valor total de benefícios a serem dados à JBS – R$ 70 milhões. Percentual que não teria sido aceito por Wesley.

“No final das contas era acertar ou ficar pagando 3,5%, enquanto os outros pagavam de 0 a 1%. Eu acertei ao redor de R$ 10 milhões de propina, para aquela oportunidade – que dava ao redor de 15%”, afirmou. 

Wesley revelou que a propina foi paga nos anos de 2011,2012 e 2013. Os pagamentos foram feitos por meio de dinheiro vivo e até em notas fiscais fraudadas, segundo o delator.

“Foram pagos de diversas formas. Em dinheiro vivo, por meio de notas fiscais frias que eles arrumavam, indicando as empresas - nós temos esses documentos. Parte era pago por doleiro a terceiros que eles indicavam - ai, nós não temos esse registro hoje”, declarou, revelando que um integrante da JBS era responsável por procurar um doleiro para realizar os pagamentos.

Veja trecho do depoimento de Wesley Batista à PGR:

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