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ESCÂNDALO DOS GRAMPOS

Ex-secretários podem ser convocados pela AL sobre grampos

Presidente da AL, Eduardo Botelho disse que Mauro Zaque e Fábio Galindo podem ser ouvidos por parlamentares

Airton Marques

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16/05/2017 08h21 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Foto: José Medeiros/GCOM MT

Os ex-secretários de Estado de Segurança Pública (Sesp), Mauro Zaque e Fábio Galindo, podem ser convocados pela Assembleia Legislativa para darem esclarecimentos sobre a denúncia da existência de suposta central de interceptações telefônicas ilegais, na Polícia Militar de Mato Grosso.

Na denúncia feita à Procuradoria Geral da República (PGR), o promotor de Justiça Mauro Zaque afirmou que o governador Pedro Taques (PSDB) foi informado quanto a arapongagem que seria realizada por policiais militares e envolveria integrantes do Executivo estadual.

Zaque ainda declarou que pode provar o governador foi avisado pessoalmente por ele, uma vez que tem como testemunha o ex-procurador de Justiça, Fábio Galindo, seu então secretário-adjunto na Sesp.

Um dos alvos das interceptações telefônicas ilegais seria a deputada estadual Janaina Riva (PMDB), que faz oposição ao Governo Taques, no Legislativo. De acordo com Botelho, a suposta arapongagem é um atentado contra a democracia que deve ser apurado com rigor pelas autoridades.

“Grampo ilegal é um grande atentado contra a nossa democracia. Como cidadão e como presidente deste Poder, não posso admitir que isso ocorra em Mato Grosso, especialmente contra uma representante eleita, no caso da colega deputada Janaína Riva”, disse por meio de nota. 

“Vamos atuar em defesa da integridade da parlamentar e de qualquer outro deputado que possa ter sido vítima dessa situação. Já convoquei uma reunião do Colégio de Líderes para esta terça-feira (16) para debater o assunto e definir as providências a serem tomadas”, completou.

CPI

O presidente do Legislativo ressaltou que a deputada Janaina Riva tem autonomia em propor a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a suposta central de interceptações.

De acordo com Botelho, caso a deputada consiga apoio dos demais parlamentares, a CPI irá ser instaurada.

“Propor uma CPI é um direito da deputada Janaína e se ela conseguir reunir as assinaturas suficientes, eu, como presidente, vou cumprir com meu dever e instaurar a comissão. Porém, já estamos trabalhando para trazer luz às denúncias apontadas. Alguns parlamentares já defendem que possamos ouvir os promotores que naquele momento respondiam pela Secretaria de Segurança”, disse Botelho.

A Assembleia Legislativa foi informada pela imprensa de que assessores parlamentares também foram alvos de escutas irregulares. Sobre o assunto, a Mesa Diretora informou que vai apurar os fatos para posteriormente se posicionar.

Os “grampeados”

A “arapongagem”, de acordo com a denúncia, tinha entre outros alvos, o nome da deputada Janaina Riva (PMDB), do advogado José do Patrocínio e do jornalista José Marcondes dos Santos “Muvuca”.

A suposta quebra de sigilo telefônico ilegal era feita por meio de um esquema conhecido como “barriga de aluguel”, em que números de telefones de pessoas sem conexão com uma investigação são inseridos em um pedido judicial de quebra de sigilo telefônico.

Além da deputada Janaina Riva, do jornalista José Marcos dos Santos “Muvuca” e do advogado José do Patrocínio, a lista de números telefônicos supostamente grampeados clandestinamente pela Polícia Militar de Mato Grosso também traz contatos de servidores da Assembleia Legislativa, ex-secretário adjunto da Capital, assessores parlamentares e até de um ex-desembargador do Tribunal de Justiça (TJ-MT).

A suposta arapongagem em Mato Grosso teve repercussão nacional na noite deste domingo (15), quando foi revelado que Janaina, Muvuca e Patrocínio tiveram o sigilo telefônico quebrado por meio de um esquema conhecido como “barriga de aluguel”, em que números de telefones de pessoas sem conexão com uma investigação são inseridos em um pedido judicial de quebra de sigilo telefônico.

Neste caso, os contatos foram inseridos no pedido de quebra de sigilo telefônico no âmbito de investigação de tráfico internacional de drogas.

A lista de grampeados é composta, até mesmo, por uma empresária que teria tido um relacionamento amoroso com o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques – exonerado na última quinta-feira (10) -, Tatiane Sangalli.

Outros que integram a lista são: o atual secretário municipal de Trabalho e Desenvolvimento Humano de Cuiabá, Vinicius Hugueney (PP); o assessor do deputado Wagner Ramos (PR), Eduardo Gomes Silva Filho; o assessor especial da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Romeu Rodrigues da Silva; a jornalista Larissa Malheiros Batista; a filha do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, Kely Arcanjo Ribeiro Zen; os servidores da Assembleia Legislativa, Mario Edmundo Costa Marques e Carlinhos Bergamasco (já falecido); desembargador aposentado José Ferreira Leite; e a gerente de Inteligência e Contra Inteligência da Casa Militar, Claudia Rodrigues de Gusmão.

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