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Bicheiro é condenado à 19 anos de prisão por morte de empresário

O Tribunal do Júri condenou o bicheiro João Arcanjo Ribeiro a 19 anos de prisão pelo assassinato do empresário Domingos Sávio Brandão, dono do jornal Folha do Estado, ocorrido em 30 de setembro de 2002. Quatro dos jurados consideraram o réu culpado e três não foram convencidos pelo Ministério Público e votaram pela absolvição. 

25/10/2013 10h48 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Arcanjo foi considerado culpado de homicídio qualificado (incapacidade de defesa da vítima) com o agravante de ter sido apontado como o mandante do crime - motivado por denúncias que vinham sendo publicadas contra si no jornal.
Familiares do empresário que compareceram ao fórum comemoraram a decisão. A defesa do bicheiro também procurou demonstrar contentamento, em razão da possibilidade de progressão da pena.
O promotor João Augusto Gadelha disse que esperava uma punição mais severa. "No mínimo, acima de 20 anos", disse, ao final do julgamento.
Sávio Brandão foi morto a tiros em frente ao canteiro de obras da atual sede da publicação, no bairro Consil.
A ação foi executada pelo PM Hércules Araújo e o ex-policial Fernando Belo, tendo como intermediários o soldado Célio Alves, também da PM, e o então cobrador de Arcanjo, João Leite. Todos já foram condenados pela participação no crime.
Ouvido no julgamento, o bicheiro se declarou inocente. "Estou sofrendo muito, não devo nada e quero que se resolva esta situação. Eu não sei por que o mataram [Brandão], mas uma verdade eu sei: não fui eu. Eu não tenho as mãos sujas de sangue. Não tem um crime de homicídio na minha vida", disse.
Questionado sobre as reportagens que, segundo a acusação, teriam motivado uma trama de vingança, Arcanjo disse que o conteúdo dos textos jamais o ofendeu. "Eu não me sentia atingido. Falavam que eu era bicheiro. E eu era mesmo. Que eu era agiota e garimpeiro. Nunca liguei".
A defesa de Arcanjo se concentrou em demonstrar que faltavam provas para ligá-lo direta ou indiretamente ao crime. O cabo Hércules, que chegou apontar o bicheiro como o mandante, mudou mais tarde a sua versão.
"Esta acusação é uma farsa. Atribuíram uma paternidade a ele, mas faltou o DNA. Construíram um corpo e uma cabeça, mas não acharam o pescoço", disse o advogado Zaid Arbid.
Gadelha avaliou como natural a inexistência de provas diretas em crimes de mando.
“O mandante nunca trata diretamente com o executor. Arcanjo estava no ápice. Hércules na base. Eles nunca se encontraram para tratar do assunto. Isso era tarefa dos intermediários”, disse.
O promotor disse não ter dúvidas da motivação do bicheiro. “O Sávio Brandão estava incomodando. Arcanjo pode não ter sujado as mãos, mas com certeza mandou alguém sujar.”





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