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CASO DE POLÍCIA

Jornalista denuncia assédio no CREA-MT; ouça o diálogo

A jornalista foi ameaçada de demissão caso passasse algum tipo de informação para opositores da atual gestão do órgão, que terá eleições nesta quinta

Da Redação

Equipe

28/09/2020 14h39 | Atualizada em 30/09/2020 09h54 19 comentarios

Jornalista denuncia assédio no CREA-MT; ouça o diálogo

Reprodução/Internet

A jornalista Cristina Cavaleiro Costa registrou, na última quinta-feira (24), um boletim de ocorrência na Polícia Civil contra o superintendente executivo do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (CREA-MT), Átila Kleber Oliveira Silveira, por constrangimento ilegal. O caso gira em torno da eleição pela presidência do órgão, que será realizada em 1º de outubro.



Segundo a denúncia, a profissional de comunicação disse que foi convocada por Átila para ir até o seu gabinete e que, em seguida, passou a ser questionada depois de fazer uma entrevista com uma engenheira que faria grupo de oposição ao atual presidente do CREA-MT , João Pedro Valente, que está licenciado para concorrer à reeleição.

Átila Kleber Oliveira Silveira, executivo do CREA-MT

A conversa foi gravada por Cristina e o Circuito Mato Grosso teve acesso a transcrição do áudio. A vítima alegou que decidiu registrar o encontro por se sentir pressionada pelo investigado e que já tinha sido abordada de forma incisiva pelo executivo em outras oportunidades.

De acordo com a gravação, Átila Silveira deixou claro que, durante o período eleitoral, a jornalista deveria ‘ficar esperta’ e reportar a ele ou ao presidente do CREA/MT em exercício, Joaquim Paiva, tudo o que fosse solicitado pelo comitê eleitoral, no que tange à assessoria de imprensa para que ele decidisse se era ou não para atender.



“Fale com Paiva, fale comigo para saber se pode ou não pode. Tira o seu da reta, tá? Sempre assim, tira o seu da reta...”, disse o superintendente executivo.

Jornalista Cristina Cavaleiro

Logo depois, o denunciado deixou claro à jornalista que a conversa estava acontecendo a pedido do presidente licenciado da instituição. Ele disse ainda que Cristina não deveria passar nenhum tipo de informação para os opositores e que ela poderia ser demitida caso descumprisse as determinações estabelecidas.

“Vai que o João (Valente) vai lá e entende que vocês estão assim (unidos). Ele volta aqui ... e fala assim, obrigada Cris, pela sua contribuição”.

Conforme o boletim de ocorrência, Cristina tentou explicar ao superior que, como assessora de imprensa, deveria atender aos interesses institucionais e solicitações do CREA/MT, mas acabou sendo rebatida por Átila, que argumentou ser obrigação da profissional atender aos interesses da ‘gestão’.

“O que for feito, tome cuidado. Porque muitas vezes você está falando assim: eu estou cumprindo meu papel. Mas não é somente esse papel que você tem que cumprir... Seu papel é fazer as comunicações que a gestão pede. As demandas é da gestão (sic)”, alertou. 

Além da queixa registrada na Polícia Civil, Cristina Cavaleiro ingressou também com um pedido de instauração de sindicância junto ao órgão contra o superintendente Átila Kleber de Oliveira Silveira. A cópia do registro de ocorrência, a transcrição da conversa também foi anexada ao ofício protocolizado.

O pedido foi distribuído com cópia para todos os conselheiros membros do plenário do CREA/MT para que seja instaurado o processo administrativo disciplinar.

A vítima pediu que o órgão tome providências para evitar que novos casos dessa natureza se repitam futuramente.

Ouça o diálogo:

 

Outro lado

Procurado pelo Circuito Mato Grosso, Átila disse, por meio de um comunicado, que as gravações feitas por Cristina são clandestinas e que estranha o fato da jornalista revelar o caso às vésperas do pleito eleitoral no órgão, já que a situação teria ocorrido em março.

Confira a nota na íntegra: 

“Eu, Átila Kleber Oliveira Silveira em direito de resposta, tomei conhecimento no dia 18/09/2020, por meio de artigos jornalísticos e também por amigos, da existência de uma gravação clandestina, feita a partir de uma conversa reservada e moderada que havia estabelecido com uma colaboradora do Crea-MT. Nesse diálogo explanei minha preocupação com o momento eleitoral do Conselho e as atividades da colaboradora, já que ela possui cargo de confiança (Assessora de Comunicação da Gestão).

Na oportunidade, pedi para que a colaboradora tomasse cuidado em não veicular matérias que pudessem de alguma forma privilegiar um ou outro candidato, pois as publicações institucionais devem ser imparciais durante todo o processo eleitoral, até porque em qualquer estado democrático de direito, toda gestão possui uma oposição, a qual poderiam se valer dessas matérias.

Essa conversa foi realizada em 06/03/2020 (07 meses) atrás, e publicizada pela colaboradora como suposto constrangimento ilegal às vésperas das eleições do Conselho, que ocorrerá em 01/10/2020. Penso que poderia me reservar, sem a necessidade de exercer o direito do contraditório, mas em respeito ao Conselho, órgão que aprendi a ter apreço e respeito, casa de todos os engenheiros e profissionais da geociência, em respeito à minha imagem, e a tudo que eu prego no ambiente do trabalho “respeito com o próximo”, entendo necessário registrar o que segue:

Na conversa do áudio, ora editado, pois não apresentasse na íntegra, e clandestino, pois feito sem o consentimento da outra parte, não há qualquer constatação de coação ou sujeição que pudesse a colaboradora tomar tal postura ressaltando que, causa estranheza, pois durante os 7 meses da data do fato as partes desenvolveram uma relação harmônica e respeitosa.

Assim, para ponderar sobre os fatos ocorridos, e verificar qualquer exacerbação dos meus atos, tentei avistar no áudio publicado qualquer desabono em desfavor da colaboradora, que se identificado, eu estaria sem qualquer receio ou orgulho fazendo a devida retratação, porém, verifica-se que a conversa, ora reservada, foi conduzida com parcimônia, ponderação, direção e orientação das atividades que a colaboradora deveria exercer.

Cabe ainda destacar que as matérias feitas pela assessoria de comunicação, em regra, possuem o fluxo de serem revisadas pela gestão, seja pelo presidente, superintendente ou gerente da área, portanto a solicitação para a colaboradora, não possui nenhuma exceção à regra. Conforme visto na gravação, a abordagem e o desenvolvimento da conversa foram procedidos nos limites da chefia, sem qualquer intimidação ou algo que pudesse trazer constrangimento ilegal à colaboradora.
 
Afinal, desde que o Conselho retornou com suas atividades presenciais, a colaboradora não se apresentou ao posto de trabalho, alegando comorbidade e risco de contágio pelo Covid-19, através de atestados médicos. Nesse sentido, a gestão pautada pelo respeito à saúde e a dignidade da pessoa humana, colocou a colaboradora em trabalho remoto, estando afastada das atividades presenciais há 5 meses, de maio a setembro do ano, sendo lhe cobrada, tão somente, por sua produtividade e comprometimento ao trabalho.

Por fim, e preservação de direito realizei um Registro de Ocorrência de Crime Contra a Honra (calúnia), conforme protocolo 044118/2020 Delegacia Virtual de Mato Grosso, para com a isenção da Justiça, possamos trazer luz a verdade dos fatos. É o que tenho a expor.”

 

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19 COMENTÁRIOS

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  1. Gestão anterior que teve tanta coisa gravíssima e ninguém dá esse ibope. Vai entender!? Desvio de dinheiro público e assédio sexual e moral ninguém denuncia. Afinal o que está certo nesse Conselho?

  2. Funcionária incompetente, nem escrever sabe direito. Acostumada a só arranjar emprego através de indicação, nunca por competência, se prestando a um papel ridículo desse para prejudicar uma pessoa íntegra, trabalhadora e honesta que muito tem feito pelo Crea. Isso só mostra o desespero do candidato que ela apoia. Basta procurar as denúncias de assédio sexual contra esse candidato no ministério público. Coloquem os nomes dos candidatos no Google e vejam quem são. Chega desse tipo de gente no nosso conselho.

  3. Na moral, na sinceridade não tem nada demais nesse áudio. Infelizmente tem pessoas que acabam sendo influenciadas por outras pessoas. É momento de política e qualquer motivo vira argumento para atacar o adversário. Já teve tanta coisa pior nesse Conselho. Parece que as pessoas esquecem das coisas que são realmente graves como desvio de dinheiro e assédio realmente moral e até sexual.

  4. Quem conhece o Átila não embrulha e leva pra casa nem de graça.

  5. Sei lá, não fui com a cara desse carequinha. Vim aqui só pra comentar mesmo, tô sem fazer nada.

  6. Eu gosto de ler as matérias que surgem tantos comentários que passa a ser uma novela mexicana.

  7. Ouçam o audio e tirem suas próprias conclusões. Não houve nada de mais.

  8. O Átila é um Superintendente exemplar, educado e muito competente. Quem o conhece sabe. Quem fica inventando mentira para ganhar dividendos eleitorais merecem no mínimo a derrota. Ouçam o áudio e verão que não houve por parte dele assédio. Muito pelo contrário, um amigo e chefe, que estava orientando a mesma a não se envolver com essas questões políticas e honrar a ética da mesma. Cristina se queimou no meio jornalístico, no CREA e em todas as áreas da vida. Todos sabem a verdade. Não ganham votos por queimar uma pessoa ética e competente, diferente da galera que está no CREA :)

  9. O Átila é um Superintendente exemplar, educado e muito competente. Quem o conhece sabe. Quem fica inventando mentira para ganhar dividendos eleitorais merecem no mínimo a derrota. Ouçam o áudio e verão que não houve por parte dele assédio. Muito pelo contrário, um amigo e chefe, que estava orientando a mesma a não se envolver com essas questões políticas e honrar a ética da mesma. Cristina se queimou no meio jornalístico, no CREA e em todas as áreas da vida. Todos sabem a verdade. Não ganham votos por queimar uma pessoa ética e competente, diferente da galera que está no CREA :)

  10. Conheço pessoas que convive com esse Atila e dizem que ele quase não aparece para trabalhar, principalmente agora em época de eleição, o pessoal diz que ele deve estar se dedicando a campanha pra não perder a boquinha, ganhar sem trabalhar deve ser bom, mas é imoral, assim como essa conduta adotada contra uma Mulher Jornalista. Quem não consegue emprego pelos próprios méritos não é capaz de valoriza-los. Postura típica de um muleque mimado.

  11. A competência desse cara condenado pela justiça por agredir um promotor é tanta, que seu pai teve que intervir pra arrumar uma vaga de trabalho pra ele no Conselho. E agora está se mostrando realmente como é incompetente de uma falta de profissionalismo gigante assediando uma Mulher Jornalista e pior usando esse canal para denegrir a Mulher, posição típica de um cafajeste. Sinceramente espero que esses fatos possam ser apurados e comprovando o ilícito que esse ASSEDIADOR POSSA RECEBER A RESPOSTA QUE MERECE DA JUSTIÇA.

  12. Lembro desse cara na faculdade, um filhinho de papai briguento, se sentia melhor que os outros porque o pai dele tinha dinheiro. Arrogante, metido e sem noção isso define bem esse cara. Com certeza deve ser um péssimo colega de trabalho, sua conduta mostra que o tempo não serviu de nada para que melhorasse como pessoa. Tenho dó dessa moça, com certeza será perseguida por essa psicopata, que não medirá esforços para tentar senti-la. ESSE É O PERFIL DO CRÁPULA.

  13. O AGRESSOR é colocado pra fora de uma sala de reunião e tem seu "trabalho" questionado em plena reunião de Conselheiros, onde foi afirmado que todo problema que prendia o sistema de trabalho estava no setor onde é responsável é no mínimo estranho ver sua preocupação com o trabalho de uma mulher AGREDIDA. Ele prestou para o trabalho até denunciar, entendi. Que situação em seu Lambão. Essas minhas afirmações poderem ser provadas igual o áudio é só pedir cópia da ata da reunião plenária ou o áudio.

  14. Típica postura de um delinquente, para tentar desconstituir uma conduta abusiva fala mal da mulher, que papelão. Isso é bem típico de pessoas sem caráter, desordeiro e vagabundo. Vivemos em um momento onde não há mais espaço para o cabresto. Espero que seja condenado no fim de tudo isso. Um cara que já foi condenado por ter agredido um promotor de justiça quer dizer que é inocente, ninguém acredita nisso.

  15. Baixaria Atila, pedindo pro papai Rubmar escrever nos comentários defendendo o filhinho de papai. Denegrir a imagem de uma mulher para justificar sua conduta abusiva, é bem a sua cara mesmo. A gravação é clara, sua conduta é de um cafajeste perseguidor que não mede esforços pra se manter no poder.

  16. Na onda o achismo se fosse esse usurpador de mulher pegava a viola juntava com o saco do chefe dele e iria cantar em outra freguesia. Obs. Faz uma pesquisa com o nome dele é veja que ele tem uma condenação pelo mesmo motivo.

  17. Essa Cristina é péssima de serviço, todo mundo sabe, pergunta por onde já passou. Se presta esse papel ridículo de ser fantoche de candidato, vai tomar processo para aprender.

  18. Se eu fosse esse Atila fazia B.O contra essa mulher, inventou monte de coisa, processa ela, dai quero ver.

  19. Quando você ouve o áudio ve que não tem nada a ver, nenhum momento pareceu que foi coagida ou ameaçada. Até pelo que sei funcionaria péssima de serviço morrendo de medo de ser mandada embora.

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