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HISTÓRIA DE FILME

Bombeiro relata buscas a piloto que sobreviveu tomando água de rio e comendo bolacha

Os bombeiros durante a busca se feriram em urtigas e espinhos, ficaram com carrapatos presos à pele

Da Redação

Equipe

08/11/2018 13h08 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Bombeiro relata buscas a piloto que sobreviveu tomando água de rio e comendo bolacha

Reprodução

O tenente do Corpo de Bombeiros, Rodrigo Fonseca, que comandou as buscas pelo piloto Maicon Semencio Esteves, 27, que estava desaparecido desde caiu com um avião agrícola em uma área de mata no Distrito de União do Norte, em Peixoto de Azevedo (692 km de Cuiabá-MT), no último domingo (04),  e foi encontrado com vida nesta quarta-feira (07) cerca de 30 quilômetros do local do acidente, contou como foi os momentos de buscas e dificuldades encontradas.

O acidente aconteceu no sábado (03), e o piloto vinha com o avião baixo e, no rasante, possivelmente por pane seca, caiu. Na queda se iniciou um incêndio e na saída às pressas, queimou braços mãos e face. Usando o celular, ele viu a estrada que estava perto, mas a bússola indicava um caminho reto pela floresta. Quando tentou caminhar pela floresta encontrou dificuldade porque é impossível fazer o deslocamento em linha reta, já que é preciso fazer curvas, contornar árvores e cipós. Nessas voltas ele se perdeu, não encontrou a estrada e andou muito mais do que esperava andar.

A queda da aeronave foi testemunhada por um agricultor que estava mais ou menos 500 metros do local da queda, arando a terra. Ele viu o momento em que avião desceu rapidamente e não subiu. O trabalhador foi até uma fazenda próxima e avisou na sede para chamar o socorro. Na segunda-feira foram vistos galhos quebrados por pessoas que começaram as buscas e pelos dois PMs. Os PMs encontraram a porta do avião aberta e um canivete a alguns metros da aeronave, o que indicava o deslocamento do piloto.

O chamado via Ciosp ao Corpo de Bombeiros só aconteceu às 11 horas da manhã da segunda-feira. Até esse momento o CBM ainda não tinha sido acionado. No mesmo dia, já às 14:30 CBM de Colíder, com os três militares  Ten Bm Fonseca, Sgt Veloso e Sd Evaristo estavam iniciando as buscas. Todo deslocamento é dificultado pela distância de Colíder até o distrito de União do Norte, até o local da queda do avião e do local do avião até dentro da floresta.

Na terça-feira de manhã os bombeiros retomaram as buscas, caminharam entre 4 e 5 km em linha reta na mata fechada, mas no total isso significa uma distância muito maior. Durante toda terça-feira os bombeiros ficaram dentro da floresta, não saíram, não foram vistos pelos pelos policiais militares nem pelas pessoas das fazendas. Gritaram e soltaram fogos na esperança de que o piloto respondesse.

Na quarta de manhã cedo chegaram os bombeiros de sorriso com o cão de busca. Mas na mesma manhã da quarta o CBM coordenou um grupo de 30 trabalhadores da fazenda São João. O gerente da fazenda destacou os homens, munidos de facões para o apoio aos bombeiros. Com esse reforço o CBM coordenou uma linha de busca, o pente fino, assim encontraram o piloto próximo a um córrego. Depois de caminhar por muito tempo, o piloto parou nesse local e ficou bebendo água. Durante os quatro dias ele bebeu água mas estava muito debilitado pelas queimaduras, pelos arranhões causados por espinhos na mata e por machucados no pé de tanto caminhar.

Para proteger o rosto dos espinhos o piloto ficou com capacete de voo, isso dificultou a percepção dos fogos e dos chamados que foram feitos durante toda a terça-feira, o dia que os bombeiros mais fizeram buscas e que ficaram mais tempo na mata. Quando encontraram o piloto, cansado sem condições de caminhar mais, devido aos ferimentos, tinha feridas abertas e insetos causando mais ferimentos na pele. Ele comeu somente as bolachas que tinha consigo, durante todo esse tempo. A 200 metros do local em que ele foi encontrado havia uma clareira para onde ele foi transportado em uma maca improvisada.

Nesse local foi onde o veículo chegou, uma caminhonete particular, que o transportou até o distrito de União do Norte. Lá uma unidade de resgate do município de Peixoto de Azevedo fez os atendimentos, fez os primeiros socorros nos ferimentos e aplicou soro.

Os bombeiros durante a busca se feriram em urtigas e espinhos, ficaram com carrapatos presos à pele e viram um grupo de queixadas (porcos do mato) agressivo. Eles iam dormir à meia-noite e estavam na mata assim que o sol nascia.

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