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CASO LILIAN QUÉZIA

Namorada de Doutor Bumbum diz que só obedecia ordens em depoimento

A delegada pediu a prisão temporária dos quatro envolvidos no procedimento pelos crimes de homicídio qualificado e associação criminosa

Jefferson Oliveira

Jornalista

17/07/2018 13h17 | Atualizada em 17/07/2018 14h30

Namorada de Doutor Bumbum diz que só obedecia ordens em depoimento

Estefan Radovicz Agência ODia

A jovem Renata Fernandes Cirne, 20, namorada do médico Denis Cesar Barros Furtado, conhecido como Doutor Bumbum, em depoimento na 16ª DP (Barra da Tijuca) alegou que apenas obedecia as ordens do namorado, e que nada teve a ver com o procedimento estético que culminou com a morte da bancária Lilian Quézia Calixto de Lima, 46, moradora de Cuiabá, no domingo (15).



Em seu depoimento a jovem conta que o namorado mentia sobre os procedimentos realizados na clínica e que ficou surpresa com o ocorrido, “Desde o início, ele falou que os procedimentos eram ambulatoriais e que não precisava de sala de cirurgia. Estou surpresa como todo mundo. Eu não sabia que era uma prática irregular. Eu só obedecia ordens dele... Eu não sou da área da saúde, não tenho formação acadêmica de técnica de enfermagem. Eu só era secretária", disse a jovem em depoimento prestado para a delegada Adriana Belem, que investiga o caso.

Delegada Adriana Belem

Mesmo diante da negativa no depoimento e alegar desconhecer a prática ilegal, a delegada acredita que Renata faltou com a verdade, pois ela tinha ciência do que acontecia na clínica por já ter noções de enfermagem em um curso técnico que iniciou.

A delegada pediu a prisão temporária dos quatro envolvidos no procedimento pelos crimes de homicídio qualificado e associação criminosa. Os pedidos de prisão foram contra Denis, sua mãe, Maria de Fátima Barros Furtado, que estão foragidos, Rosilane Pereira da Silva, que atuava como doméstica no local e seria ‘laranja’ do esquema ilegal, e Renata, que é a única presa até o momento.



A justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão de Rosilane, mas a delegada Adriana Belem anexou nos autos uma imagem de uma rede social onde aparece Renata, Denis e Rosilane juntos, vestidos de branco na clínica fictícia e com a seguinte frase, “Equipe pronta para começar... Bom dia! Saúde e beleza sempre!

Renata, durante o depoimento, se emocionou, alegou que foi abandonada pelo companheiro e apenas marcou a cirurgia da bancária Lilian. “Eu não tive participação nesse procedimento, apenas marquei. Eu quis falar, ninguém aqui me obrigou. Estou presa há quase quatro dias e ele não teve consideração, não mandou nem um advogado. Graças a ele minha vida está destruída. Estou me sentindo abandonada, sem nenhuma assistência”, relatou a jovem.

Participantes da morte de bancária
Doutor Bumbum

Denis Cesar Barros Furtado – “Vulgo Doutor Bumbum” – Médico responsável pela clínica clandestina, conhecido nas redes sociais e elogiado pelos procedimentos realizados anteriormente. Denis possuiu a primeira passagem na polícia no ano de 1997, pelo crime de homicídio. Em 2003, o médico foi detido por porte ilegal de arma e posteriormente teve mais três passagens pela polícia. Denis possuía CRM de Goiás e Distrito Federal e era proibido de atuar no Rio de Janeiro. (Foragido)

Maria de Fátima

Maria de Fátima Barros Furtado – Mãe de Denis e funcionária da clínica, é médica, mas teve o registro cassado em 2015 pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro por infringiu os artigos 45 e 142 do Código de Ética Médica. Desde então, Maria estava proibida de atuar e realizava atendimento clandestinamente na clínica do filho. (Foragida)

Renata Cirne

Renata Fernandes Cirne – Iniciou o curso de técnica em enfermagem, porém não concluiu, é namorada de Denis, e segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, a jovem teve participação direta na morte da bancária, diferente do que alegou em seu depoimento e ainda relatou que só deixou Lilian sozinha a pedido do namorado. (Presa)

Rosilane Silva

Rosilane Pereira da Silva – Seria a empregada doméstica do local, porém ela também auxiliava em procedimentos e se vestia de branco, compondo a equipe e segundo as investigações da 16ª DP a clínica está registrada na Junta Comercial do RJ como um salão de beleza no nome de Rosilane. (Em liberdade)

Nota da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) lamentou a morte da bancária de Cuiabá, e relatou que repudia e reprova procedimentos médicos na área, realizados por não especialistas, que era o caso de Denis. Confira a nota na íntegra.

“A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) lamenta por mais um óbito de paciente que realizou um procedimento estético com um não especialista e em local inadequado. A bancária Lilian Calixto, 46 anos, morreu no último domingo, 15, após complicações de um tratamento estético. Além de não ter formação em cirurgia plástica, o médico realizou o procedimento em sua residência, o que é proibido.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica repudia e reprova procedimentos médicos na área, realizados por não especialistas, e sobretudo nestes moldes. A crescente invasão da especialidade por não especialistas tem promovido cada vez mais casos de insucesso e fatais como este.

A SBCP disponibiliza em seu site, Facebook, e-mail ou telefone, uma consulta para saber se o médico é ou não credenciado pela Sociedade para realizar uma cirurgia plástica.

A formação do cirurgião plástico é diferenciada, uma vez uma vez que ele deve obrigatoriamente, após os 6 anos da graduação em medicina, passar pela formação de cirurgião geral (2 anos) antes de cumprir mais 3 anos em cirurgia plástica, somando no mínimo 11 anos de formação.

Além disso, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica tem alertado reiteradamente a população sobre os riscos dos procedimentos que envolvem PMMA. A SBCP aguarda por decisões judiciais que possam definitivamente impedir que profissionais médicos e não médicos sem especialização em cirurgia plástica realizem procedimentos sem qualificação.

DIRETORIA EXECUTIVA

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA PLÁSTICA”

Nota SBCP
Morte de bancária

Lilian Quézia Calixto de Lima desembarcou no Aeroporto Internacional Tom Jobim no sábado (14), onde no mesmo dia passaria pelo procedimento cirúrgico para colocar silicone nas nádegas.

Denis realizou uma bioplastia em Lilian para aplicação do biossimetric, um PMMA do mercado médico, reconhecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é homogêneo com pH equivalente ao do organismo, o que reduz as dores no paciente durante a aplicação.

Durante o procedimento cirúrgico, Lilian passou mal e foi encaminhada às pressas por Denis e Renata em um veículo particular do médico para o conceituado Hospital Barra D'Or. Lilian deu entrada na unidade apresentando embolia pulmonar, ficou internada na unidade até o início da madrugada de domingo (16) quando não resistiu às complicações e acabou morrendo.

A bancária teria pagado o valor de R$ 20 mil para realizar o procedimento estético reparador. Após o ocorrido, Denis fugiu, deixando para trás o seu veículo e Renata foi presa em um condomínio.

A bancária será velada e enterrada na tarde desta terça-feira (17) em Cuiabá.

Lilian Calixto

FONTE: Rafael Nascimento



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