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CASO COMOVENTE

Bebê indígena enterrada viva é transferida para Santa Casa em Cuiabá

De acordo com a médica, após exames a criança foi diagnosticada com hipotermia grave e distúrbio de coagulação

Jefferson Oliveira

Jornalista

07/06/2018 15h58 | Atualizada em 07/06/2018 16h48

Bebê indígena enterrada viva é transferida para Santa Casa em Cuiabá

Reprodução

A recém-nascida indígena que foi enterrada viva pela bisavó e resgatada com vida por policiais militares na noite de quinta-feira (05) em Canarana (633 km da Capital) foi transferida para a Santa Casa de Misericórdia em Cuiabá, na noite desta quarta-feira (06).

A criança foi transferida de avião para a Capital de avião e internada na Santa Casa apresentando um quadro de infecção e insuficiência respiratória. O pedido de transferência foi realizado pela pediatra Flávia Bonini, que atua no Hospital Regional de Água Boa onde a pequena indígena estava internada desde que foi resgatada pelos policiais.

De acordo com a médica, após exames a criança foi diagnosticada com hipotermia grave e distúrbio de coagulação. A recém-nascida foi transferida para a Capital, em uma UTI aérea contratada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES/MT).

Um boletim médico sobre o atual estado de saúde da indígena deverá ser emitido até o final da tarde desta quinta-feira, pela equipe da Santa Casa que relatou que ao chegar à capital o quadro de saúde apresentado apesar de ser grave, era estável da criança. A indígena apresentou sangramento e passou por exames.

Bisavó presa

A indígena Kutz Amin, 57, responsável por enterrar uma recém-nascida viva na tarde de terça-feira foi encaminhada para a Cadeia Pública de Nova Xavantina (653 km de Cuiabá-MT) na tarde de quarta-feira (06) após passar por uma audiência de custódia no Fórum da Comarca de Canarana (633 km da Capital).

A decisão de acordo com a comarca, foi proferida pelo Juiz Darwin de Souza Pontes que acatou o pedido de prisão feito pelo delegado do município Deuel Paixão de Santana. O delegado em conversa com o Circuito Mato Grosso, revelou que a indígena relatou que cortou o cordão umbilical da criança e a enterrou, acreditando que a mesma estaria morta. Kutz foi autuada pelo crime de homicídio tentado.

“Ao ser detida, a indígena foi ouvida e um representante da Funai acompanhou o depoimento dela. Ela nos relatou que encontrou a adolescente (mãe da criança) caída no banheiro e muito sangue próximo e a criança ao lado da vaso, sem esboçar reação ou choro.  Kutz disse que cortou o cordão umbilical e enterrou a criança, acreditando que a mesma estaria morta, e outras pessoas socorreram a adolescente e a encaminharam ao médico”, relatou.

“Ela (Kutc Amin) passou a noite detida aqui na delegacia, e hoje ao participar da audiência de custódia, o juiz determinou pela prisão preventiva dela. A mãe da recém nascida e a avó da criança, também foram ouvidas como testemunhas, mas com o desenrolar do inquérito, será investigado se elas tiveram participação direta ou não no homicídio tentado”, completou Deuel.

O delegado ainda informou que tem 10 dias para concluir o inquérito sobre a tentativa de homicídio contra a bebê. Procurada, A Coordenação Regional do Xingu informou que somente o coordenador Kumaré Txicão poderia se pronunciar sobre o caso, porém o mesmo não foi encontrado.

A recém-nascida se encontra internada no Hospital Regional de Água Boa e está em observação médica, sem risco de morte. O Conselho Tutelar da cidade de Canarana também acompanha o caso e já informou que a criança não deverá voltar a tribo de origem, e ficará em um lar ou será adotada por alguma família que atender os requisitos legais.

A mãe da recém-nascida, uma adolescente de 15 anos, depois de ser ouvida continuou internada com o estado de saúde debilitado e chegou a sofrer hemorragia no parto, que acabou sendo de forma espontânea na residência que mora com a família.

O caso

Segundo a denúncia, a indígena teria dado à luz  por volta do meio dia na terça-feira (05) e teria enterrado no terreno da residência onde a família mora. No local, a avó T.K. confirmou a autoria, pois, segundo ela, teria nascido morta por ser prematura. E não comunicou ninguém por ser costume da etnia.

Uma enfermeira da Casai (Casa de Saúde do Índio) ao assumir o expediente soube do caso e comunicou a polícia e o chefe do Casai. Em decorrência do tempo, o local foi isolado pela equipe policial e acionada a Polícia Judiciária Civil para o trabalho da perícia técnica. Foi solicitado para constatar o óbito. Ao escavar, como já foi descrito, todos ouviram o choro do bebê.

Pelo fato do pai não assumir a criança e a mãe ter apenas 15 anos, há suspeitas de que tenham tentado matar a recém-nascida.

Vídeo da transferência

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