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COMBATE AO CV-MT

Principais líderes do Comando Vermelho de MT dão ordens de dentro de presídios

Conheça como funciona o organograma do Comando Vermelho no estado e quem são as principais peças descobertas na operação 10º Mandamento

Jefferson Oliveira

Jornalista

14/03/2018 13h08 | Atualizada em 14/03/2018 13h24

Principais líderes do Comando Vermelho de MT dão ordens de dentro de presídios

João Vieria - Gazeta Digital

As principais ‘cabeças’ da facção criminosa Comando Vermelho dentro de Mato Grosso, estão presas, sendo na Penitenciária Central do Estado (PCE) em Cuiabá-MT e também na Penitenciária Federal de Catanduvas no Paraná. É o que apontou o delegado regional de Barra do Garças (515 km de Cuiabá) , Adilson Gonçalves, que comandou a operação 10º mandamento desencadeada pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (14) em combate a atuação da facção criminosa no estado.

Em coletiva nesta quarta-feira na Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), o delegado revelou que as investigações que começaram em maio de 2016 mostraram que o principal líder do CV-MT é Renildo Silva Rios conhecido pelo apelido de ‘Nego’, ‘Negão’,  ‘Liberdade’ ou ‘Snype’ preso em Catanduvas. Além dele, outros criminosos identificados como líderes, também estão detidos, porém na PCE, sendo eles identificados como Aldemir de Assis Campos, conhecido pelo apelido de ‘Japa’, e Gilson Rodrigues dos Santos, vulgo ‘Tião’ ou ‘Russo’.

Além dos mandados de prisão cumprido contra os detentos, Wanderson Pinheiro de Souza conhecido pelo alcunha de ‘Caju’ foi preso nesta manhã durante a operação e é apontado como uma peça fundamental na ramificação da facção criminosa no estado. (veja a função de cada um abaixo).

O delegado ressaltou que as facções estão preparadas em Mato Grosso, porém não esperava que a Polícia também estivesse um patamar acima deles.

“Durante as investigações a gente percebeu o quando o crime organizado está preparado, mas talvez eles não dessem conta de que também a gente (polícia) conseguíssemos aprofundar da forma como a gente aprofundou” explicou Adilson Gonçalves.

 Durante a coletiva, ficou claro que as ordens do conselho final da facção eram emanadas de dentro da PCE, e questionado sobre o que o estado vem fazendo para coibir o uso de celulares dentro das penitenciárias, o secretário Fausto José Freitas da Silva falou sobre o papel da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) no combate as facções.

“O equipamento adquirido pelo estado, não é um bloqueador de aparelho celulares, e sim um equipamento que faz um diagnóstico do que está acontecendo na unidade (presídio) e essa informação poderá ser utilizada de várias formas em parceria com a segurança pública, forças policiais, Ministério Público e judiciário”, disse.

“Nos último 30 dias, atendi uns 10 representantes que têm apresentado aparelhos detectores, pois estamos estudando tudo o que existe no mercado atualmente e em conversa com secretários de outros estados, ficou provado que os disponíveis no Brasil não são eficazes e estamos estudando novas tecnologias, de equipamentos novos que estão sendo homologados agora no Brasil pela Anatel e a maioria são equipamentos israelenses com poder de eficácia maiores, porém muito caro, que seria um investimento de cinco a seis milhões de reais”, completou fausto.

O secretário ainda informou que o estado após fazer o estudo irá comprar o equipamento e também em breve Mato Grosso irá adquirir o body scanner para quando a pessoa for entrar dentro do presídio e estiver com algum objeto dentro do corpo será identificado, como os equipamentos que já existem em aeroportos internacionais.

Outra medida de combate as facções, de acordo com Fausto será o pedido de transferências dos presos identificados como líderes para presídios federais.

“Vamos buscar, somadas a estas informações das investigações a transferência dos presos que estão praticando algo ilícito de dentro das unidades para uma unidade federal. Vamos tentar porque não é uma decisão apenas do sistema penitenciário de Mato Grosso, e sim em conjunto com Polícia Federal, diretor de unidade federal, sistema federal e toda uma articulação que engloba uma transferência”, relatou.

Já o secretário Gustavo Garcia da Sesp, garantiu que as forças de segurança de Mato Grosso estão preparadas para combater as facções de forma eficiente e técnica.

“Pedimos confiança na polícia e não aceitar esses vídeos como verdades. Aqui não vemos disputa de território entre facções e polícia. Em Mato Grosso não deixamos chegar como chegou o Rio de Janeiro, porque as nossas polícias são exatamente técnicas motivadas, e todos tem orgulho de ser policiais, e assim damos a resposta firme que é necessária sem efeitos colaterais. O nosso enfrentamento não busca o confronto, o nosso enfrentamento é pautado na inteligência, como hoje por exemplo, realizadas prisões sem haver nenhum disparo”, explicou Gustavo.

Veja a função de cada integrante:

Renildo Silva Rios: Condenado por vários crimes e um dos idealizadores do CV-MT ao lado de Sandro Rabelo conhecido por ‘Sandro Louco’. É membro do “Conselho Final”, possuindo altíssima liderança dentro da unidade prisional. Exige o cumprimento rigoroso do estatuto.  Situação: Preso em Cantaduvas.

 

 

 

Aldemir de Assis Campos: Indivíduo de grande poder de articulação e decisão no “Conselho Final” responsável pela disciplina do bando. Situação: Preso na PCE.

 

 

 

 

Gilson Rodrigues dos Santos: Tem a incumbência de organizar a vida financeira da facção, responsável por controlar a “mensalidade” do CV-MT e fazer a distribuição do dinheiro oriundo da prática criminosa. Situação: Preso na PCE.

 

 

 

Wanderson Pinheiro de Souza: Responsável pelos Recursos Humanos da facção. As pessoas que eram ‘batizadas’ ou passavam a integrar a facção criminosa era com o aval final dele. Situação: Preso pela manhã na operação 10º Mandamento.

 

 

 

Amaury Milhomem: Membro do conselho no interior responsável pela cobrança no estado e exerce grande poder dentro da facção. Situação: Mandado de prisão sendo cumprido na operação 10º Mandamento.

 

 

 

Fabio Barbosa: membro do conselho no interior e de forte influência que é responsável pelo controle do Comando no interior. Situação: Mandado de prisão sendo cumprido na operação 10º Mandamento.

 

 

 

Carla Eduarda R. dos Santos: Responsável por cobrar a disciplina dos membros no interior do estado. Situação: Mandado de prisão cumprido na operação 10º Mandamento em barra do garças.

 

 

 

Emylee Souza da Silva: Forte influência no interior e que tem papel relevante no crime e que ao lado de Carla tem papel na linha final da organização. Situação: Mandado de prisão cumprido na operação 10º Mandamento em Barra do Garças.

 

 

 

Organograma dos principais líderes do CV-MT

A Facção 

O Comando Vermelho de Mato Grosso (CV-MT) foi criado no início de 2013, dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE). A facção foi idealizada pelo detento Sandro da Silva Rabelo, conhecido também por “Sandro Louco”, considerado um dos organizadores da facção mato-grossense, juntamente com Renato Sigarini, conhecido por “Vermelhão”, Miro Arcângelo Gonçalves de Jesus, o “Miro Louco” ou “Gentil”, e Renildo Silva Rios, conhecido por “Nego”, “Negão”, “Liberdade” ou “Snype”. 

O  CV-MT visando à expansão da facção criminosa estabeleceu duas principais ações iniciais importantes, a primeira dela foi à criação de um “Conselho” denominado “Conselho do Estado” ou “Conselho Final”, compostos por reeducando do mais alto nível de conhecimento sobre as regras do estatuto. Na estrutura do “Conselho Final” há os cargos de presidente, do vice-presidente, do porta-voz e do tesoureiro.

A segunda ação tida como crucial para o desenvolvimento da facção foi fixar autonomia em relação ao Comando Vermelho o Rio de Janeiro, não tendo que prestar contas das atividades ao comando nacional e nem efetuar pagamentos mensais. No entanto, existe uma aliança entre as duas facções.

O CV-MT conta com membros em diversas unidades prisionais no Estado de Mato Grosso, especificamente em Raios e Alas reservados aos reeducandos mais perigosos.  A facção mantém controle sobre seus membros e os atualiza quanto às decisões tomadas pelo comando da facção.

Nome da operação

A operação “10º Mandamento” faz alusão aos mandamentos da Bíblia, entre eles o 10º mandamento - não cobiçar as coisas alheias-, ou seja, não cobiçar o que é do próximo e esta organização criminosa, hipoteticamente, em uma das suas vertentes criminosas de obtenção de valores espúrios, dirigia-se atos delitivos contra o patrimônio alheio, praticando crimes de furtos, roubos e estelionatos.

Efetivo

Para a operação são empregados 115 policiais civis (delegados, escrivães e investigadores), de unidades das Regionais de Barra do Garças, Água Boa, Rondonópolis e Cuiabá, da Gerência de Combate ao Crime Organizado e outras  unidades da Diretoria de Atividades Especiais (DAE).

Participam da operação 10º Mandamento as Delegacias de Polícias Especializadas de Roubos e Furtos de Barra do Garças, Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), 1ª Delegacia de Barra do Garças, Delegacia Especializada do Adolescente de Barra do Garças e Delegacias Regionais, com atuação especial o Núcleo de Inteligência de Barra do Garças.

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