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CASO RODRIGO CLARO

Inquérito aponta que tenente do Corpo de Bombeiros torturou aluno

Caso a denúncia de tortura seja aceita pelo Ministério Público, a tenente responderá pelo crime na justiça comum

Jefferson Oliveira

Repórter

21/03/2017 10h53 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Foto: Jefferson Oliveira

O Inquérito Policial Civil (IPC) sobre a morte do ex-aluno bombeiro Rodrigo Claro, com mais de 500 páginas e 50 depoimentos, foi  finalizado pela delegada Juliana Chiquito Palhares, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), e apontou tortura por parte da oficial dos bombeiros, tenente Isadora Ledur.

O IPC será entregue nesta terça-feira (21) na 7ª Vara Criminal de Cuiabá-MT e, na sequência, encaminhado para o Ministério Público Estadual (MPE) confrontar com o Inquérito Policial Militar (IPM). Caso o crime de tortura seja denunciado, será aberto processo na Justiça comum.

No inquérito, a oficial é eximida de homicídio, porém apontada por tortura ao impor ao ex-aluno sob forte pressão para praticar atividades e ter que conduzir a sua moto sem auxílio até o 1º Batalhão dos bombeiros mesmo sem condições.

“intenso sofrimento físico e mental, mediante violência e grave ameaça, caracterizado pelos sucessivos ‘caldos’ e posturas coercitivas, como forma de lhe castigar pelo péssimo desempenho e pelo fato de ter apresentado atestados médicos em sua disciplina”, diz parte do inquérito divulgado pelo Gazeta Digital.

Quanto aos “caldos” que ela é acusada, a tenente relatou que apenas utilizou a técnica de “nado resistido”. (O Programa NADO RESISTIDO foi desenvolvido para aprimorar a resistência e a força do nadador, possibilitando o aprimoramento da técnica nos diferentes estilos).

Caso

10 de novembro de 2016 e o cenário era a Lagoa Trevisan, em Cuiabá (MT). Alunos realizavam treinamento do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso. Tudo corria normalmente, até que um dos alunos sentiu-se mal e foi liberado do treino.

Era o jovem Rodrigo, que morreu após cinco dias internado no Hospital Jardim Cuiabá, na capital. Ele deu entrada no hospital com aneurisma cerebral após ter recebido uma série de afogamentos durante o curso, segundo a família.

O jovem já havia comunicado com sua mãe sobre a conduta da oficial com ele. Rodrigo afirmou  que ocorreram outros casos e que as sessões de afogamento eram comuns. Outros alunos que estiveram no curso, confirmaram a perseguição da tenente com o então aluno.

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