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CASO LEDUR

Inquérito inocenta tenente de culpa na morte de aluno, mas aponta negligência

A tenente responderá por negligência durante o 16º curso de formação de soldados

Jefferson Oliveira

Repórter

15/02/2017 17h20 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Foto: Reprodução

O Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga as causas da morte do ex-aluno soldado do Corpo de Bombeiros Rodrigo Patrício Lima Claro, 21, apontou que não há indícios de cometimento ou tentativa de homicídio por parte da tenente Izadora Ledur, instrutora responsável pelo treinamento de travessia na Lagoa Trevisan, no dia 10 de novembro de 2016. De responsabilidade do coronel Alessandro Borges Ferreira, o inquérito foi finalizado no dia 2 de fevereiro deste ano.

De acordo com informações obtidas pelo Circuito Mato Grosso, o documento ainda está sendo homologado pela Corregedoria do Corpo de Bombeiros. A homologação é a concordância com o relatório apresentado no inquérito ou caso ocorra a avocação (discordância ou apresentação de outra solução da apontada no relatório) é reaberto o IPM e feita novas oitivas. Após a homologação, o julgamento da tenente será marcado.

Rodrigo após ser atendido na policlínica do Verdão em Cuiabá (MT), teve o estado de saúde agravado com fortes dores de cabeça e convulsão. Foi feito contato com os familiares do paciente e o mesmo foi encaminhado ao Hospital Jardim Cuiabá. Ele foi medicado para estabilizar a convulsão.

Na escala de coma Glasgow ele obteve resultado nove, que com base nos relatos médicos Rodrigo abria os olhos espontaneamente, não se comunicava e tinha reflexo de retirada a estímulos dolorosos, ou seja, seu estado de saúde era considerado moderado.

Durante uma tomografia foi apontado que o ex-aluno possuía um sangramento muito grande no cérebro, que causou uma baixa de consciência. A partir desse momento o estado de saúde de Rodrigo começou a piorar cada vez mais.

O neurocirurgião que atendeu  a vítima na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), descartou qualquer possibilidade de o estado de saúde do ex-aluno está relacionado a um possível afogamento que poderia ter acontecido. Segundo relatos do médico. "O sangramento cerebral começou possivelmente no momento em que o aluno Claro convulsionou , quando ainda estava na policlínica do Verdão. Assim não foi possível afirmar a existência do nexo de causalidade entre o exercício realizado na Lagoa Trevisan no dia 10/11/2016 e o sangramento cerebral".

Ainda no inquérito aparece que o resultado do laudo pericial realizado pelo Instituto Médico Legal (IML), também aponta que a tenente não teve culpa ou participação na morte do ex-aluno. Veja o que diz trecho do inquérito:

"O Laudo Pericial nº 1.9067.1.2016.96558-01 (fl.559), de protocolo nº 97740/2016, traz a necropsia do aluno Rodrigo Patricio Lima Claro, concluindo que a morte ocorreu por hemorragia cerebral de causa natural (fl. 564). Assim, pelas provas colhidas nos exames periciais, não foi possível comprovar o nexo causal, entre a conduta da tenente Izadora Ledur de Souza Dechamps na instrução do dia 10/11/2016 e o resultado morte do aluno a soldado Rodrigo Patricio Lima Claro no dia 15/11/2016 às 22 horas"

O IPM aponta que a tenente Ledur foi negligente ao não fazer a previsão e materiais de apoio à instrução e ao liberar o ex-aluno para que fosse com meios próprios até a coordenação do curso mesmo sabendo que ele sentia fortes dores de cabeça.

No inquérito ainda é apontado o tenente-coronel Licínio Tavares como coordenador do 16º curso de formação de soldados que não cumpriu ou exigiu que fosse realizado as atividades conforme prescrevia o curso de formação de soldados. Foi negligente com a segurança não enviando ambulância para o curso.

O tenente Marcelo Reveles é indiciado por negligência e também por imprudência ao exigir do ex-aluno técnicas e habilidades que não faziam parte da ementa da disciplina e nem das técnicas de travessia.

Dos envolvidos na morte de Rodrigo, apenas a tenente Ledur ainda não foi ouvida pela Delegacia de Homicídios de Proteção a Pessoa (DHPP). Conforme o Circuito Mato Grosso informou na semana passada a delegada Juliana Chiquito Palhares já marcou a data da oitiva e pretende encaminhar os autos completos ao Ministério público ainda antes do carnaval.

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